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Golpe
na especulação
Reuters
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| Armínio
e Malan: o FMI reconheceu o peso específico do Brasil |
A
semana passada terá seu lugar marcado na breve história
da globalização econômica como aquela em que o Brasil,
talvez pela primeira vez, tenha recebido uma de suas prometidas dádivas.
Ao cabo de uma negociação de apenas algumas semanas, o Fundo
Monetário Internacional (FMI) selou com as autoridades brasileiras
um acordo que resultará no repasse ao país de 30 bilhões
de dólares. Sem mais exigências de aperto financeiro por
parte do governo brasileiro, o FMI destinará 6 bilhões de
dólares já neste ano e o restante ao longo de 2003. O acordo
apaziguou os mercados, o risco Brasil despencou e o dólar começou
sua lenta viagem de volta a um valor que permitirá à campanha
eleitoral seguir seu curso num clima de normalidade. Já era tempo
de os donos do mundo reconhecerem, da forma inequívoca como o fizeram,
o peso específico do Brasil no tabuleiro global. Até agora,
o Brasil só ficara com estilhaços de crises alheias, como
a da Ásia, em 1997, e a da Rússia, no ano seguinte.
Como disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, o acordo com o Fundo
deu mais oxigênio à economia brasileira. Deu também
mais certeza aos brasileiros de que os sacrifícios feitos para
controlar a inflação e manter a estabilidade da moeda não
passaram despercebidos lá fora. O acordo reflete ainda a situação,
muitas vezes ignorada, de que a relação econômica
do Brasil com o mundo, em especial com os Estados Unidos, atingiu um ponto
de simbiose. Se a economia brasileira naufragasse, faria um estrago muito
grande no sistema global. Os investidores dos Estados Unidos colocaram
no Brasil cinco vezes mais dinheiro do que na China. Apesar da enorme
faixa fronteiriça e dos acordos de cooperação que
unem México e EUA, empresas americanas investiram no Brasil mais
do que no México. É um processo de integração
que, para o bem e para o mal, não tem como ser revertido. Veja
reportagem.
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