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Tecnologia
O
ruído fica do lado de fora
Um
novo tipo de fone
de ouvido é capaz
de
bloquear sons
externos, como os
do trânsito
Fotos divulgação
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O
fone da Philips (à esq.) será vendido
no Brasil por 200 reais. O modelo da Sony sela o ouvido com
um plugue e silicone. Custa 150 dólares
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Afinal
inventaram o que faltava nestes tempos barulhentos: o fone de ouvido
que bloqueia os ruídos externos. Pode ser usado para ouvir
música com boa qualidade de som em meio à confusão
do trânsito ou para facilitar a noite de sono de quem vive
nas grandes cidades. Note-se que não se trata de garantir
o silêncio absoluto. Em potência máxima é
capaz de reduzir em 10 decibéis a barulheira externa. É
o suficiente para que a sensação auditiva seja a de
que a intensidade do ruído cai à metade. O aparelho
foi projetado para filtrar os ruídos contínuos e de
baixa freqüência, como o do motor de aviões, carros,
trens e o burburinho do escritório ou do trânsito.
Não bloqueia os sons de alta freqüência, como
a voz humana, campainhas ou latidos de cachorro. É uma vantagem,
pois livra o usuário dos ruídos mais irritantes sem
confiná-lo num isolamento acústico.
Os
primeiros modelos foram produzidos há quinze anos para ser
usados por pilotos de avião. O objetivo era amenizar o desconforto
sonoro dentro da cabine sem impedir que os pilotos ouvissem com
clareza as instruções dos controladores de vôo.
Custavam 1 000 dólares cada um. Os primeiros modelos comerciais
chegaram às lojas americanas e européias no fim da
década de 90. Hoje só nos Estados Unidos estão
à venda 44 modelos produzidos por dezoito empresas. Custam
entre 30 e 500 reais. No Brasil, um modelo da marca Coby custa 120
reais. A Philips pretende trazer o modelo HN050, atualmente vendido
na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda não decidiu quando
isso será feito. Deverá custar por volta de 200 reais.
Praticamente todos os fabricantes de equipamentos de som
como Aiwa, Panasonic e JVC têm modelos cujos preços
raramente ultrapassam 100 dólares.
Quase
todos têm design similar ao dos fones convencionais. A Sony
foi um pouco além. Deu a seus fones um formato anatômico
parecido com o dos tampões de espuma usados para abafar o
som em ambientes ruidosos. Feitos de silicone, os fones MDR-NC11
são produzidos em três tamanhos e se adaptam ao canal
do ouvido, vedando-o completamente. O resultado é um bloqueio
ainda maior do ruído externo. Custa 150 dólares. O
mais caro é o modelo E5c, da americana Shure, que também
oferece reprodução sonora de altíssima fidelidade.
O preço: 500 dólares. O mecanismo de bloqueio do som
segue um princípio da física: o de que uma onda pode
ser anulada por outra igual, emitida em sentido contrário.
O microfone instalado no fone capta o ruído externo e transmite
as informações para um microprocessador. Depois de
identificar sua intensidade, ele envia por meio de um alto-falante
uma onda sonora idêntica. Os fabricantes aconselham cuidado
ao usar o aparelho ao volante, andando de bicicleta ou mesmo caminhando.
Nesses casos, o bloqueio dos sons externos pode desviar a atenção
e provocar acidentes. Em algumas situações, há
barulhos que vêm para o bem.
Na
maioria das situações, é saudável livrar-se
da cacofonia estridente da vida moderna. Os estragos no aparelho
auditivo não são provocados apenas pela exposição
a sons intensos, como o de trios elétricos ou bandas de rock.
O ouvido humano tolera bem sons de até 50 decibéis,
o equivalente ao ruído de fundo em um escritório tranqüilo,
no qual as pessoas conversem em voz baixa. A partir dessa intensidade
o barulho incomoda. A exposição contínua a
ruídos com mais de 65 decibéis pode causar stress
e até depressão. Acima de 75 decibéis eles
podem provocar hipertensão. É um nível de barulho
que faz parte do nosso dia-a-dia. Uma campainha de telefone ou um
aspirador de pó pode chegar a 80 decibéis, um secador
de cabelo a 90. O ruído interno dentro de um trem de metrô
é de 95 decibéis. Sons a partir de 130 decibéis
equivalentes ao de uma turbina de avião a 100 metros
de distância podem causar danos permanentes à
audição. Os médicos recomendam que as exposições
a ruídos acima de 115 decibéis nunca ultrapassem sete
minutos por dia.
Pesquisas
feitas no Brasil mostram que 10% a 20% das pessoas que trabalham
por mais de dez anos em ambientes com ruídos acima de 85
decibéis têm perda auditiva. Os trabalhadores que mais
sofrem de distúrbios auditivos são os metalúrgicos
e os operários do setor de embalagem das fábricas,
áreas em que as máquinas estão em operação
contínua. Músicos também costumam sofrer de
perda de audição. Cerca de 30% dos que se apresentam
em bandas de rock ou trios elétricos têm sinais evidentes
de alteração auditiva após as apresentações.
Normalmente esse tipo de alteração regride com o tempo.
No caso de exposição contínua, o problema torna-se
irreversível. Até os que tocam em orquestra estão
sujeitos a problemas. Um levantamento realizado entre os músicos
da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo revelou
que 15% têm sinais de alteração auditiva. Para
todos eles, o fone de ouvido com supressão de ruídos
externos é uma novidade bem-vinda.
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