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Televisão
Bilhete
premiado
A
"superpobrinha" Cida vence
o Big Brother e confirma a cara
brasileira do programa

Roberta
Salomone
Oscar Cabral
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| Cida,
depois da vitória |
Depois
de 83 dias de confinamento, Cida, 21 anos, levou 69% dos votos na
final do Big Brother Brasil. Tornou-se a primeira mulher
a vencer o BBB. E é também a vencedora mais
pobre das quatro edições do programa. Nem por isso
sua vitória foi uma surpresa. Ao contrário, só
veio confirmar uma tendência que se apresentou desde a primeira
edição. Cada um dos ganhadores encarnou um traço
de caráter considerado tipicamente nacional. Kléber
Bambam representava a simplicidade desencucada. Rodrigo era um simpático
caipira. Dhomini recorreu à malandragem de um Macunaíma.
Mais que pela pobreza, Cida ganhou o público pela humildade.
Na hora de escolher o ganhador do prêmio de 500 000 reais,
o telespectador brasileiro é mais bonzinho do que o espectador
americano de reality shows. Lá, os competidores mais calculistas
costumam ser premiados.
Gecilda
da Silva dos Santos nasceu em Mangaratiba, um pequeno município
entre Rio de Janeiro e Angra dos Reis. Abandonou os estudos na 5ª
série para trabalhar como babá. Nessa função,
seu salário beirava o mínimo. Nos três meses
anteriores ao BBB, estava vivendo com o lavador de carros
Sebastião de Amorim, o "Fifa". O casal dividia uma cama de
solteiro em um quarto estreito. Cida não pretende voltar
para Fifa nem quer saber mais de Thiago, o outro finalista do programa,
com quem trocou beijos televisionados. Parece que vai retornar ao
ex-namorado Fred, que na noite da final estava esperando por ela
na saída da casa. "Fiquei muito feliz de encontrá-lo.
Pena que os seguranças do hotel em que a Globo me hospedou
não deixaram ele ficar comigo", lamentou a vencedora. A fama
instantânea de Cida deve durar ainda menos do que a dos outros
vencedores do reality show, e por opção dela. Cida
não tem ambições no showbiz. Seus planos para
o prêmio incluem, muito modestamente, a compra de uma casa
para a família, em Mangaratiba mesmo. E uma lipoaspiração.
A
dupla de finalistas Cida e Thiago formava o time dos "superpobrinhos".
Os dois entraram no programa por sorteio, recurso que não
existia na edição anterior do BBB. A vitória
de Cida e o segundo lugar de Thiago confirmam o acerto da novidade,
que deu um tempero popular ao grupo selecionado a partir de uma
bateria de testes e entrevistas. "Eu não teria selecionado
Thiago para o programa", admite o diretor Boninho. O BBB
atingiu uma audiência recorde 48 pontos na média
geral, 5 acima do melhor desempenho anterior. Esse sucesso fez com
que a Globo confirmasse a realização de um novo BBB
em janeiro de 2005. Com isso, a versão brasileira do Big
Brother será a primeira no mundo a ter cinco edições.
"A fórmula deu certo. Conseguimos dar uma cara brasileira
ao programa", diz Boninho.
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