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Edição 1 764 - 14 de agosto de 2002
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Golpe na especulação


Reuters
Armínio e Malan: o FMI reconheceu o peso específico do Brasil

A semana passada terá seu lugar marcado na breve história da globalização econômica como aquela em que o Brasil, talvez pela primeira vez, tenha recebido uma de suas prometidas dádivas. Ao cabo de uma negociação de apenas algumas semanas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) selou com as autoridades brasileiras um acordo que resultará no repasse ao país de 30 bilhões de dólares. Sem mais exigências de aperto financeiro por parte do governo brasileiro, o FMI destinará 6 bilhões de dólares já neste ano e o restante ao longo de 2003. O acordo apaziguou os mercados, o risco Brasil despencou e o dólar começou sua lenta viagem de volta a um valor que permitirá à campanha eleitoral seguir seu curso num clima de normalidade. Já era tempo de os donos do mundo reconhecerem, da forma inequívoca como o fizeram, o peso específico do Brasil no tabuleiro global. Até agora, o Brasil só ficara com estilhaços de crises alheias, como a da Ásia, em 1997, e a da Rússia, no ano seguinte.

Como disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, o acordo com o Fundo deu mais oxigênio à economia brasileira. Deu também mais certeza aos brasileiros de que os sacrifícios feitos para controlar a inflação e manter a estabilidade da moeda não passaram despercebidos lá fora. O acordo reflete ainda a situação, muitas vezes ignorada, de que a relação econômica do Brasil com o mundo, em especial com os Estados Unidos, atingiu um ponto de simbiose. Se a economia brasileira naufragasse, faria um estrago muito grande no sistema global. Os investidores dos Estados Unidos colocaram no Brasil cinco vezes mais dinheiro do que na China. Apesar da enorme faixa fronteiriça e dos acordos de cooperação que unem México e EUA, empresas americanas investiram no Brasil mais do que no México. É um processo de integração que, para o bem e para o mal, não tem como ser revertido. Veja reportagem.

 
 
   
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