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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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O sobrevivente

Guerrilha colombiana tenta matar
na hora da
posse o presidente
que prometeu esmagá-la

 
Fotos AFP
Estrago do bombardeio em Bogotá e a posse de Uribe: dezenove mortos


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Álvaro Uribe, que na quarta-feira passada tomou posse como presidente da Colômbia, recebeu de seu antecessor uma economia enfraquecida – mas esse é o menor de seus problemas. O país está estraçalhado por uma guerra civil que só no ano passado matou 3.500 pessoas, em sua maioria civis. Graças à aliança operacional entre guerrilheiros e narcotraficantes, a Colômbia é responsável por 70% da produção mundial de cocaína e também a recordista em número de seqüestros e extorsões. No momento da posse, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o maior dos dois grupos guerrilheiros comunistas, tentaram assassinar o novo presidente com um bombardeio de morteiros artesanais. Dois desses artefatos feitos de cano e botijão de gás caíram numa área pobre perto do palácio presidencial, no centro de Bogotá, matando dezenove pessoas, entre elas crianças. Há três meses, num ataque com o mesmo tipo de morteiro improvisado, as Farc mataram 119 pessoas que se tinham refugiado numa igreja.

Com pose de durão, Uribe assumiu garantindo que vai agir com firmeza contra a guerrilha, que matou seu pai, em 1983, e já tentou assassiná-lo em quinze atentados. De seu antecessor, Andrés Pastrana (que entregou o cargo e se refugiou na Espanha, com a família), ele herdou o fracasso das negociações com as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN), o outro grupo guerrilheiro. Apesar disso, seu primeiro movimento foi uma proposta de diálogo com esses grupos, impondo o cessar-fogo como condição. Para mediar convidou Kofi Annan, secretário-geral da ONU.

A estratégia do presidente prevê mais de 1 bilhão de dólares para despesas militares. Serão duplicados os efetivos da polícia, que atualmente conta com 100.000 homens, e os do Exército, que tem 50.000 soldados. Uribe anunciou também um projeto controvertido, que pretende arregimentar 1 milhão de civis para atuar como informantes voluntários, o que é muito criticado pelas organizações de direitos humanos, que temem ainda mais violência. Com o respaldo de 77% dos colombianos, o presidente promete fazer uma profunda reforma institucional e reduzir a tradicional corrupção política na Colômbia. Ao contrário de seus colegas nos países vizinhos, os eleitores vão julgar Uribe não pelo desempenho da economia, mas por sua promessa de esmagar a guerrilha.

 

 

 
 



   
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