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Edição 2095

14 de janeiro de 2009
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Tecnologia na idade certa


Monica Weinberg mweinberg@abril.com.br

Foi-se o tempo em que eletrônicos eram objetos de desejo apenas dos adultos. Nascidas em uma época em que internet sem fio e tocadores de MP3 são um dado da realidade, as crianças, hoje, querem ter seus próprios aparelhos cada vez mais cedo.

Aos pais, sobram dúvidas e ansiedade para decidir sobre o melhor momento de ceder. Afinal, embora a tecnologia favoreça o aprendizado e ajude a desenvolver uma série de habilidades, seu uso na idade inadequada pode expor as crianças a riscos. Um time de especialistas ouvidos por VEJA mostra que os perigos vão de problemas auditivos ao contato com adultos mal-intencionados. A seguir, eles apontam a idade mais apropriada para presentear as crianças com celulares ou videogames e dão dicas de como monitorar melhor as atividades nesses aparelhos.

VIDEOGAME

Fotos Lailson Santos, Xico Buny
e Divulgação


Idade recomendada:
a partir de 4 anos
Comentário: antes disso, as crianças não têm o desenvolvimento psicomotor necessário para brincar, o que pode deixá-las frustradas e irritadas. Daí em diante, se a atividade for moderada (até uma hora por dia, para evitar o sedentarismo e lesões por movimentos repetitivos), o videogame poderá desenvolver habilidades como pensamento estratégico e coordenação espacial
Dica dos especialistas: é preciso prestar atenção à faixa etária a que cada jogo se destina. A informação aparece na embalagem. Dos atuais aparelhos, o Nintendo Wii é o que conta com o maior número de jogos para crianças entre 3 e 10 anos

 

CELULAR

Idade recomendada: a partir de 13 anos
Comentário: seu uso exige uma maturidade que, em geral, crianças mais novas não têm. É necessário, por exemplo, controlar gastos, saber onde utilizar o aparelho e compreender os riscos de falar com pessoas desconhecidas. O celular também pode ser um vínculo indesejado com os pais, justamente na fase em que a criança precisa aprender a ficar sem eles em ambientes como a escola ou a casa de amigos
Dica dos especialistas: antes da adolescência, os pais podem querer dar um celular aos filhos como medida extra de segurança. Nesses casos, é melhor ter um aparelho para emprestar à criança em situações específicas, como um passeio com amigos no fim de semana

 

TOCADOR DE MP3

Idade recomendada: a partir de
10 anos
Comentário: ouvir música em um volume acima de 85 decibéis pode causar perdas irreversíveis de audição. Como o volume máximo desses aparelhos pode chegar a
120 decibéis, os especialistas desaconselham o uso por crianças pequenas, especialmente antes dos 4 anos, quando as células auditivas ainda estão em desenvolvimento. A idade recomendada também considera que a criança muito nova dificilmente se interessa por fazer uma seleção particular de músicas e ouvi-las sozinha
Dica dos especialistas: alguns modelos, como o iPod, já contam com dispositivos que permitem aos pais definir o volume máximo do aparelho. São os mais indicados

 

NOTEBOOK

Idade recomendada: a partir de 12 anos
Comentário: antes dessa idade, o ideal é que o computador seja compartilhado com outras pessoas da família, em um ambiente comum da casa, como a sala ou o escritório.
Isso garante maior controle sobre o tempo de uso e evita o acesso à internet sem supervisão
Dica dos especialistas: no computador pessoal da criança, os softwares que controlam o acesso à internet são ainda mais importantes. O Net Nanny (www.netnanny.com) é considerado o mais completo. Ele impede a visita a determinados sites ou conversas perigosas em programas de bate-papo

 

CÂMERA FOTOGRÁFICA

Idade recomendada: a partir de 4 anos
Comentário: como não traz nenhum risco para o desenvolvimento infantil e ainda estimula a criatividade e a destreza manual, a recomendação etária considera apenas o desenvolvimento motor necessário para que a criança seja capaz de capturar as imagens que deseja.
O ideal, nesse caso, são as versões infantis das câmeras – mais resistentes e fáceis de manusear
Dica dos especialistas: é importante controlar o uso que a criança faz das fotos. Sem o discernimento necessário, ela pode colocar imagens na internet, o que é altamente desaconselhável

 

INICIAÇÃO SEGURA
O paulistano Gabriel Hengler
da Silva,
de 8 anos, com seus eletrônicos: por enquanto, o celular não faz chamadas e o computador fica na sala

 

Especialistas consultados: a psicóloga Ceres de Araujo (PUC-SP); a neurocientista Elvira Souza Lima; o neuropediatra Mauro Muszkat (Unifesp); Monica Vila (fundadora do site The Online Mom); e a engenheira Roseli Lopes (da USP).



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