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Internet
Guerra contra o spam
Governos e empresas lutam contra
as gangues que entopem a internet
de e-mails indesejados

Marcelo Marthe
O americano Sterling McBride é um novo
tipo de detetive. Sua especialidade é o combate àquele
que talvez seja o maior flagelo da era digital: o spam, espécie
de mensagem que abarrota a caixa postal dos internautas. Ex-agente
federal que perseguia prisioneiros fugitivos, McBride integra uma
equipe contratada pela gigante da informática Microsoft para
investigar as gangues que espalham essa praga virtual. O spam cresce
a uma razão tão assustadora que especialistas prevêem
que ele poderá inviabilizar a comunicação na
rede num futuro não muito distante. Foi essa constatação
que levou a Microsoft, mantenedora do sistema gratuito de troca
de mensagens Hotmail, a entrar nessa guerra. Cinco anos atrás,
o spam respondia por uma fração ínfima do tráfego
de e-mails. Hoje, representa dois terços desse tráfego
800 bilhões de e-mails indesejáveis por ano
(veja
quadro). O Brasil é um dos paraísos
mundiais do spam. Segundo o The Spamhaus Project, associação
inglesa que luta contra essa atividade, o país ocupa a quinta
posição no ranking das nações mais afetadas.
O primeiro lugar cabe aos Estados Unidos e em seguida vêm
a China, a Coréia do Sul e Taiwan.
AP
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| Sean Dunaway: 92 milhões de e-mails
roubados |
Por trás de 90% dos envios de spam estão cerca de
200 gangues. As maiores delas disparam de 15 a 22 milhões
de e-mails por dia. Elas atuam simultaneamente em vários
países. Para confundir seus rastros, criadores de spam dos
Estados Unidos podem usar computadores da China, da Índia
ou do Brasil. Esses "empreendedores" faturam até 250.000
dólares por ano. O volume de mensagens que enviam é
tão alto, e os custos do negócio tão baixos,
que, mesmo que uma fração mínima de seus alvos
responda, algum lucro já está garantido. Alguns e-mails
acenam com a possibilidade de comprar remédios de venda controlada
sem receita, outros oferecem toda sorte de produtos ligados à
pornografia e tome ofertas de kits de "alongamento peniano".
Há também propostas de empréstimos duvidosos,
correntes financeiras e até fraudes grotescas, que fazem
o internauta acreditar que tem uma dívida ou um problema
com o cartão de crédito para arrancar-lhe algum dinheiro.
Os criadores de spam prosperaram aproveitando-se
do fato de que a prática de enviar e-mails para um número
indiscriminado de pessoas não era ilegal. Agora, governos
do mundo inteiro se mobilizam para mudar essa situação.
"O spam assumiu o caráter de crime organizado internacional,
e é assim que devemos encará-lo", diz o americano
John Mozena, porta-voz da Coalizão contra os E-mails Comerciais
Não Solicitados. No fim de 2003, os Estados Unidos promulgaram
uma legislação nessa área. No início
do mês, seu serviço de inteligência anunciou
que agirá em conjunto com o da Inglaterra e o da Austrália
para combater esse mal e convidou outros países a se juntar
ao esforço. Um fruto da nova filosofia de combate ao spam
nos Estados Unidos foi a prisão dias atrás, em Las
Vegas, do engenheiro Jason Smathers e do programador Sean Dunaway.
Smathers trabalhava no provedor de internet America Online (AOL).
Ele é acusado de vender uma lista com os endereços
eletrônicos de 92 milhões de usuários da AOL
para Dunaway, um criador de spam.
Não
é fácil proteger-se do spam, pois seus criadores não
param de encontrar formas de burlar os filtros e sistemas de segurança
(veja quadro ao lado). Como sabem que os endereços
de e-mail que utilizam não tardam a ir para as listas negras,
eles mudam de identidade o tempo todo. O mais assustador é
que podem usar o nome de internautas idôneos e manchar a reputação
deles. Funciona assim: eles enviam um e-mail que, uma vez aberto,
instala no computador alheio um programa capaz de disparar milhares
de mensagens indesejáveis em nome da vítima. Para
as empresas, o spam tem um custo altíssimo: de acordo com
a consultoria Basex, as companhias americanas perderam 20 bilhões
de dólares com o problema no ano passado. É o somatório
de gastos com sistemas de segurança, danos a servidores e
o tempo que os funcionários perdem para se livrar dessas
mensagens. Para o usuário comum da internet, o spam tornou-se
um fator de stress. Na Inglaterra, há inclusive uma expressão
e-mad para descrever o pânico das pessoas diante
de suas caixas postais entupidas de spam. Os brasileiros também
já dão sinais de que essas mensagens estão
passando dos limites. Numa recente enquete com seus usuários,
o site Yahoo! descobriu que 24% deles acham o spam mais irritante
que o trânsito das grandes cidades.
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