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Edição 1995

14 de fevereiro de 2007
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VEJA Recomenda

DVDS

Oz – A Primeira Temporada (Estados Unidos, 1997. Paramount) – Produzida pela HBO com aquele realismo que tornou a rede célebre, essa série é para quem tem estômago forte o bastante para conhecer por dentro uma versão muito próxima da vida em uma penitenciária de segurança máxima nos Estados Unidos – onde "segurança máxima" é um fato, e não apenas força de expressão. Na prisão de Oswald (daí o apelido "Oz"), criminosos das mais diversas estirpes são reunidos numa unidade experimental em que toda a privacidade é aniquilada. A intenção é reprimir de perto a violência, e assim propiciar a reabilitação dos presos. O resultado é outro: um acirramento quase insuportável das hostilidades. O elenco, na maioria desconhecido, é um primor de escalação. E a temporada, embora conte com apenas oito episódios, está na medida: em vez de diluir os enredos, concentra a tensão.

Divulgação
Coldplay: não é a salvação do rock, mas não causa danos


X & Y: Latin America Tour Edition,
Coldplay (EMI) – Para quem tem filhos adolescentes e não consegue entender o furor em torno dessa banda inglesa – cuja turnê brasileira teve os ingressos esgotados em menos de 48 horas –, esse DVD pode ser uma introdução oportuna ao assunto. Lançado exclusivamente no Brasil, ele traz os clipes de X & Y, terceiro disco do quarteto. Não há como não se deliciar com Talk, em que os músicos interpretam astronautas que topam com um robô traiçoeiro, ou The Hardest Part, em que fazem figuração num torneio de ginástica. O Coldplay recicla, com competência, elementos do rock progressivo, da música eletrônica e do pop inglês da década de 90. Não é a salvação do rock. Mas certamente causa menos danos aos tenros cérebros adolescentes do que Simple Plan, CPM22 ou qualquer banda do estilo emo.

 

LIVROS

 
Rafa Rivas/AFP
Auster: um livro para levantar dúvidas  

Viagens no Scriptorium, de Paul Auster (tradução de Beth Vieira; Companhia das Letras; 128 páginas; 33 reais) – Um homem idoso acorda em um quarto monitorado por uma câmera e um microfone ocultos. Ele parece sofrer de amnésia: conserva algumas recordações remotas da infância, mas não sabe se é um prisioneiro ou um hóspede naquele quarto, não conhece as pessoas que vêm visitá-lo (e que dizem conhecê-lo de longa data), não lembra o que fez no dia anterior. As únicas pistas para seu passado estão em uma pilha de fotos e num estranho relato ficcional – misto de faroeste e romance de espionagem – que ele encontra na escrivaninha. Em seu novo livro, Paul Auster mostra a ousadia que o consagrou como um dos grandes nomes da literatura americana contemporânea: essa é uma história para levantar dúvidas existenciais, e não para resolvê-las. Leia trecho.

As Vozes de Marrakech, de Elias Canetti (tradução de Samuel Titan Jr.; Cosac Naify; 112 páginas; 39 reais) – Consagrado por obras ambiciosas como o romance Auto-de-Fé e a análise da psicologia do fascismo de Massa e Poder, o escritor búlgaro Elias Canetti (1905-1994), Prêmio Nobel de 1981, revela aqui um estilo mais modesto e informal – mas não menos elegante. O livro reúne catorze crônicas sobre a visita que Canetti fez ao Marrocos, em 1954. Em algumas delas, Canetti se deixa levar pela sensação de "exotismo" do turista que visita uma terra muito diversa da sua. Mas a diferença cultural também suscita reflexões originais – com destaque para a crônica em que Canetti compara o ofício do escritor ocidental ao dos narradores orais das feiras de Marrakech. Leia trecho.

 

DISCO

 

Horst Tappe/Getty Images
Amy Winehouse: bela voz e homenagem aos hits da Motown  

Back to Black, Amy Winehouse (Universal) – Há quatro anos, quando lançou seu disco de estréia, a cantora inglesa Amy Winehouse foi classificada como um cruzamento artístico entre a rapper Lauryn Hill e a diva do jazz Billie Holiday – essa última, diga-se, não só pela voz excepcional, como também pelo comportamento de tendências autodestrutivas. Exageros à parte, o talento de Amy não pode ser ignorado. Back to Black, novo disco da cantora e compositora de 23 anos, é um trabalho inspirado na soul music, especialmente nos sucessos da gravadora Motown – na qual se deu o ápice da música negra americana. A faixa Tears Dry On Their Own, por exemplo, é uma homenagem explícita a Ain't No Mountain High Enough, hit de Marvin Gaye dos anos 60. Outro ponto alto do álbum é Rehab, em que Amy discorre sobre seus não poucos problemas com o álcool.

 

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