Edição 1849 . 14 de abril de 2004

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Diogo Mainardi

Meus queridos leitores

"O capitão Ronaldo Santoro respondeu à minha
tentativa de desqualificar o programa nuclear
brasileiro. Assim
como o Washington Post, ele
acredita que o Brasil sabe enriquecer urânio.

Bobagem. A gente
só sabe enriquecer político ladrão"

Vik Muniz é um dos mais bem-sucedidos artistas plásticos brasileiros. Tempos atrás, em cartinha a VEJA, ele comparou minha coluna à imagem da Virgem Maria e o menino Jesus. Agradeço muito. Eu só gostaria de notar, Vik, que cartesiano é com "s".

Outro correspondente que merece uma resposta, mesmo que atrasada, é o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abpam). Ele defendeu a coragem e o patriotismo do ministro Aldo Rebelo, que apresentou um projeto de lei determinando o acréscimo de amido de mandioca ao pão francês. O presidente da Abpam garantiu que a mandioca é um "tubérculo de grande valor". E que o amido de mandioca é "um produto nobre, matéria-prima para a fabricação de papelão, tecidos e cosméticos". Peço desculpas aos associados da Abpam se eles se sentiram diminuídos. O propósito do meu artigo era apenas denunciar a jequice e a inaptidão dos mais altos representantes do governo Lula. Em nenhum momento pretendi sugerir que houvesse algo de errado em comer papelão, tecidos e cosméticos.

Adriano Diogo é secretário do Meio Ambiente de Marta Suplicy. Ele negou que a fonte do Ibirapuera, a principal obra da prefeitura petista, tenha sido instalada num lago cheio de coliformes fecais. Chamou-me de leviano. Assegurou que a balneabilidade do lago é "igual ou superior à de muitas praias do litoral brasileiro". E afirmou que a água do lago "não é potável apenas porque para isso seria necessário acrescentar cloro". Proponho o seguinte, Adriano Diogo: eu recolho um copo de água do lago, pingo duas gotinhas de cloro e você toma tudo num gole só.

Volnei Garrafa é o presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, indicado pelo ministro da Saúde, Humberto Costa. Ele não aprovou meu artigo sobre o aborto. Disse que "há tempo não se lia algo tão ruim sobre o assunto". Para ele, demonstrei "ignorância com relação ao tema". E despejei "fogo amigo sobre aqueles que lutam pela descriminalização do aborto no país". Em primeiro lugar, professor Garrafa, não sou seu amigo. Em segundo lugar, não defendi a descriminalização do aborto, e sim a legalização. Em terceiro lugar, é "descriminalização", não "discriminalização". Qual a classificação da Universidade de Brasília no último Provão?

Olívio Dutra escreveu-me que, quando era governador do Rio Grande do Sul, deu todo o apoio à abertura de uma CPI do jogo do bicho. Agora que é ministro, mudou de idéia, sendo contrário à CPI do bingo. O que mais surpreende nos petistas é que eles ainda não perceberam que, independentemente da CPI, o governo Lula acabou. Em junho de 2003, previ que Lula seria desmascarado em dois anos. Durou ainda menos. Na época, tracei um paralelo entre Lula e Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro italiano. Para impedir investigações contra suas empresas, Berlusconi sempre acusa o Ministério Público de ter motivações políticas. E uma de suas principais bandeiras é intensificar o controle externo sobre a Justiça.

O capitão-de-mar-e-guerra Ronaldo Santoro respondeu à minha tentativa de desqualificar o programa nuclear brasileiro. Assim como o Washington Post, ele acredita que o Brasil sabe enriquecer urânio. Bobagem. A gente só sabe enriquecer político ladrão.

 
 
 
 
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