Edição 1849 . 14 de abril de 2004

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Hey, Mr. Lingerie Man


Fotos AP
Adriana, de asas, e Dylan, de maquiagem: anúncio

Todo de preto, bigodinho fino, maquiagem carregada, o roqueiro Bob Dylan – aquele mesmo dos rebeldes e anticonsumistas anos hippies – fez sua estréia em comerciais. Depois de mais de quarenta anos de carreira protestando com seu violão, o cantor estrela uma campanha da rede americana Victoria's Secret em que a sensual baiana Adriana Lima desliza de calcinha, sutiã, salto alto e asas pelos meandros de Veneza. Na trilha sonora, a música Love Sick, lançada por ele em 1997 e carro-chefe de um CD com nove sucessos oferecido por 10 dólares no catálogo da grife. Os tempos, como ele mesmo canta, mudaram.

 

Atenção, puritanos: no Canadá pode

Janet Jackson, como se sabe, fez os Estados Unidos tremerem ao mostrar o seio (involuntariamente, ela jura) em horário nobre da televisão. A cantora Alanis Morissette foi mais longe: apresentadora do Juno Awards, o equivalente canadense do Grammy, ela cantou, despiu-se e, triunfante, exibiu mamilos e pêlos. Tudo de mentirinha, colado sobre um macacão cor da pele. Foi um protesto, disse, contra o puritanismo americano, que também a obrigou a remover um palavrão de uma de suas músicas. Alanis apareceu, sim, em toda a sua glória, na TV dos Estados Unidos. Mas de perfil.

 

Sobrevida para Yolanda

Mauro Frasson
Ana Paula em festa em Curitiba: franjinha e batom vermelho


Para envelhecer o elenco feminino sem adotar rugas falsas na minissérie Um Só Coração, a equipe de caracterização optou por algumas (poucas) mechas brancas e maquiagem pesada. No caso de Ana Paula Arosio, 28 anos, o truque não funcionou: com mais de 50 anos na trama, Yolanda Penteado parecia ter... bem, uns 28. Mas o visual da década de 50 conseguiu o prodígio de deixá-la ainda mais deslumbrante. Tanto que, minissérie encerrada, Ana Paula não "despiu o personagem", como dizem os atores. Ao contrário, aderiu ao batom vermelho, que nunca tinha usado, e ao coque. Viva Yolanda!

 


Ah, essas mensagens no celular...

Até que demorou para começarem a aparecer as gatas no armário de David Beckham, mas, quando desembestou, seguiu-se o roteiro clássico que envolve jogadores impetuosos e moças ambiciosas. O pivô é Rebecca Loos, 26 anos, espanhola, filha de diplomata holandês, louquinha para vender uma história picante aos jornais. Secretária para assuntos gerais de Beckham durante sua instalação, sem a mulher, Victoria, em Madri, Rebecca realmente fez de tudo, incluindo mensagens explícitas no celular (lembra alguém?). A espanhola dividiu os tablóides: para uns, é "louca por sexo com homens e mulheres"; para outros, "ama David e está arrasada". Os Beckham negaram tudo e foram esquiar nos Alpes. Enquanto isso, o Real Madrid...

 

Auto-ajuda na gôndola


Divulgação

Durante a maior parte da vida, Abilio Diniz, 67 anos, o dono da rede de supermercados Pão de Açúcar, foi, em sua própria descrição, "arrogante, prepotente, de pavio curtíssimo". Entre o fim de 1989 e o fim de 1992, viveu três episódios dramáticos: foi seqüestrado, brigou com toda a família e viu sua empresa à beira da falência. Diniz considera que saiu do sufoco uma nova pessoa, muito mais humilde, tolerante e preocupado com a qualidade de vida. Por acreditar que sua experiência pode ajudar outras pessoas a "evitar sofrimentos e ser mais felizes", escreveu o livro Caminhos e Escolhas, que chega às livrarias (e ao Pão de Açúcar) no dia 24. Alguns trechos:

"O seqüestro durou exatos sete dias. Não foi dos mais longos, mas foi terrível. Eu tinha certeza de que iria morrer, só não sabia como."

 "Eu era baixinho e gorducho (quando criança). Para espanto de muita gente que inveja os pouco mais de 6% de gordura da minha massa corporal, meu corpo tinha o formato de um barril. Eu era desajeitado e completamente inexpressivo."

"Talvez a característica mais marcante de um depressivo seja a total falta de prazer por tudo. Não dormia, como já contei. Eu precisava ser medicado. Passei a tomar um antidepressivo. Enfatizo que, em uma situação dessas, o medicamento, sob rigoroso controle, é de grande ajuda."

"Você pode estar surpreso de me ver falando tão abertamente da minha religiosidade. Pode imaginar-me um carola. Bem, se ser carola é não ter vergonha da própria fé e, ao contrário, orgulhar-se dela; se é procurar seguir os ensinamentos de Deus; se é, enfim, não falhar às visitas mensais à igreja de Santa Rita de Cássia todo dia 22, o dia dela, vá lá: sou um carola."

"Após anos de trabalho duro naquele Abilio fechado, tenso, certinho e chato que fui um dia, encontrei um caminho para sentir-me mais feliz com o mundo – e comigo mesmo."

 

Editado por Lizia Bydlowski.
Colaboraram Bel Moherdaui e Roberta Salomone

 
 
 
 
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