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Música
Ela
canta, e isso basta
A
americana Norah Jones desafia as
regras do mercado pop e torna-se
um fenômeno de vendas
Divulgação
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| Norah
Jones: apelo entre os trintões |
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Em apenas dois anos de carreira, a americana Norah Jones, de 25
anos, tornou-se um dos maiores fenômenos da música
mundial e isso sem recorrer a nenhum dos estratagemas que
outras estrelas consagraram. Norah não muda de imagem a cada
duas fotografias. Norah nunca produz factóides. Norah não
faz clipes ultraproduzidos. Nem mesmo os shows são seu forte:
ela não dança, e reconhece que sua presença
de palco é sofrível. Alguns detratores da moça
a apelidaram de Snorah um trocadilho com "snore", roncar
de sono em inglês. A única coisa que Norah Jones faz
é cantar. Ponto final. Isso bastou para que vendesse 20 milhões
de cópias dos dois discos que gravou até agora, Come
Away With Me e Feels Like Home (no Brasil, foram 200
000 cópias). Para efeito de comparação, a princesinha
do pop Britney Spears vendeu 26 milhões de discos ao redor
do mundo em cinco anos de estrada, com quatro CDs na bagagem.
Uma cantora que só canta, e ainda assim faz um sucesso enorme,
é algo intrigante no showbiz atual. Mas há explicações.
Antes
de mais nada, Norah tem uma voz bastante peculiar, rouca e aspirada,
que usa para dar vida a baladas com forte influência do country
e alguns elementos do jazz. Suas músicas são suaves,
jamais agridem. Além disso, ela tem uma característica
que a distingue de praticamente todas as outras musas do pop. Enquanto
essas cantoras projetam em geral a imagem de uma mulher liberada,
pronta para experimentar no sexo e mais afeita àquilo que
os adolescentes chamariam de "ficar", as músicas de Norah
exploram a intimidade seja nas letras, seja nas melodias.
Como disse a crítica Sasha Frere-Jones, num artigo para a
revista New Yorker, as canções de Come Away
With Me poderiam ser descritas como catorze representações
do romantismo de um primeiro encontro, enquanto Feels Like Home
é a trilha sonora daqueles que vão morar juntos.
Graças a esse estilo cálido, Norah Jones conquistou
o grosso de seu contingente de fãs não entre os adolescentes,
mas entre ouvintes que vão dos 25 aos 45 anos. Ela é,
essencialmente, uma cantora para trintões. E aí vem
outra parte da explicação de seu sucesso. Gente nessa
faixa etária não está muito inclinada a buscar
suas músicas na internet. Esse público continua fiel
ao CD daí os números de vendagem elevados.
Norah
Jones é filha de um relacionamento passageiro do citarista
Ravi Shankar e não gosta de falar sobre o pai. Nascida
em Nova York, ela passou a infância no Texas, capital do country.
Sua educação musical é acima da média,
e inclui a MPB (sua mãe morou no Brasil nos anos 70). "Lembro
muito de ouvir na infância o vozeirão de Maria Creuza",
diz Norah, que completa cantando (com sotaque, é claro):
"Eo sei que vô tchi amarrr...". Em 1999, a cantora retornou
a Nova York. Apresentou-se em bares e espalhou fitas demo pelas
gravadoras até ser descoberta por Arif Mardin, produtor que
já trabalhou com divas como Aretha Franklin e Dusty Springfield.
Com o sucesso, Norah começa a ter de driblar o escrutínio
sobre a sua vida privada. Recentemente, um tablóide americano
estampou na capa o apartamento (alugado) onde a cantora vive em
Nova York. Isso, afirma ela, a incomoda bem mais do que as críticas
sobre sua música. "Até minha mãe me chama de
Snorah. É claro que isso não me atinge", diz ela.
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