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Especial
Mudança radical
Corrigir o nariz? Inflar o busto? Isso é
ínfimo
para quem muda tudo e renasce como outra
pessoa quase sempre mais bela e mais feliz
Pedro Rubens
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"Nunca
me arrumei tanto. Uso decotes, faço as unhas, pinto
o cabelo. Sou outra mulher."
PATRÍCIA NASCIMENTO, 28
anos, 1,73 metro, 63 quilos
SOMMELIÈRE
O QUE FEZ DESDE 2001: regime
e musculação (perdeu 15 quilos), colocação
de prótese nos seios, lipo nas coxas e aplicação
de Botox no rosto |
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Em matéria de transformações
no visual, o mundo se divide em três correntes. Existem os
liberais, de mentalidade apropriadamente aberta e vaidade suficientemente
ativada para esticar uma ruguinha aqui, enxugar uma gordurinha ali.
Existem os conservadores, avessos a qualquer intervenção
estética, em geral congregados sob a bandeira da tribo dos
maridos ("Para que essa história de lipo? Gosto de você
como está, querida"). E existem os revolucionários.
Para eles, o céu, ou talvez nem isso, é o limite.
Alguns exemplos espantosos podem ser vistos nas fotos desta reportagem.
Os revolucionários da mudança
não querem apenas melhorar, consertar, disfarçar.
Seu anseio publicamente assumido enquanto em tanta gente
apenas se esgueira como um desejo secreto e embaraçoso
é mudar da cabeça aos pés, virar outra pessoa,
deixar para trás o invólucro de sem-gracice, gordura
ou pura feiúra e, enfim, renascer, belos e amados. Para isso,
contam com ferramentas nunca antes disponíveis na história
da humanidade: os avanços técnicos constantes e a
crescente popularização das cirurgias plásticas,
propiciadoras dos "milagres" que arrancam expressões de espanto.
Dispõem também de um ambiente social favorável,
em que celebridades discutem as minúcias de seus adendos
corporais, do retoque nas pálpebras às próteses
nos seios, contribuindo para a disseminação dos procedimentos
estéticos. E têm, por fim, a televisão.
Fotos Pedro Rubens e álbum
de família
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| "Cada centavo foi bem empregado.
Gastaria de novo o dobro, se necessário. Prefiro
cicatriz a flacidez."
REGINA HELENA MINGORANCE
RIBEIRO, 43 anos, 1,62
metro, 66 quilos
ADVOGADA
O QUE FEZ DESDE 1988:
redução de mamas,
lipoaspiração no abdômen, correção
no nariz e nas pálpebras, lipo e plástica
nas coxas e lifting no rosto
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Captando o crescente interesse pelas operações
plásticas, a rede americana ABC pôs no ar no fim de
2002 um programa sobre a radical transformação visual
de duas pessoas que durante semanas haviam se submetido a cirurgias,
tratamentos, dietas, ginástica, aulas de moda e cabeleireiros
para apagar todo e qualquer defeito que viam em seu corpo. O público
adorou. O programa, chamado Extreme Makeover, ganhou lugar
semanal no horário nobre da emissora e se transformou no
pioneiro de uma nova linhagem de reality shows, a das mudanças
físicas flagradas em todas as suas minúcias. Entre
as imagens do "antes" e do "depois" (como as vistas nestas páginas),
os programas de TV acrescentaram cenas de bisturi cortando pele
e carne, closes de córneas sendo corrigidas, próteses
implantadas, gengivas raspadas, dores e inchaços pós-operatórios
vividos às vezes em meio a lágrimas e gritos. Ao fim
do calvário, o retorno triunfal do transformado a sua comunidade,
radiante de felicidade, recebido com "ohs" de surpresa e encantamento.
Não é de estranhar que programas
como Extreme Makeover tenham despertado também uma
torrente de críticas. Médicos reclamam da disseminação
de expectativas irreais, especialistas em ética denunciam
a exposição dos pacientes e cultores da estética
queixam-se da entronização de um modelo de beleza
pasteurizado e exagerado. As pessoas submetidas a um grande número
de intervenções de fato padecem de uma "plastificação"
facilmente identificável nos seios e dentes grandes demais,
nas maçãs do rosto excessivamente ressaltadas e nos
famosos lábios hiperinflados. O público, em geral,
confrontado com metamorfoses ilimitadas, sente aquele friozinho
na espinha do tipo que provoca a pergunta recorrente quando os seres
humanos se metem em terras incógnitas: onde isso vai parar?
Fotos Pedro Rubens e álbum
de família
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"Fiquei
chocada quando vi na televisão
meu lábio suspenso, sangrando. Mas fiquei muito
mais linda."
TALLYTA
CARDOSO, 27 anos, 1,61
metro, 52 quilos
ATRIZ
O
QUE FEZ EM 2004: em
plena novela Metamorphoses,
da Record, colocou prótese de silicone nos seios
e levantou a ponta do nariz
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A resposta é: ninguém sabe. O
mais longe a que se chegou até agora foi outro programa do
gênero, I Want a Famous Face, criado pela MTV americana
e exibido atualmente pela brasileira, que acompanha candidatos a
se transformar em clones de seus ídolos, como os gêmeos
narigudos e cheios de espinhas que queriam "virar Brad Pitt" ou
a garota insossa que almejava "ser Kate Winslet". Não é
preciso ser nenhum especialista na psique humana para constatar
que não é nada saudável querer virar não
só outra pessoa mas uma pessoa que já existe,
e não tem nada de você, certo? A carioca Mirian Masteesouz,
dançarina de samba, 27 anos, pede licença para discordar.
Mirian é um exemplo incomum de emulação literal
de um ídolo, além de prova ambulante, e siliconada,
de que quem dispõe de dinheiro, saúde, tempo e disposição
psicológica pode realmente se transformar em outra pessoa.
Desde 1997, ela pôs na cabeça que queria ficar igual
a Scheila Carvalho, a bela morena que se tornou conhecida dançando
no grupo É o Tchan!. "Temos quase a mesma altura, medidas
e olhos verdes parecidos. Comecei a ver a Scheila como minha referência",
diz. Hoje, declarados 100.000 reais gastos
em cuidados estéticos, cabelo cortado, tingido e tratado
como o da musa, programa de exercícios igual ao dela, guarda-roupa
idem, Botox, lipoaspiração em sete lugares e duas
cirurgias para colocar próteses de mama, considera que quase
chegou lá. "Só falta serrar os dentes caninos."
Absurdo, insanidade, obsessão? "Não
tenho medo de perder minha essência. Adoro quando vou fazer
shows e o contratante me acha idêntica a Scheila Carvalho",
desafia Mirian. "Sou completamente feliz de ter Scheila como uma
referência em minha vida." A reação de Mirian
define o estado de enorme satisfação que, na maioria
esmagadora dos casos, acompanha aqueles que passam por transformações
radicais em virtude de cirurgias plásticas ou, mais freqüentemente,
dos obesos que emagrecem para valer. Depois de penar no gulag social
reservado aos excessivamente fora dos padrões estéticos,
os transformados desabrocham para uma nova vida. Maria Cláudia
Gondomar, publicitária carioca de 26 anos, perdeu 57 quilos
nos últimos dois anos (baixou de 120 para 63), graças
a um anel de silicone implantado no estômago. Fez lipoaspiração,
plástica no abdômen e nas coxas, para remover excessos
de pele, e nas mamas, para colocação de próteses.
Passou a fazer ginástica três horas por dia. "Fiquei
sarada, linda, irreconhecível", encanta-se. A mudança
foi tamanha que precisou fazer terapia para se acostumar à
nova Maria Cláudia. Hoje se sente admirada "não só
pela beleza física, mas também pela nova postura diante
da vida. Sou muito mais segura". A ginecologista gaúcha Jussara
Silberfarb, 48 anos, que baixou de 132 para 62 quilos em dois anos
graças a uma dieta de proteínas, também defende
ativamente o efeito transformador do bisturi. Além de reduzir
mamas e abdômen e fazer duas lipos, ela mudou de especialidade:
dedica-se agora à medicina estética e abriu um spa.
"Não fiz isso para os outros, nem buscando compensação
para nada. Pensei na minha saúde, na minha auto-estima, na
minha felicidade", diz.
Fotos Pedro Rubens e álbum
de família
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"Falavam
que eu parecia com a Scheila
Carvalho e comecei a vê-la como referência.
Ela era linda, queria ficar como ela. Agora, só
falta serrar os dentes caninos."
MIRIAN
MASTEESOUZ, 27 anos,
1,56 metro,
57 quilos
DANÇARINA DE SAMBA
O
QUE FEZ EM CINCO ANOS:
lipoaspiração de abdômen, cintura,
flancos, costas, culote e coxas, duas cirurgias de mama
para colocação de próteses e aplicação
de Botox no rosto
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Para a maioria dos médicos, a realização
de diversas cirurgias de correção estética
é receitada e incentivada em ex-obesos e aceita mesmo em
quem não vive os resultados de uma dieta radical. "Com o
aumento da segurança anestésica, a melhora dos medicamentos
e dos aparelhos e o crescimento do número de profissionais
bem treinados, a cirurgia plástica virou uma prestação
de serviço", diz o médico Ithamar Stocchero, presidente
da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica. É claro que não existem garantias
absolutas de segurança, o que de tempo em tempo é
demonstrado em casos como o de Marcus Menna, vocalista do grupo
LS Jack. No vigor de seus 27 anos, submetido a uma lipoaspiração
numa clínica carioca no começo do mês, o cantor
sofreu parada cardíaca e até sexta-feira passada estava
em coma induzido.
Episódios desafortunados desse tipo
interferem apenas incidentalmente no ânimo favorável
às intervenções estéticas. O Brasil
é o segundo país do mundo em número de cirurgias
plásticas: 400 000 em 2003, sendo metade delas puramente
estéticas (40% lipoaspiração, 30% mamas, 20%
face). Pesquisa realizada em junho pelo InterScience Informação
e Tecnologia Aplicada, instituto especializado em pesquisas de mercado
de São Paulo, mostrou que, entre 12 477 entrevistados, 90%
das mulheres e 65% dos homens sonham com mudanças no próprio
corpo. Elas querem modificar principalmente abdômen (28%)
e seios (20%). Eles querem ter mais cabelos (20%). Entre os 5% que
já tinham feito plástica, 90% pretendem fazer outra.
Entre os invictos, 30% declararam que vão criar coragem e
enfrentar o bisturi. "Antigamente, beleza era questão de
sorte: nascia-se bonito ou não. Agora, ela pode ser adquirida",
diz Cristiana Arcangeli, empresária do ramo de cosméticos
e autora do livro Beleza para a Vida Inteira.
A carioca Teresa Cristina Silva, 51 anos,
dona-de-casa, ainda se lembra vivamente de como sofreu para se adaptar
quando o marido foi transferido para São Paulo, há
oito anos. A tristeza passou com um remédio cada vez mais
universal: plástica. Teresa redescobriu o consultório
do cirurgião Paulo Müller, onde já havia feito
correção de nariz e redução de mamas,
para um lifting de rosto e pescoço. Aproveitou para ajeitar
os lábios e dar um retoque no nariz. Voltou neste ano para
pôr prótese de silicone nos seios e fazer lipo em várias
áreas de gordura localizada. "A plástica mexe mais
com a cabeça do que com o corpo da gente", acredita. "Programo
as plásticas, pago usando a economia que faço em outras
coisas, busco bons médicos e bons hospitais", ensina, do
alto de sua experiência. Seguindo a mesma trilha, a advogada
paulista Regina Mingorance Ribeiro, 43 anos, fez a primeira plástica
(redução de mamas) aos 27 anos e não parou
mais: mamas de novo, lipo e depois plástica no abdômen,
lipoescultura nas coxas, elevação da ponta do nariz,
correção de pálpebras, próteses de silicone
nos seios. Aí, fez regime ("Sei que está errado, mas
detesto exercício físico"), perdeu 14 quilos e pronto:
bisturi de novo, para retirar excessos de pele. "Não há
com o que se preocupar quando se faz tudo direitinho. Acho que volto
melhor de uma cirurgia do que de uma viagem ao exterior", garante
Regina. Entusiasta, convenceu o marido, Isaías, de 57 anos,
a se render ao bisturi: ele já reformou nariz, pescoço
e pálpebras.
Claudio Rossi
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Adriana Pittigliani/divulgação
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LUZES,
CÂMERA, BISTURI
Gravação de cirurgia
plástica real para a novela Metamorphoses: glamour
não elimina riscos; Menna (à direita) está
em coma depois de uma lipo |
Os efeitos benéficos da cirurgia estética
sobre a disposição de espírito são conhecidos
na prática e na teoria também. Marcos de Arruda
Alves, mestre em cirurgia plástica pela Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp), para sua dissertação
de mestrado acompanhou durante quinze meses 32 mulheres que fizeram
lifting no rosto e verificou seu grau de auto-estima em três
momentos. Numa escala em que o máximo era 100, as pacientes
aumentaram sua auto-estima de 78 antes da cirurgia para 93, seis
meses depois. "O lifting proporcionou a elas uma nova percepção
corporal, elevando o apreço por si mesmas", concluiu Alves.
Logo em seguida, no pódio das cirurgias mais gratificantes,
vem a plástica de mamas. "Para a mulher, peito é mais
importante que RG", afirma o cirurgião paulista Pedro Vital.
"É o órgão que atesta seu poder de sedução."
Entrar no hospital de busto tímido
e sair com seios orgulhosos é um dos efeitos transformadores
mais vistosos do arsenal de "milagres" da cirurgia plástica
é tão tentador que a maioria das mulheres não
resiste a pôr um pouco mais do que o recomendado em nome da
elegância de proporções e da leveza estética.
Não é de admirar que muitas pacientes sintam estar
vivendo a realização de um sonho. O mito da transformação
está entranhado nos fundamentos da cultura ocidental, desde
a órfã enjeitada que vira princesa a um toque de vara
de condão até a fábula recorrente do herói
que vive incógnito entre os comuns antes de assumir a sua
identidade de herdeiro real ou enviado divino. A mudança
de aparência e o desabrochar de uma beleza anteriormente oculta
muitas vezes simbolizam a real e importante transmutação,
a interior. Embora, reconheça-se, participantes e público
de programas como a novela Metamorphoses, o programa nacional
mais próximo dos reality shows de transformação
radical, não estejam exatamente interessados em evolução
espiritual.
A novela, exibida na Rede Record, mistura
ficção com cenas reais de cirurgias plásticas.
Já foram gravadas mais de sessenta intervenções.
Alguns dos operados, inclusive, ganharam cenas na obra de ficção
ou vice-versa. Tallyta Cardoso, 27 anos, atriz em busca de
celebridade, foi contratada para um papel e comentou que achava
seus seios pequenos. Ambos aumentaram. As cirurgias para colocação
das próteses, e mais uma levantadinha no nariz, foram exibidas
detalhe por detalhe na novela. Patrícia Nascimento, sommelière
de 28 anos, fez o mesmo comentário quando, no restaurante
em que trabalha, orientava a dona da produtora da novela, Arlette
Siaretta, na escolha de um vinho. Virou personagem, contracenou
com artistas do elenco e teve a cirurgia gravada. "Economizei uns
10.000 reais, quase o preço de
um carro", calcula Patrícia, que também fez lipoaspiração
na coxa.
Apesar dessa instigante mistura de realidade
e ficção, e do tema palpitante, embora apresentado
de maneira surreal, Metamorphoses é um fracasso absoluto
de público. Ao contrário, profissionalíssimos
e de uma precisão cirúrgica na escolha dos personagens,
os programas americanos dedicados ao tema da transformação,
desde roupas e cabelos até a decoração da casa,
são um sucesso. Queer Eye for the Straight Guy, uma
bizarra produção em que cinco gays dão um banho
civilizatório num hétero brucutu, foi uma das maiores
surpresas da televisão. Na mesma linha de Extreme Makeover,
nasceu The Swan (O Cisne), programa da Fox que promove
uma espécie de concurso de beleza artificial. As concorrentes
passam por todos os recursos estéticos existentes, mas sem
poder jamais se olhar no espelho. Cada episódio apresenta
duas candidatas; uma é eliminada e a ganhadora finalmente
pode contemplar sua nova imagem. A reação unânime
é: "Essa não sou eu". Seguida de lágrimas de
felicidade.
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Do
fim da fila para festa dia sim, dia não
Fotos álbum de família/Fabiano
Accorsi
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OUTRA
MULHER
Lucilia em 1997, o ano em
que decidiu mudar, e agora, 60 quilos mais magra
e infinitamente mais feliz: livros e palestras sobre
a experiência de virar uma pessoa diferente
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Lucilia
Diniz é a mãe de todas as transformações
radicais no Brasil. Sua saga virou exemplo, livro e
estilo de vida. Uma das donas do Grupo Pão de
Açúcar, ela guarda só na memória
a mulher que foi no passado, que chegou a pesar 120
quilos, infeliz e discriminada. Com infância e
adolescência de menina gorducha ("Quando comecei
a ir a boates, descobri que magras e bonitas entram
direto; gordas vão para o fim da fila"), três
casamentos, três filhos ("Parei de ir ao clube
porque as crianças iam brincar e eu ficava sozinha
num canto"), ela não ia mais ao cinema, porque
a cadeira era desconfortável. "Faltava disposição
para a vida sexual e para o dia-a-dia da casa. Não
conseguia nem ler um jornal", relata. O regime definitivo
que começou aos 40 anos mudou sua vida. Lucilia
usou todos os recursos: intensificou a terapia freudiana
que fazia desde sempre e buscou ajuda na espiritualidade:
"Fui do candomblé ao budismo para sair do fundo
do poço", relembra. De tênis, meia e camisola,
começou a caminhar numa esteira. O processo de
transformação durou três anos. À
medida que perdia quilos, ganhava músculos e
saía toda semana para comprar roupas novas, preocupava-se
com o futuro. "Que Lucilia estaria lá? Tive muito
medo do desconhecido", conta. Junto com os quilos, perdeu
pele e gordura: fez lipoaspiração no corpo
inteiro, colocou próteses de silicone nos seios
duas vezes, fez plástica de nariz e removeu excesso
de pele no abdômen e nas coxas. Também
recapeou os dentes. Usa cremes em profusão e,
para evitar rugas, pratica ginástica facial,
inclusive exercícios diários com um par
de halteres labiais (sim, existem). Quando, enfim, chegou
aos almejados 60 quilos, sentiu-se vencedora. Hoje,
aos 48 anos, enumera vitórias: quatro livros
publicados, três palestras por semana, uma linha
de produtos light, uma média de dezesseis festas
por mês e um namorado doze anos mais novo.
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"Cuido
do que conquistei e sou
uma pessoa muito mais confiante"
Ed Herrera/ABC
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Richard Cartwright/ABC
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UM
NOVO HOMEM
Drake antes e depois de
Extreme Makeover: sem crise, mesmo quando a
mulher achou que estava tendo caso com outro |
Dono
de uma floricultura na cidadezinha de Olathe, Estado
do Kansas, rosto
envelhecido e murcho, ar cansado, o americano John Drake,
58 anos, casado, dois filhos, pensava em dar uma levantada
na região dos olhos "a mais crítica"
e já havia consultado dois cirurgiões
plásticos quando o programa Extreme Makeover
entrou em sua vida. Diante da oportunidade de mudar
tudo o que achava errado na aparência, resolveu
se inscrever. Foi aceito e, no terceiro episódio,
apareceu outro homem, literalmente. Havia se submetido,
num prazo de oito semanas, a lifting no rosto e no pescoço,
remoção de bolsas sob os olhos, preenchimentos,
correção de orelhas de abano, três
tratamentos dentários, ginástica com personal
trainer, novas roupas e cabelo e até um cavanhaque
supostamente sofisticado que mantém porque "a
família não deixa tirar". Passado pouco
mais de um ano da metamorfose, continua felicíssimo.
"Levo uma vida mais saudável,
faço ginástica, corro
quase todos os dias. Cuido daquilo que conquistei. Sou
uma pessoa muito mais confiante", disse ele
a VEJA. Drake conta que a família
insistiu muito para que
participasse do programa:
"Eles diziam que eu parecia
muito mais velho do que era.
Minha mulher é nove anos mais
jovem. Meus filhos me chamavam de avô". Agora,
enfrenta a idade com outra
disposição: "Vou fazer 59
anos em outubro mas sinto como se estivesse chegando
aos 40". A experiência,
ressalva, exige um certo
equilíbrio. "É preciso saber explicar
muito bem ao médico o que se
quer mudar, para não ter as expectativas frustradas.
Também não
se deve fazer nada por pressão da sociedade,
ou para ficar parecido com outra pessoa", diz. Drake
não se arrepende
de nada nem jamais passou
perto de alguma crise de identidade nem quando
acordou à noite
e viu a seguinte cena: "Minha mulher me olhando, dizendo
'Não é possível,
não é meu marido! Estou tendo um caso!'"
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Os
limites da operação casada
É
cada vez mais comum que o paciente se submeta a mais
de um procedimento durante a mesma cirurgia plástica.
Mas as associações são limitadas
por vários fatores, entre eles:
CONDIÇÃO
FÍSICA: quem faz muito regime, por exemplo,
não se alimenta bem e não tem saúde
para grandes agressões
EXTENSÃO:
mexer em muitas partes do corpo do paciente leva o organismo
a reagir como se sofresse queimadura de grande extensão.
Mesmo a lipoaspiração, aceitável
em várias partes ao mesmo tempo, não deve
ultrapassar 40% da área e 7% do volume corpóreos
DOR
NA RECUPERAÇÃO: não é
recomendável fazer rosto e corpo ao mesmo tempo,
nem mais de uma intervenção no rosto,
nem costas e barriga, áreas de recuperação
sofrida
TEMPO:
por causa da quantidade de anestesia necessária
para sedar o paciente e do cansaço do médico,
o ideal é não passar de seis horas. Oito
é o limite final
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Com reportagem de Ricardo
Valladares, Bel Moherdaui,
Marlene Jaggi e Sandra Brasil
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