Guia
Tecnologia na idade certa

Monica Weinberg mweinberg@abril.com.br
Foi-se o tempo em
que eletrônicos eram objetos de desejo apenas dos adultos.
Nascidas em uma época em que internet sem fio e tocadores
de MP3 são um dado da realidade, as crianças,
hoje, querem ter seus próprios aparelhos cada vez mais
cedo.
Aos pais, sobram
dúvidas e ansiedade para decidir sobre o melhor momento
de ceder. Afinal, embora a tecnologia favoreça o aprendizado
e ajude a desenvolver uma série de habilidades, seu
uso na idade inadequada pode expor as crianças a riscos.
Um time de especialistas ouvidos por VEJA mostra que os perigos
vão de problemas auditivos ao contato com adultos mal-intencionados.
A seguir, eles apontam a idade mais apropriada para presentear
as crianças com celulares ou videogames e dão
dicas de como monitorar melhor as atividades nesses aparelhos.
VIDEOGAME
Fotos
Lailson Santos, Xico Buny
e Divulgação
 |
Idade recomendada: a partir de 4 anos
Comentário: antes disso, as crianças
não têm o desenvolvimento psicomotor necessário
para brincar, o que pode deixá-las frustradas e irritadas.
Daí em diante, se a atividade for moderada (até
uma hora por dia, para evitar o sedentarismo e lesões
por movimentos repetitivos), o videogame poderá desenvolver
habilidades como pensamento estratégico e coordenação
espacial
Dica dos especialistas:
é preciso prestar atenção à faixa
etária a que cada jogo se destina. A informação
aparece na embalagem. Dos atuais aparelhos, o Nintendo Wii
é o que conta com o maior número de jogos para
crianças entre 3 e 10 anos
CELULAR
Idade
recomendada: a partir de 13 anos
Comentário: seu uso exige uma maturidade que,
em geral, crianças mais novas não têm.
É necessário, por exemplo, controlar gastos,
saber onde utilizar o aparelho e compreender os riscos de
falar com pessoas desconhecidas. O celular também pode
ser um vínculo indesejado com os pais, justamente na
fase em que a criança precisa aprender a ficar sem
eles em ambientes como a escola ou a casa de amigos
Dica dos especialistas:
antes da adolescência, os pais podem querer dar um celular
aos filhos como medida extra de segurança. Nesses casos,
é melhor ter um aparelho para emprestar à criança
em situações específicas, como um passeio
com amigos no fim de semana
TOCADOR DE MP3
Idade
recomendada: a partir de
10 anos
Comentário: ouvir música em um volume
acima de 85 decibéis pode causar perdas irreversíveis
de audição. Como o volume máximo desses
aparelhos pode chegar a
120 decibéis, os especialistas desaconselham o uso
por crianças pequenas, especialmente antes dos 4 anos,
quando as células auditivas ainda estão em desenvolvimento.
A idade recomendada também considera que a criança
muito nova dificilmente se interessa por fazer uma seleção
particular de músicas e ouvi-las sozinha
Dica dos especialistas:
alguns modelos, como o iPod, já contam com dispositivos
que permitem aos pais definir o volume máximo do aparelho.
São os mais indicados
NOTEBOOK
Idade
recomendada: a partir de 12 anos
Comentário: antes dessa idade, o ideal é
que o computador seja compartilhado com outras pessoas da
família, em um ambiente comum da casa, como a sala
ou o escritório.
Isso garante maior controle sobre o tempo de uso e evita o
acesso à internet sem supervisão
Dica dos especialistas:
no computador pessoal da criança, os softwares que
controlam o acesso à internet são ainda mais
importantes. O Net Nanny (www.netnanny.com)
é considerado o mais completo. Ele impede a visita
a determinados sites ou conversas perigosas em programas de
bate-papo
CÂMERA FOTOGRÁFICA
Idade
recomendada: a partir de 4 anos
Comentário: como não traz nenhum risco
para o desenvolvimento infantil e ainda estimula a criatividade
e a destreza manual, a recomendação etária
considera apenas o desenvolvimento motor necessário
para que a criança seja capaz de capturar as imagens
que deseja.
O ideal, nesse caso, são as versões infantis
das câmeras mais resistentes e fáceis
de manusear
Dica dos especialistas:
é importante controlar o uso que a criança
faz das fotos. Sem o discernimento necessário, ela
pode colocar imagens na internet, o que é altamente
desaconselhável
|

|
INICIAÇÃO
SEGURA
O paulistano Gabriel
Hengler
da Silva, de 8 anos, com seus eletrônicos: por
enquanto, o celular não faz chamadas e o computador
fica na sala |
Especialistas
consultados: a psicóloga Ceres de Araujo (PUC-SP);
a neurocientista Elvira Souza Lima; o neuropediatra Mauro
Muszkat (Unifesp); Monica Vila (fundadora do site The Online
Mom); e a engenheira Roseli Lopes (da USP).