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Televisão
A
matriz do riso
No
ar há 29 anos, o programa
Saturday Night Live é o maior
celeiro
de comediantes americanos e inspira
muita gente fora dos Estados Unidos

Marcelo
Marthe, de Nova York
Pense
no nome de um comediante que fez sucesso no cinema nas últimas
três décadas. Quem quer que seja, há uma chance
imensa de que ele já tenha integrado o elenco do humorístico
Saturday Night Live, uma das atrações de maior
longevidade da TV americana no ar há nada menos que
29 anos. Bill Murray, Eddie Murphy, Billy Crystal, Dan Aykroyd,
Martin Short, Mike Myers, Chris Rock, Adam Sandler todos
figuram entre os mais de cem humoristas que passaram pelo programa.
Um dos poucos que não integram a lista é Jim Carrey.
Mas ele tentou ser incluído nela e foi reprovado num
teste. Saturday Night Live não é apenas um
celeiro de comediantes. Quando surgiu, o programa representou um
sopro de renovação no humor feito na TV, ao introduzir
no gênero doses cavalares de anarquia e incorreção
política. Não é pequena sua influência
sobre o brasileiro Casseta & Planeta, por exemplo.
Com o tempo, ele passou a ser, mais que um mero humorístico,
uma referência cultural. Da vinheta de abertura ao deboche
com que trata a sociedade de seu país, o Saturday Night
Live é a cara de Nova York. Tão identificado com
a cidade quanto comer cachorro-quente no Central Park ou patinar
no gelo no Rockefeller Center onde, aliás, ficam os
estúdios da rede NBC em que a atração é
filmada.
A
maior marca do Saturday Night Live é o fato de que
se trata, como diz seu nome, de uma atração ao vivo.
Isso requer dos atores, evidentemente, muita técnica e talento
para o improviso. No último dia 3, VEJA acompanhou a filmagem
do programa. É um evento complexo, tocado por uma equipe
de 200 profissionais, que precisam promover trocas de cenário
e figurino em questão de segundos. Cada gravação
conta com uma platéia de cerca de 300 pessoas. Não
é fácil obter um convite: os da temporada de 2004
já estão praticamente esgotados. No ar a partir das
23h30, o Saturday Night Live é uma maratona com uma
hora e meia de duração (no Brasil, o programa só
está disponível numa versão compacta, exibida
pelo canal pago Sony).
O
humorístico segue uma fórmula imutável desde
que foi criado, em 1975. A cada semana, uma celebridade é
convidada a participar do programa. Entre os que lá estiveram
encontram-se os astros Ben Affleck e Tom Hanks, o ex-prefeito nova-iorquino
Rudolph Giuliani e o empresário Donald Trump. Outro atrativo
são as apresentações musicais, que só
incluem medalhões de Paul McCartney a Britney Spears.
Os esquetes giram em torno dos convidados e das notícias
do momento. Tornou-se célebre o programa em que Eddie Murphy
ensinou o cantor Stevie Wonder a fazer uma imitação
perfeita de... Stevie Wonder. Ou então aquele em que, no
auge do escândalo sexual envolvendo Bill Clinton e a estagiária
Monica Lewinsky, o ator Darrell Hammond interpretou o ex-presidente
num sonho e Monica em pessoa contracenou com ele.
Por
ser uma vitrine para o estrelato, a guerra de egos dentro do Saturday
Night Live pode ser feroz. O programa foi descrito como o pior
ambiente de trabalho do mundo, no livro Live From New York,
lançado em 2002. Bill Murray era visto como um mal-humorado
e protagonizou brigas que descambaram para a baixaria. Murphy é
lembrado como uma das piores prima-donas que passaram pelo elenco.
Os humoristas Mike Myers e Dana Carvey eram ótimos companheiros
de elenco, até que, em 1992, um quadro protagonizado pela
dupla deu origem ao filme O Mundo de Wayne. O sucesso subiu
à cabeça e azedou a amizade. A história
de Saturday Night Live ainda tem seu componente de morbidez.
Em 1982, o comediante John Belushi teve uma overdose, aos 33 anos.
Quinze anos depois, Chris Farley morreu pela mesma causa.
Divulgação NBC
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| Tina
Fey: primeira mulher como roteirista-chefe do Saturday Night
Live |
Embora contasse com uma estrela do porte de Gilda Radner, que viraria
uma espécie de "namoradinha da América", o Saturday
Night Live dos primeiros tempos era tido como a fina flor da
misoginia só os homens podiam brilhar. Hoje, é
diferente. Ao lado do humorista Jimmy Fallon, quem se destaca é
a atriz Tina Fey. Dona de uma verve chamuscante, ela se tornou a
primeira mulher a ocupar o posto de roteirista-chefe do programa.
Em dupla com Fallon, Tina comanda o impagável Weekend
Update, um noticiário de mentira. Nesse papel, ela dispara
farpas do tipo: "A cantora Madonna anunciou que em sua próxima
turnê fará uma coreografia com cenas de batalha, para
ilustrar a tragédia da guerra. Madonna também anunciou
que aparecerá no palco de biquíni, para ilustrar a
tragédia da passagem do tempo". A maldade é a argamassa
do Saturday Night Live.
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Eles
passaram por lá
O
Saturday Night Live teve em seu elenco mais de
100 humoristas, dos quais muitos se tornaram estrelas
do cinema
Paramount Pictures
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Eddie
Murphy: astro que mais lucrou depois de sair do
humorístico |
Divulgação/Universal
Studios
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Bill
Murray: sua participação no programa, nos anos 70,
lhe rendeu fama de mal-humorado |
Luiz Claudio Ribeiro/AP
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Billy
Crystal: nos anos 80, mesmo já consagrado, ele topou
participar de uma temporada |
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