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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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Sob vigilância

A concessão de vistos para estudar
nos EUA está mais restrita e os
alunos sentem-se vigiados

Chris Delboni, de Washington

 
Cristiane Chantel
A brasileira Glaucia: "Os professores esperam nos pegar numa mentira"

Tirar visto para os Estados Unidos, como todo mundo sabe, nunca foi muito fácil. Pois agora está pior. Depois dos atentados de 11 de setembro e da constatação de que três dos dezenove terroristas entraram no país com visto de estudante, até esse tipo de autorização de entrada – uma das mais facilmente concedidas, desde que o requerente comprovasse vínculo com alguma escola – ficou complicada. A embaixada americana no Brasil confirma: a verificação das informações e da documentação fornecidas pelo candidato a estudante tornou-se muito mais rigorosa. A brasileira Glaucia Mimbi, 31 anos, que chegou a Washington em setembro do ano passado como turista e em fevereiro matriculou-se em uma escola e mudou o visto para o de estudante, queixa-se da atitude de alguns professores em relação aos alunos estrangeiros. "Noto que, em conversas sobre assuntos pessoais, eles ficam buscando contradições no que falamos, como se esperassem nos pegar em uma mentira", diz.

Glaucia, que tem família e emprego em Brasília (é técnica licenciada do Hospital Sarah Kubitschek), estuda na Lado International College, uma escola de idiomas que vem se ressentindo do aperto na concessão de vistos. "Antes dos atentados de 11 de setembro, no máximo 10% dos pedidos de mudança do visto de turista para o de estudante que a escola encaminhava eram recusados. Hoje, a rejeição está em torno de 60%", constata o diretor, Enrique Viñas. Por enquanto, as restrições têm partido sempre do Serviço de Imigração e Naturalização, o poderoso INS. A partir do ano que vem, as próprias escolas deverão aumentar o cerco. Um sistema em fase de implantação vai ligar todos os consulados americanos com todos os portos de entrada de estrangeiros nos EUA e com as 74.000 instituições de ensino capacitadas a receber alunos de outros países. Até 30 de janeiro de 2003, todas as escolas têm de estar conectadas ao programa, batizado de Sevis, a sigla em inglês de Sistema de Informação de Estudantes e Intercambistas. A partir de então, caberá às instituições notificar o INS, em 24 horas, se um aluno não se apresentar no início do período, se o abandonar em qualquer momento ou se decidir mudar de curso ou local de estudo. De seis em seis meses, precisarão informar ao serviço de imigração a localização e os dados escolares de cada estrangeiro matriculado. É trabalho de gigante: no ano escolar encerrado em maio passado, 547.867 estrangeiros estavam matriculados em escolas americanas. "Em suma, os colégios se tornarão responsáveis pelos alunos que trouxerem para o país", explica Bunnie Bryce, advogada especialista em questões de imigração. Nessa condição, eles serão um novo e eficiente elo de vigilância do estrangeiro que planeja estudar nos Estados Unidos.

 
 
   
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