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Rio
de Janeiro
Câmeras,
ação!
O
show de novas versões para assassinato
no Rio expõe trapalhadas da polícia fluminense
O secretário
de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, inaugurou
em sua gestão uma nova modalidade de espetáculo televisivo:
o reality show da segurança pública. Nele, as cenas
de investigação de um crime são exibidas quase
em tempo real. A cada pista, um capítulo. A cada passo, uma
manchete. O episódio de maior audiência deu-se há
duas semanas. Foi no caso Zera Todd e Michelle Staheli, o casal
americano morto a pancadas enquanto dormia, em novembro passado,
em sua casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A captura do
suposto culpado, o caseiro Jossiel Conceição dos Santos,
20 anos, ganhou ares de superprodução. Garotinho e
sua equipe providenciaram uma entrevista coletiva com Jossiel, que
confessara o crime. O secretário, sob os holofotes, interrogou-o
pessoalmente e obteve nova confissão, desta vez pública.
A prisão foi executada pelos seguranças do condomínio
quando Jossiel tentava pular o muro de uma das casas. O que de mais
complexo a polícia do Rio de Janeiro fez foi providenciar
o helicóptero para que Jossiel fosse apresentado à
imprensa sem atrasos. Na semana passada, o caseiro promoveu um constrangedor
festival de novas versões, deixando a polícia fluminense
aturdida e sem ação.
A
entrada em cena de Jossiel trouxera alívio à angústia
de uma investigação que se arrastava desde novembro
do ano passado. A demora foi especialmente constrangedora porque
cada nova pista era anunciada como a ante-sala da elucidação
do caso. Quando não se tinha mais esperança de esclarecê-lo,
Jossiel apareceu. Câmeras nele! Não fica bem para um
ex-governador, que se prepara para sua segunda candidatura à
Presidência da República, ver posta em xeque sua eficiência
no cargo de secretário estadual de Segurança. Quando,
há um ano, ele se empenhou na tarefa de resolver a violência
que se instalou no Rio de Janeiro e assumiu a secretaria, viu-se
em sua atitude uma lição de ousadia política.
Aguarda-se o resultado da empreitada. De concreto, até agora,
só a lição de que o exibicionismo é
filho da simulação de competência.
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Os
erros do Sherlock Garotinho
Sob
o comando do secretário de Segurança Anthony
Garotinho, em quase cinco meses a polícia
fluminense andou às cegas no caso. Chegou a divulgar
dezesseis diferentes linhas de investigação
para o assassinato. Veja algumas das mancadas.
Praticamente todas as pessoas que mantinham relações
com o casal morto foram apontadas pela polícia
como suspeitas, da empregada e do motorista que trabalhavam
na casa à filha mais velha, de apenas 13 anos.
Nada ficou provado contra nenhuma delas.
A
hipótese de motivação profissional,
também levantada por Garotinho, nunca levou a
uma pista confiável.
As casas vizinhas à residência do casal
Staheli nunca foram revistadas. O caseiro Jossiel Conceição
dos Santos trabalhava em uma delas.
A
polícia também não fez buscas de
vestígios de sangue no lado externo da casa do
executivo assassinado. Jossiel disse ter lavado as mãos,
após o crime, em um tanque localizado nesta área.
Garotinho apresentou o suposto assassino confesso como
se estivesse em um show para as câmeras de televisão,
com direito a perguntas ao caseiro. No dia seguinte,
Jossiel disse que tinha sido apenas um cúmplice.
E Garotinho culpou a polícia pelo vexame.
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