Edição 1849 . 14 de abril de 2004

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Bilhete premiado

A "superpobrinha" Cida vence
o Big Brother e confirma a cara
brasileira do programa


Roberta Salomone


Oscar Cabral
Cida, depois da vitória

Depois de 83 dias de confinamento, Cida, 21 anos, levou 69% dos votos na final do Big Brother Brasil. Tornou-se a primeira mulher a vencer o BBB. E é também a vencedora mais pobre das quatro edições do programa. Nem por isso sua vitória foi uma surpresa. Ao contrário, só veio confirmar uma tendência que se apresentou desde a primeira edição. Cada um dos ganhadores encarnou um traço de caráter considerado tipicamente nacional. Kléber Bambam representava a simplicidade desencucada. Rodrigo era um simpático caipira. Dhomini recorreu à malandragem de um Macunaíma. Mais que pela pobreza, Cida ganhou o público pela humildade. Na hora de escolher o ganhador do prêmio de 500 000 reais, o telespectador brasileiro é mais bonzinho do que o espectador americano de reality shows. Lá, os competidores mais calculistas costumam ser premiados.

Gecilda da Silva dos Santos nasceu em Mangaratiba, um pequeno município entre Rio de Janeiro e Angra dos Reis. Abandonou os estudos na 5ª série para trabalhar como babá. Nessa função, seu salário beirava o mínimo. Nos três meses anteriores ao BBB, estava vivendo com o lavador de carros Sebastião de Amorim, o "Fifa". O casal dividia uma cama de solteiro em um quarto estreito. Cida não pretende voltar para Fifa nem quer saber mais de Thiago, o outro finalista do programa, com quem trocou beijos televisionados. Parece que vai retornar ao ex-namorado Fred, que na noite da final estava esperando por ela na saída da casa. "Fiquei muito feliz de encontrá-lo. Pena que os seguranças do hotel em que a Globo me hospedou não deixaram ele ficar comigo", lamentou a vencedora. A fama instantânea de Cida deve durar ainda menos do que a dos outros vencedores do reality show, e por opção dela. Cida não tem ambições no showbiz. Seus planos para o prêmio incluem, muito modestamente, a compra de uma casa para a família, em Mangaratiba mesmo. E uma lipoaspiração.

A dupla de finalistas Cida e Thiago formava o time dos "superpobrinhos". Os dois entraram no programa por sorteio, recurso que não existia na edição anterior do BBB. A vitória de Cida e o segundo lugar de Thiago confirmam o acerto da novidade, que deu um tempero popular ao grupo selecionado a partir de uma bateria de testes e entrevistas. "Eu não teria selecionado Thiago para o programa", admite o diretor Boninho. O BBB atingiu uma audiência recorde – 48 pontos na média geral, 5 acima do melhor desempenho anterior. Esse sucesso fez com que a Globo confirmasse a realização de um novo BBB em janeiro de 2005. Com isso, a versão brasileira do Big Brother será a primeira no mundo a ter cinco edições. "A fórmula deu certo. Conseguimos dar uma cara brasileira ao programa", diz Boninho.

 
 
 
 
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