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Edição 1995

14 de fevereiro de 2007
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Cartas

 

"Há uma relação inquestionável entre corpo, mente, alma e espírito, independentemente da guerra ideológica entre a ciência e a religião."
Ana Cláudia Martins
Sorocaba, SP

 

Fé e ciência

Muitíssimo interessante o enfoque que VEJA tem dado à questão da fé em Deus ("Como a fé desempatou o jogo", 7 de fevereiro). A física quântica vem demonstrando que o estado de harmonia dos diversos componentes do universo só pode ser explicado por uma mente superior. A ciência quase sempre é uma verdade apenas momentânea. As causas de alguns fenômenos ainda são desconhecidas do homem. A humanidade, mais do que nunca, precisa de fé.
Luiz Adriano Prezia Carneiro
São Bernardo do Campo, SP

Fé em divindade é algo bem típico do brasileiro. Não poderia ser diferente num país onde a maioria da população não tem acesso a uma educação de qualidade que lhe possa esclarecer os mistérios da vida e do mundo. Se não consegue apegar-se ao conhecimento, apega-se às crenças. Até crise de aeroporto clama pela intervenção divina. Sébastien Faure (1858-1942) disse com muita propriedade: "As religiões são como pirilampos: só brilham na escuridão".
Edson Passold
Blumenau, SC

O dilema milenar acerca da suposta eficiência da fé foi tratado com maestria por VEJA, que demonstrou a interação entre a ciência e a religião. Sou estudante e em muitas aulas de biologia os professores ironizam a existência de Deus quando abordam o evolucionismo. Julgo condenável a posição deles, que deveriam ser neutros em suas colocações, principalmente quando se trata de jovens que estão em fase de formação de caráter e personalidade.
Marcela C. Zímolo Varasquim, 17 anos
Curitiba, PR

Assinante da revista VEJA há vários anos e presidente das mais de 3.000 igrejas da Casa da Bênção espalhadas por todo o território brasileiro, tive o imenso prazer de ler a reportagem especial. Todos os acontecimentos no globo terrestre, no passado, no presente e no futuro, foram previstos pelos profetas. Friso a importância da ciência, que tem sido uma bênção para o mundo, para tudo aquilo de que temos precisado e para o bem da sociedade.
Doriel de Oliveira
Brasília, DF

Como pastor evangélico, teólogo e professor de teologia sistemática, não poderia deixar de cumprimentá-los pela reportagem, que considero atual e relevante. Se houve um Big Bang, creio que foi a partir da afirmação de Deus: "Haja luz!" (Gênesis 11.3), o mesmo Deus que criou o homem conforme sua imagem e semelhança (Gênesis 1.26), dotado de capacidade espiritual e de senso religioso, reflexos dessa imagem e semelhança com o Criador.
Pastor Fernando Fernandes
Penápolis, SP

Professor de eletrônica, física e matemática, educado no catolicismo, tornei-me ateu aos 14 ou 15 anos por questionamentos íntimos sem respostas racionais na esfera religiosa. Aos 25, durante uma aula de atomística, ao explicar para alunos de 2º grau a estrutura do átomo, eu disse: "Ninguém nunca será capaz de ver um elétron. Mas podemos ver facilmente seus efeitos e seu trabalho maravilhoso (no caso particular, a eletricidade)". Lembro-me de que naquele instante eu percebi a incoerência do meu ateísmo.
Marco Aurélio de Carvalho
Poços de Caldas, MG

 

Centenário de Victor Civita

Certa vez li uma reportagem na revista Claudia em que a senhora Silvana Civita fora indagada se, depois de tudo o que passou junto ao marido, se considerava uma pessoa feliz. Ela então respondeu: "Sim, sou muito feliz. Tenho três filhos maravilhosos e um marido que não tem medo de nada". Essa para mim é uma frase forte, marcante e mostra tudo o que foi esse homem que faliu por três vezes e se reergueu por quatro. Não há como não admirar esse marco da história da imprensa brasileira, que nos deixou um exemplo de perseverança e a crença em um país melhor e culto ("O centenário de Victor Civita", Carta do Editor, 7 de fevereiro).
Jânio César de Quadros Silva
São Paulo, SP

Quero agradecer o trabalho do senhor Victor Civita e cumprimentar a sua família, que continua o seu trabalho. Para mim, ele fez toda a diferença. Neste ano tenho um projeto com uma instituição: montar uma pequena biblioteca numa escola pública. Lendo a Carta do Editor (7 de fevereiro), de Roberto Civita, senti que realmente o projeto vai ser importante para alguém.
Fatima Sandra da Fonseca Rosa
Guarulhos, SP

A maioria das publicações do Grupo Abril citadas na Carta do Editor fez parte da minha vida. O vinil de Tchaikovsky e o fascículo sobre Van Gogh, por exemplo. Além de Conhecer, da tradicional revista Quatro Rodas e do meu querido O Pato Donald. Felizmente, no transcorrer desses anos, a Abril não envelheceu.
Oscar Roberto Jr.
São Paulo, SP

Quando era pequena, meu pai sempre trazia O Pato Donald, para me incentivar a ler, além dos fascículos de Conhecer (que tenho até hoje). Já mocinha, era leitora assídua de Capricho e, quando meu filho caçula passou a se interessar por carros, assinamos Quatro Rodas. Por isso, fui tomada de forte emoção ao ler a Carta do Editor, que falava de algumas publicações lançadas por esse homem de visão que foi Victor Civita. Ele foi, sem sombra de dúvida, um grande incentivador para que os brasileiros gostassem de ler.
Kátia Azevêdo
Natal, RN

 

Roberto Abdenur

Apenas um adjetivo é suficiente para definir nossa política externa, e creio que o embaixador Abdenur (Amarelas, 7 de fevereiro) não o utilizou na entrevista por dever de ofício: ingênua. Ingênuos é o que somos, o que parecemos e como nos tratam. O viés, ao qual o embaixador se referiu, que pauta o Instituto Rio Branco hoje é um perigo para o país no longo prazo e, pior, perpetuará uma imagem fraca, manipulável, submissa a discursos e comercialmente incompetente.
Michel P. Polity
Osasco, SP

A entrevista com o embaixador Roberto Abdenur permite refletir, com base nas respostas contidas mas absolutamente corretas de um dos mais brilhantes diplomatas brasileiros, sobre nossa política externa e as relações internas no Itamaraty. O embaixador faz análise correta da liderança exercida pelo atual governo, revela respeito a seus superiores hierárquicos sem esconder a mágoa, que é grande, em face da qualidade de seu trabalho e do pouco reconhecimento do ministério, e atua, como sempre, em favor da justiça e da verdade.
José Antonio Carlos David Chagas
Rio Claro, SP

Abdenur teve a coragem de abrir para debate um assunto sobre o qual as pessoas evitam falar claramente – o nível de doutrinação ideológica que acontece em várias instituições no Brasil. Em algumas faculdades de universidades públicas, notadamente as que tratam das ciências humanas, formou-se um grupo ideológico hegemônico que expele ou põe de lado professores, mesmo os mais competentes, que não aderem e mesmo repudiam a militância ideológica, político-partidária, exercida por membros do grupo.
Ignez Martins Tollini
Ph.D. em educação pela Universidade de Londres
Brasília, DF

A política antiamericana do Itamaraty prejudica enormemente o turismo receptivo brasileiro por exigir visto dos turistas provenientes dos Estados Unidos em nome da reciprocidade, filosofia que nenhum país turístico adota. O resultado final é que o Brasil não recebe os turistas de lazer desse que é o maior mercado emissivo do mundo.
Pedro Fortes
Diretor de relações institucionais Associação Brasileira de Hotéis (ABIH)
Por e-mail

Oportuna a entrevista com o embaixador Roberto Abdenur, um dos mais competentes e éticos diplomatas, coisa hoje muito rara no serviço público brasileiro.
Ronaldo Chaer
Vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ)
Rio de Janeiro, RJ

 

Roberto Pompeu de Toledo

O ensaio de Roberto Pompeu de Toledo ("Triunfo da Mãe Joana", 7 de fevereiro) poderia ter como título "O circo-hospício do Planalto Central". Não estivesse a Câmara dos Deputados em um recinto fechado, bastaria jogar sobre ela uma lona estrelada para transformá-la num circo.
João Batista Bianchi
São Paulo, SP

Infelizmente, os péssimos modos dos nossos parlamentares, descritos de maneira brilhante por Roberto Pompeu de Toledo, não se limitam ao Congresso, mas estão presentes também nas salas de aula do primário à pós-graduação, nos seminários e até nas reuniões de negócios. Saber ouvir é uma questão de respeito à dignidade do interlocutor e isso deve ser aprendido na infância, tanto no lar como nas escolas.
Cloves Soares de Oliveira
Valinhos, SP

Exultei de prazer e de alegria quando li o magnífico ensaio de Roberto Pompeu de Toledo. Sempre achei deprimente o comportamento desrespeitoso dos nossos "parlamentares" no plenário. Mas o que esperar de pessoas cujo perfil foi tão bem exposto na pesquisa do Ibope divulgada por VEJA na edição anterior?
José Bello Salgado Neto
São Luís, MA

Fico estarrecida quando ligo no canal da Câmara e deparo com aquele triste espetáculo de descompromisso com o país, em que todos falam, gritam, usam o celular, enquanto os projetos para defender os interesses do sofrido povo ficam onde estão, no papel.
Crenilde Balbina Cláudio
Belo Horizonte, MG

 

Congresso Nacional

A eleição de Arlindo Chinaglia para presidente da Câmara dos Deputados foi recheada de promessas a outros parlamentares com um objetivo bem definido: anistiar José Dirceu. Com isso tudo, mais a votação do PAC e, provavelmente, a re-reeleição de Lula no script, esse roteiro já tem nome: mensalão 2, a revanche ("A nova cara velha do Parlamento", 7 de fevereiro).
Marcus de Medeiros Matsushita
Marília, SP

A legislatura que se encerrou foi mortalmente atingida pelo fisiologismo e construiu uma péssima imagem no campo da ética. Podemos dizer, sem medo de ser injustos, que deixou a corrupção como sua marca registrada. Para a nova legislatura, os congressistas escolheram Arlindo Chinaglia, o preferido de Severino Cavalcante e candidato dos sanguessugas e mensaleiros. Está eleito o presidente com a vocação certa para que nada mude.
João Pedro Rodrigues
Rio de Janeiro, RJ

 

Hugo Chávez

Para que os leitores da revista tenham uma visão abrangente da Lei Habilitante, que o submisso Congresso venezuelano deu ao ditador Hugo Chávez, e que foi tratada na reportagem "Poderes de ditador para Hugo Chávez" (7 de fevereiro), seria interessante que VEJA publicasse o quinto e último artigo da Ermächtigungsgesetz, que deu poderes totais a Hitler em 23 de março de 1933. "Artigo 5: Essa lei passará a vigorar no dia da sua proclamação. Ela expirará no dia 1º de abril de 1937 ou se o presente governo for substituído por outro." Como a história mostrou, a Lei Habilitante não foi revogada na data prevista e Hitler continuou com o seu totalitarismo, até que foi apeado do poder pelos aliados, em 1945. O mesmo acontecerá na Venezuela, quando a Lei Habilitante vencer, daqui a dezoito meses.
Humberto Viana Guimarães
Salvador, BA

 

Síndrome de Down

Há 21 anos funcionários do antigo Banespa fundaram a Associação de Pais Banespianos de Excepcionais (Apabex), com sede em São Paulo, mantenedora de diversos programas que visam à inclusão familiar e social de pessoas com necessidades especiais, tendo por lema o respeito à diversidade da natureza humana. Destaca-se na atuação da entidade o trabalho desenvolvido numa comunidade de residentes implantada em gleba rural localizada no município paulista de Vinhedo, dedicada ao acolhimento e à assistência de adultos (Down e outros), em decorrência da perda dos pais ou de outro fator que impossibilite sua convivência em família. A idéia do projeto surgiu justamente da preocupação relacionada ao ingresso na terceira idade por parte dos assistidos pela entidade e à morte dos pais ou responsáveis. Nas oficinas pré-profissionalizantes mantidas na sede paulistana e na comunidade de residentes de Vinhedo, jovens e adultos com necessidades especiais dão provas cotidianas do quanto são capazes de realizar, com competência, autenticidade, carinho, dedicação e simpatia. VEJA está de parabéns pela sensibilidade que deixou transparecer na reportagem "Down na terceira idade" (7 de fevereiro), tocando num tema que diz respeito não apenas às famílias que convivem com os especiais ingressados na terceira idade, mas também a toda a sociedade.
Ariovaldo Cavarzan
Diretor-presidente da Apabex
www.apabex.org.br
São Paulo, SP

A reportagem sobre a síndrome de Down fez-me lembrar de que quando criança eu brigava, xingava e enfrentava outras crianças e até adultos que zombavam de meu irmão, chamando-o de bobinho e retardado. Hoje ele está com 53 anos, muito bem-cuidado, saudável, convivendo feliz com nossos vizinhos, nossos amigos e a nossa comunidade.
Marlene Maria Weber Rubert
Palotina, PR

 

Guia

Ao ler a reportagem "O cinema do bebê" (Guia, 7 de fevereiro), senti a mesma alegria de quando me preparava para ser mãe. Tenho dois lindos filhos. Hoje o mais velho está com 19 anos e a mais nova com 16. O desejo de ser mãe novamente invade meu coração. A idade já exige mais cuidados, pois sei que os riscos são maiores. Fiquei muito emocionada durante a leitura da matéria. O rápido avanço da tecnologia e a ultra-sonografia em 4D me deram mais segurança, esperança e desejo de realizar o sonho.
Magali Vasconcelos Nunes
Belo Horizonte, MG

 

Veja essa

Lamentável a declaração do senhor presidente de que, para o azar dele, o filho está estagiando no tricampeão mundial São Paulo Futebol Clube (Veja essa, 7 de fevereiro). O azar é nosso de ter um presidente que se contenta com um crescimento de 2,9%.
Dalby de Camargo Júnior
São Paulo, SP

Sou são-paulino e, por intermédio de VEJA, fiquei sabendo que o filho do Lula está estagiando no São Paulo Futebol Clube. Nos meus 31 anos como torcedor do São Paulo, essa é a pior contratação do clube nos últimos 72!
Marco Trama
São Paulo, SP

 

Marinha

A respeito da reportagem "Marinheiros de água doce" (31 de janeiro), creio que a Armada paraguaia efetivamente não possui 3.600 oficiais em seus quadros. O mais correto é dizer que a Marinha do Paraguai possui em seus quadros 3.600 militares.
Raul Coelho Barreto Neto
Historiador naval
Salvador, BA

 

CORREÇÃO: Em 2006, a receita com o jogo nos cassinos de Las Vegas foi de 6,6 bilhões de dólares, como está registrado no gráfico da página 73, e não de reais, como informou a reportagem "A nova capital do jogo" (7 de fevereiro).

 

OS JOVENS E O ÁLCOOL



Na seção Cartas de 13 de dezembro último publicamos a correspondência da deputada estadual paulista Maria Lúcia Amary comentando a reportagem "Inimigo íntimo" (6 de dezembro), que falava do alcoolismo entre os jovens. "Vivemos em um país onde as leis funcionam quando a punição é rigorosa e cumprida à risca. Fiz um projeto de lei que fecha o estabelecimento que for pego vendendo bebidas alcoólicas para menores, e seus proprietários não poderão exercer o mesmo ramo de atividade pelo período de dez anos", dizia a deputada. Agora, o governador José Serra acaba de promulgar a lei, que estabelece em seu Artigo 1º: "Será cassada a eficácia da inscrição, no cadastro de contribuintes do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), dos bares, hotéis, restaurantes e similares que venderem bebidas alcoólicas a menores de idade ou forem flagrados consentindo ou comercializando drogas".

 

O TRABANT VIVE

VEJA recebeu de Berlim, Alemanha, simpática carta do leitor Holger Kahler. Ele se assina "um orgulhoso ex-dono de um Trabant" e admoesta a revista por ter escrito na Carta ao Leitor da edição de 31 de janeiro passado que seu ex-carro não tinha ré nem chave de ignição e poluía como dois ônibus urbanos. Holger diz que o Trabant tinha ré, chave ("vinha com um bonitinho chaveiro") e, embora poluidor, não empesteava os ares da forma descrita pela revista.

VEJA foi injusta com o Trabant?

Sim. Para dramatizar o atraso tecnológico da antiga Alemanha Oriental (comunista) em contraste com a vanguarda da Alemanha Ocidental (capitalista), o redator escolheu como representante de toda a linhagem Trabant seus primeiros modelos. Como quase todos os carros populares dos antigos países comunistas – o também alemão Zündapp é outro exemplo –, o Trabant foi adaptado de um triciclo. Assim, os primeiros a ser produzidos no fim dos anos 50 não possuíam chave de ignição nem marcha a ré. Depois ganharam melhorias e, pouco antes da queda do Muro de Berlim, passaram a usar até mesmo motor Volkswagen. Ainda existem 100 000 Trabant em circulação na Europa.

Ah... eles poluem mesmo como dois ônibus urbanos!

 

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