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O
sobrevivente
Guerrilha colombiana tenta matar
na hora da
posse o presidente
que prometeu esmagá-la
Fotos AFP
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| Estrago
do bombardeio em Bogotá e a posse de Uribe: dezenove mortos |

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Álvaro
Uribe, que na quarta-feira passada tomou posse como presidente da Colômbia,
recebeu de seu antecessor uma economia enfraquecida mas esse é
o menor de seus problemas. O país está estraçalhado
por uma guerra civil que só no ano passado matou 3.500 pessoas,
em sua maioria civis. Graças à aliança operacional
entre guerrilheiros e narcotraficantes, a Colômbia é responsável
por 70% da produção mundial de cocaína e também
a recordista em número de seqüestros e extorsões. No
momento da posse, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
(Farc), o maior dos dois grupos guerrilheiros comunistas, tentaram assassinar
o novo presidente com um bombardeio de morteiros artesanais. Dois desses
artefatos feitos de cano e botijão de gás caíram
numa área pobre perto do palácio presidencial, no centro
de Bogotá, matando dezenove pessoas, entre elas crianças.
Há três meses, num ataque com o mesmo tipo de morteiro improvisado,
as Farc mataram 119 pessoas que se tinham refugiado numa igreja.
Com pose de durão, Uribe assumiu garantindo que vai agir com firmeza
contra a guerrilha, que matou seu pai, em 1983, e já tentou assassiná-lo
em quinze atentados. De seu antecessor, Andrés Pastrana (que entregou
o cargo e se refugiou na Espanha, com a família), ele herdou o
fracasso das negociações com as Farc e o Exército
de Libertação Nacional (ELN), o outro grupo guerrilheiro.
Apesar disso, seu primeiro movimento foi uma proposta de diálogo
com esses grupos, impondo o cessar-fogo como condição. Para
mediar convidou Kofi Annan, secretário-geral da ONU.
A estratégia do presidente prevê mais de 1 bilhão
de dólares para despesas militares. Serão duplicados os
efetivos da polícia, que atualmente conta com 100.000 homens, e
os do Exército, que tem 50.000 soldados. Uribe anunciou também
um projeto controvertido, que pretende arregimentar 1 milhão de
civis para atuar como informantes voluntários, o que é muito
criticado pelas organizações de direitos humanos, que temem
ainda mais violência. Com o respaldo de 77% dos colombianos, o presidente
promete fazer uma profunda reforma institucional e reduzir a tradicional
corrupção política na Colômbia. Ao contrário
de seus colegas nos países vizinhos, os eleitores vão julgar
Uribe não pelo desempenho da economia, mas por sua promessa de
esmagar a guerrilha.
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