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Sob
vigilância
A concessão de vistos para estudar
nos EUA está mais restrita e os
alunos sentem-se vigiados
Chris
Delboni, de Washington
Cristiane Chantel
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| A
brasileira Glaucia: "Os professores esperam nos pegar numa mentira" |
Tirar
visto para os Estados Unidos, como todo mundo sabe, nunca foi muito fácil.
Pois agora está pior. Depois dos atentados de 11 de setembro e
da constatação de que três dos dezenove terroristas
entraram no país com visto de estudante, até esse tipo de
autorização de entrada uma das mais facilmente concedidas,
desde que o requerente comprovasse vínculo com alguma escola
ficou complicada. A embaixada americana no Brasil confirma: a verificação
das informações e da documentação fornecidas
pelo candidato a estudante tornou-se muito mais rigorosa. A brasileira
Glaucia Mimbi, 31 anos, que chegou a Washington em setembro do ano passado
como turista e em fevereiro matriculou-se em uma escola e mudou o visto
para o de estudante, queixa-se da atitude de alguns professores em relação
aos alunos estrangeiros. "Noto que, em conversas sobre assuntos pessoais,
eles ficam buscando contradições no que falamos, como se
esperassem nos pegar em uma mentira", diz.
Glaucia, que tem família e emprego em Brasília (é
técnica licenciada do Hospital Sarah Kubitschek), estuda na Lado
International College, uma escola de idiomas que vem se ressentindo do
aperto na concessão de vistos. "Antes dos atentados de 11 de setembro,
no máximo 10% dos pedidos de mudança do visto de turista
para o de estudante que a escola encaminhava eram recusados. Hoje, a rejeição
está em torno de 60%", constata o diretor, Enrique Viñas.
Por enquanto, as restrições têm partido sempre do
Serviço de Imigração e Naturalização,
o poderoso INS. A partir do ano que vem, as próprias escolas deverão
aumentar o cerco. Um sistema em fase de implantação vai
ligar todos os consulados americanos com todos os portos de entrada de
estrangeiros nos EUA e com as 74.000 instituições de ensino
capacitadas a receber alunos de outros países. Até 30 de
janeiro de 2003, todas as escolas têm de estar conectadas ao programa,
batizado de Sevis, a sigla em inglês de Sistema de Informação
de Estudantes e Intercambistas. A partir de então, caberá
às instituições notificar o INS, em 24 horas, se
um aluno não se apresentar no início do período,
se o abandonar em qualquer momento ou se decidir mudar de curso ou local
de estudo. De seis em seis meses, precisarão informar ao serviço
de imigração a localização e os dados escolares
de cada estrangeiro matriculado. É trabalho de gigante: no ano
escolar encerrado em maio passado, 547.867 estrangeiros estavam matriculados
em escolas americanas. "Em suma, os colégios se tornarão
responsáveis pelos alunos que trouxerem para o país", explica
Bunnie Bryce, advogada especialista em questões de imigração.
Nessa condição, eles serão um novo e eficiente elo
de vigilância do estrangeiro que planeja estudar nos Estados Unidos.
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