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Moda
Rainhas por um dia
Em fase nostálgica do passado imperial,
estilistas mostram em Paris que a realeza
passa, mas o sonho da alta-costura continua

Bel Moherdaui
Reuters
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AP
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| Vestidas para reinar: Maria Antonieta
rediviva por Lacroix (à esq.) e a mistura de Jessica
Rabbit e Elizabeth I na delirante criação de Galliano |
A temporada da alta-costura em Paris encolheu.
Pelo mais prosaico dos motivos falta de dinheiro ,
Versace, Ungaro e Givenchy cancelaram suas participações,
engrossando um cordão em que já se alinhavam nomes
legendários como Yves Saint Laurent, Lanvin, Thierry Mugler,
Balmain, Nina Ricci, Paco Rabanne e Louis Féraud. Antes prolongando-se
por quase uma semana, os desfiles foram reduzidos a apenas dois
dias e meio. Decadência? Fim de uma era? A crise faz suas
vítimas, sim, mas a alta-costura, o mais refinado exercício
da moda pelo prazer da moda, mostrou que tem boas reservas de fôlego.
Unidos por uma curiosa temática comum o mundo da alta
aristocracia, reavivado pela recente seqüência de casamentos
nas famílias reais européias , criadores como
John Galliano, da maison Dior, Karl Lagerfeld na Chanel e Christian
Lacroix produziram incríveis momentos de beleza. O mais arrebatado
deles, Galliano, o introdutor do desfile como espetáculo
artístico-circense, desta vez viajou pelo Império
Austro-Húngaro, indo de Sissi, a imperatriz, ao expressionista
Egon Schiele, famoso pelo erotismo. Com coroas e tiaras ebriamente
equilibradas em perucas emaranhadas, tremendo sobre sapatos plataforma
de 15 centímetros, as modelos desfilaram diante de uma platéia
embevecida trajes dignos, literalmente, de rainhas, com uma profusão
de peles, drapeados, bordados preciosos e até pinturas à
maneira dos afrescos do século XVII, com motivos de pássaros
ou reproduzindo detalhes dos tetos e tapetes de palácios
imperiais. Seguranças ajudavam as modelos a descer do salto
e de preciosidades como a desfilada por Michelle Alves um
fabuloso tomara-que-caia branco em formato de flor que a transformou
numa espécie de mistura de Jessica Rabbit com Elizabeth I.
Outra modelo brasileira, a bela Ana Beatriz Barros, fez pose de
dona do mundo, de vermelho-imperial, cetro e orbe em punho.
AP
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Reuters
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| A majestosa Ana Beatriz Barros,
de cetro, coroa e vermelho-imperial na extravagância da maison
Dior, e o modelo rainha-viúva da Chanel: donas do mundo |
No mesmo tom de extravagância, Christian
Lacroix demonstrou seu domínio sobre cada um dos fabulosos
detalhes que tornam a alta-costura um espetáculo único.
"Quis manter a energia e a simplicidade dos primeiros rascunhos,
do primeiro desenho de um vestido, que é inicialmente muito
gráfico", disse. O resultado não teve nada de simples:
justíssimos corseletes, saias e laços sobrepostos,
mangas bufantes e caudas pregueadas que pareciam saídas de
uma cerimônia de coroação. Na cabeça,
as modelos levavam perucas que lembravam nuvens de algodão-doce,
do tipo que Maria Antonieta certamente aprovaria. Até o normalmente
ajuizado Karl Lagerfeld, em sua eterna recriação dos
ícones da Chanel, teve arroubos imperiais adequados a seu
apelido Kaiser , como no vestido de rainha-viúva
de renda negra. Roupas feitas para fazer sonhar e ir direto
para o museu.
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