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Saúde
O preço da dedicação
O stress de quem cuida de alguém doente
na família pode levar a males mais graves
Fotos Denise Adans
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| Gloria e o filho Silvio: "Dor maior seria
vê-lo sofrer sozinho" |
Em 2001, a paulistana Maria Rosa Clini, professora
aposentada então com 65 anos, começou a estranhar
o comportamento da mãe, Eurídice, e levou-a ao médico.
O diagnóstico foi mal de Alzheimer, doença degenerativa
que causa demência. Nos dois anos seguintes, Maria Rosa abandonou
hábitos como ir à igreja e ao cabeleireiro e dedicou
a vida a cuidar da mãe, que passou a apresentar comportamento
agressivo, não dormia mais que uma hora seguida e precisou
de ajuda para os hábitos higiênicos. No início
deste ano, a professora internou-a numa clínica de repouso.
Não havia outro jeito: o stress a que Maria Rosa estava submetida
fez com que ela própria adquirisse um rosário de doenças,
de lúpus a hipertensão, de depressão a hipoglicemia.
"Às vezes me acho um monstro, mas não agüentava
mais", ela diz.
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| Maria Rosa com a mãe, Eurídice: "Eu já não
agüentava mais" |
Cuidar de uma pessoa doente na família
pode trazer recompensas psicológicas é um ato
de amor extremo. Mas, segundo estudos, é também uma
forma garantida de arruinar a própria saúde. Uma pesquisa
recente da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, conclui
que quem se dedica a esse tipo de assistência tem risco 63%
maior de ter morte prematura. Além disso, tende a desenvolver
depressão, baixa resistência do sistema imunológico,
pressão alta, insônia e artrite. Na Ohio State University,
também nos Estados Unidos, pesquisadores descobriram que
o hormônio do stress interleukin-6, ligado a doenças
do coração e diabetes, está presente em quantidade
seis vezes maior nas pessoas que cuidam intensivamente de parentes
enfermos. Levantar uma pessoa idosa da poltrona ou da cama é
também caminho certo para dores nos ombros e nas costas e
pode provocar lesões graves. "Ao contrário do que
ocorre com os enfermeiros profissionais, os familiares se envolvem
emocionalmente com a situação e tendem a considerar
a doença do outro como se fosse sua, o que potencializa os
efeitos colaterais de quem cuida", diz a psicóloga especializada
em stress Ana Maria Rossi, de São Paulo.
A paulistana Gloria Ribeiro da Silva recebeu
um diagnóstico de câncer ósseo no ano passado
e surpreendeu-se quando o médico associou a doença
aos cuidados que ela dispensa dia e noite ao filho Silvio, de 7
anos, paraplégico devido a uma meningite contraída
aos 50 dias de vida. Na época, ela abandonou a profissão
de manicure e pouco tempo depois passou a sofrer de pressão
alta e depressão. "Tenho seqüelas que nunca mais vão
me deixar", ela avalia. "Dói cuidar de meu filho, mas dor
maior seria vê-lo sofrendo sozinho."
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