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Arte
Golpe
em família
O
artista plástico Siron Franco acusa
irmão e sobrinho de roubo e falsificação

Sérgio
Martins
Fernando Lemos/Strana
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Siron:
quadros que valem
até 200 000 reais |
Personagem constante dos cadernos culturais dos jornais, o artista
plástico Siron Franco migrou, à sua revelia, para
as páginas policiais. Na semana passada, a Delegacia Estadual
de Investigações Criminais de Goiás prendeu
Darci França Franco e Darci França Franco Júnior,
respectivamente irmão e sobrinho de Siron, sob a acusação
de furto e falsificação. A polícia goiana está
atrás de outros dois suspeitos, mas seus nomes são
mantidos em sigilo um deles seria outro sobrinho do artista.
Estima-se que eles tenham furtado mais de 200 peças de dois
ateliês do artista, em Goiânia e numa cidade vizinha,
entre quadros a óleo, guaches e cerâmicas. "Levaram
até um quadro chamado Figura no Pátio com Parte
do Meu Corpo, que havia dado de presente à minha filha",
diz Siron, um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira.
Seus quadros custam entre 50.000 e 200.000 reais e atraem colecionadores
inclusive do exterior. Ele também é respeitado pelas
obras de cunho social. Entre as mais famosas estão a série
Césio, inspirada no acidente com a cápsula
radioativa de césio 137 (ocorrido em Goiás, em 1987),
e o Monumento às Nações Indígenas,
que se tornou símbolo da comemoração dos 500
anos do descobrimento do Brasil.
Desde
dezembro de 2002 Siron desconfiava que seu ateliê vinha sendo
saqueado pelo irmão Darci, com quem não mantinha um
relacionamento amistoso. "Meu irmão responde a dezesseis
processos criminais em São Paulo e sua vida criminosa matou
a nossa mãe de desgosto", diz o artista. Apesar das desavenças,
Siron empregou o sobrinho como chofer, porque ele passava por dificuldades
financeiras. Darci e seu filho montaram, então, um esquema
para roubar obras e as repassar a colecionadores. Uma pintura, A
Carta, chegou a ser posta à venda numa galeria de arte
em Belo Horizonte. "O Siron me avisou que a pintura era roubada
e eu a devolvi a quem me ofereceu", diz o marchand mineiro Errol
Flynn. Segundo Flynn, a pessoa que se diz proprietária do
quadro é um professor da Universidade de Brasília
que mostrou um recibo da compra. A falsificação era
uma parte importante do esquema. Em junho do ano passado, Siron
deparou com imitações grosseiras de obras suas, assinadas
com seu nome. Elas estavam no consultório de uma dentista,
filha de uma ex-procuradora da República. Na ocasião,
ele acusou o irmão de ser o autor do crime, o que levou a
polícia goiana a investigar o caso. "Apuramos que muitas
cópias eram feitas por Darci e seu filho e vendidas a pessoas
que não tinham como perceber o golpe, pelo pouco conhecimento
de artes plásticas", diz o delegado Jerônimo Borges.
As cerâmicas, sobretudo, eram feitas com material de péssima
qualidade e com técnica primária. Darci França
Franco e o filho estão presos no Centro de Detenção
Provisória, em Goiás.
| Ateliê
saqueado |
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Siron
Franco estima que mais de 200 de suas obras tenham sido
roubadas, entre óleos, guaches e cerâmicas.
A polícia também descobriu falsificações,
mas ainda não tem números desse crime
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IMITAÇÃO
GROSSEIRA
Inquérito policial com duas versões da cerâmica
Madona: a falsificação foi feita em material de
má qualidade e com técnica primária |
TELA
RECUPERADA
Figura no Pátio com Parte do Meu Corpo:
quadro foi presente para a filha |
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