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Edição 2095

14 de janeiro de 2009
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Elas já estão por aí, mais ou menos evidentes: as novidades do verão nosso de cada ano. Acompanhe aqui um pequeno apanhado das invenções em moda, bebida e jeito de ser que dão o tom da presente temporada de sol e mar (e crise econômica)

É céu, é sol, é mar e é hora (se a chuva deixar) de tomar as providências elementares da estação: encurtar e decotar a roupa, erguer os cabelos, encontrar o brinco perfeito, viajar, experimentar uma caipirinha diferente, achar uma forma de entrar em forma e usar aquela calça estranha que tem pela frente poucos meses de vida. Tudo com o jeito deste verão, que é muito diferente do verão passado (Ir à praia de shortinho? Coisa mais antiga!), porque é no calor que proliferam as mais esfuziantes invencionices sazonais. Um passeio por algumas delas:

Moda da recessão
Desde que sair de loja cara carregada de sacolas passou a ser descrito como crime contra a frugalidade exigida por tempos ruins na economia, a consumista declarada tornou-se uma mulher envergonhada. Para ela cunhou-se o termo "recessionista", que vem a ser uma fashionista em crise – a qual continua a comprar, só que em liquidações ou vendas reservadas. Isso tudo, claro, em latitudes distantes. Alguma possibilidade de que, se não a palavra, o comportamento chegue aqui? "Haverá uma retração natural do consumo. Mas não acho que sentiremos tanto, porque roupa e sapato são itens de prazer imediato", prega Natalie Klein, dona de uma loja de roupas de luxo em São Paulo.

Luciana Whitaker/Ag. Istoé

LÁ EMBAIXO
Mariana e sua única calça saruel, que ela define como roupa de "hippie da Daslu"

Expedição no Saara
Não há loja voltada para gente jovem e moderna que não tenha no momento ao menos uma versão, em geral várias, da calça saruel, aquela com um punhado de pano entre as pernas. Fica linda em beduínos, dervixes e garotas com corpo de modelo – caso de Mariana Weickert, que veste bem até sobras de tecido e, confessa, nem gosta tanto de saruel.  "A única que eu tenho ganhei depois que fiz um desfile no Recife. Uso mais pelo visual completo, que achei incrível", diz Mariana, que vê a adepta da calça como "uma espécie de hippie da Daslu".

Oscar Cabral

POR CIMA
Soltinho, como o de Júlia, curtinho, como os de Gabriella e Ana, bacana é ir à praia de macaquinho

Cheios de graça
O macaquinho, como se sabe, é um macacão curto – cada vez mais. No Rio de Janeiro, detentor da última (e da primeira também) palavra em matéria de modismos de verão, nem uma única garota de praia chega ou sai da mesma sem ele. "É prático e ao mesmo tempo sensual", diz Kátia Barros, coordenadora de estilo da Farm, que lançou doze versões do gracioso modelo nesta estação. As amigas Júlia Faria, Ana Elize Olivetti e Gabriella Troian aprovam. "É mais estiloso que um vestidinho", diz Ana. Parece incrível, considerando-se os tamanhos dos biquínis, mas Júlia invoca também uma espécie de segurança moral: "Você não corre risco quando bate um vento".

Adri Felden/Argosfoto

BOLA DA VEZ
Adriane e seu coque: um ninho de mechas e ar para dar volume

Arma antiaérea
Puxe todo o cabelo num rabo bem alto e prenda-o com um elástico de escritório, mas não do jeito convencional. "Ponha um grampo de cada lado do elástico, prenda o primeiro grampo, passe várias vezes em volta do rabo e prenda o segundo", ensina o cabeleireiro Daniel Hernandez. Ensina é modo de dizer, porque ninguém arma um coque portentoso do tipo Adriane Galisteu na própria cabeça. O ninho capilar leva algum recheio? Para quem tem cabelos suficientes, basta "soltar um pouco as mechas e pronto; é o ar entre elas que dá volume", diz Hernandez. Quem não tem, melhor nem tentar.

João Passos/Brasil Foto Press

A CARA DA HEBE
A apresentadora, em Dubai: "Meu hotel tinha colunas de ouro e um barco para me pegar na porta do quarto"

Destino: longe
Dubai, nos Emirados Árabes, é a meca do turismo de quem sonha em ir para um shopping contínuo (voos diários continuam partindo lotados do Brasil) e a apresentadora Hebe Camargo, sua fiel peregrina. "Meu hotel tinha colunas de ouro e dezesseis restaurantes. Todos os dias, um barco me pegava na porta do quarto para me levar ao saguão", descreve. No hotel a que se refere, o recém-inaugurado Atlantis, a diária é de 25 000 dólares (Hebe, claro, era convidada), o que põe no chinelo o mais conhecido Burj Al Arab, o primeiro sete-estrelas do mundo. Ambos podem ser destronados, em 2010, pelo Palazzo Versace, projeto que prevê uma praia com ar-condicionado sob a areia para os hóspedes não queimarem os pezinhos. No Brasil, quem pode vai a Corumbau, no extremo sul da Bahia: 15 quilômetros de praia deserta, água azul e areia branca, onde reinam três pousadas com diárias de 1 500 reais. Para chegar, são 25 minutos de monomotor ou helicóptero partindo de Porto Seguro.

Fotos divulgação

MINIPERUA
Para bebês de fino trato, o sapato de salto (molinho) criado por uma empresa americana. De preferência, de oncinha

Bebês de salto agulha
É absurdo, bizarro – e irresistível. Alguém duvida que está na hora de importar dos Estados Unidos a onda dos sapatos de saltinho para meninas bem pequenininhas? "Nosso objetivo é divertir. Os saltos são completamente molinhos, não machucam", diz Hayden Porter, uma das sócias da grife Heelarious (em inglês, mistura de hilário com salto). A invenção, para clientes que ainda não saem do colo e assim não correm riscos, é feita em oito modelos, mas todo mundo concorda que, já que estamos na esfera do surreal, o de oncinha tem mais apelo. No Brasil, só pela internet.

PEDRA DURA
O branco da ágata e o rosado do ouro criam o brinco perfeito para esta e muitas outras estações

Divulgação

Tesouro nacional
Pedra branca em contraste com a pele bronzeada, como não pensaram nisso antes? Os brincos do momento são de ágata branca. Abundante na Região Sul do Brasil, a pedra era uma espécie de prima pobre do grupo do quartzo, mas aparece em joias com uns preços... Para ressaltar, acabamentos em ouro rosa, que leva mais cobre na liga para ganhar o tom avermelhado. "Chega de pedras translúcidas, aquelas rosinhas transparentes. A moda pede cores fechadas, como o lápis-lazúli e a ágata branca, algo que remete aos anos 70", prega o joalheiro Jack Vartanian (diáfanas argolas a 7 700 reais). Alguém aí mencionou a palavra crise? A Tiffany, em São Paulo, só sentiu retração na venda de diamantes acima dos 100 000 reais. "São clientes que sentiram a crise não tanto no bolso, mas de maneira psicológica. Como só se fala nisso, recuaram um pouco, para observar o dia de amanhã", diz Patricia Assui, gerente-geral da joalheria no Brasil.

Pedro Rubens
SOFISTICADINHA
A versão atual da caipirinha tem frutas de diversas cores e texturas, mas não limão, misturadas a várias bebidas, menos cachaça

Drinques heterodoxos
Tudo, menos limão. Na busca incessante de novidades, os mestres dos coquetéis passaram a pôr, e a combinar, todo tipo de fruta na caipirinha: melancia, framboesa, kiwi, jaboticaba, lichia. Tem até caipirinha de fruta-do-conde. Batizam-se as frutas com uma variedade de líquidos que raramente inclui pinga: fora a velha vodca, saquê, rum, uísque. Adoça-se com adoçante, açúcar mascavo ou, nos casos de exotismo terminal, açúcar de pimenta (pimentas variadas moídas com açúcar no processador). "Até uns dez anos atrás, ninguém aceitava novidade. Hoje, a clientela tem a cabeça mais aberta", constata o premiado barman Derivan Ferreira, inventor do Mayfair – licor, vodca, vermute e flocos de ouro 21 quilates.

Oscar Cabral

LIBERDADE VIGIADA
As academias levam a ginástica para a praia. Fácil? Experimente correr na areia com paraquedas. Ou remar em canoa polinésia

Como os polinésios
Para competir com a febre das corridas, as academias de ginástica levam as aulas para o ar livre – ou outdoor, como dizem. Nada de novo? Pois pense em canoagem polinésia ou patinação em grupo. "A aula externa é um atrativo também para aquele aluno que malha por obrigação e não gosta do ambiente de academia", diz Guto Nascimento, professor da carioca A!Body Tech, cuja novidade é correr na areia com uma faixa elástica que o treinador puxa em sentido contrário. Mesmo longe da sede, os alunos recebem mimos: a academia paulistana Competition, por exemplo, oferece carrinhos com frutas e bebidas nos treinos, que acontecem em parques como o Ibirapuera e o Villa-Lobos.

Lailson Santos

VÁ DE BIKE
Inclusive para o trabalho, de terno e gravata, recomenda o francês Dufoure

Duas rodas e gravata
Gente que poderia andar de carro arfando na bicicleta parecia uma impossibilidade absoluta. Mas o trânsito infernal das grandes cidades foi mais forte do que a poluição e outros riscos. "O uso está aumentando principalmente nos trajetos de curta distância", diz José Lobo, do Grupo de Planejamento Cicloviário da prefeitura do Rio de Janeiro. À moda de Paris e outras cidades europeias, Rio e São Paulo começam a oferecer bicicletas para alugar em estações de metrô, mas o serviço ainda é incipiente. Ciclovia, praticamente não há (150 quilômetros no Rio, ridículos 34 em São Paulo), e o jeito é sobreviver – muitas vezes sem capacete, que nem é obrigatório – entre carros, ônibus, caminhões e motos. Mesmo assim, pedalar compensa, pela economia, pelo exercício e porque, convenhamos, pega muito bem em certas rodas. O francês Gregoire Dufoure, 33 anos, diretor financeiro em São Paulo, usa a sua para ir trabalhar – de terno e gravata. "O trajeto é curto, 3 quilômetros. Levo dez minutos e nem chego a suar. Se fosse de carro, demoraria o triplo do tempo", compara.

Junior Fernandes

HOMEM QUE É HOMEM
Depilação a cera quente: o modelo San sofre, mas faz. "Jogo futevôlei e não gosto da areia enroscando nos pelos", justifica

Nus sem pelo
Bonitos, malhados e despelados. Num lugar onde o traje universal é a bermuda, os cariocas são corajosos pioneiros da depilação masculina. Os pelos que mais removem à força são os da barba, vindo peito e barriga empatados em segundo lugar. Na Poko Pello, clínica de depilação exclusivamente masculina do Rio de Janeiro, 60% dos clientes são heterossexuais (método estatístico impressionista) e a grande maioria tem menos de 30 anos. Na Pelo Zero, que depila homens e mulheres, a frequência masculina, de menos de 5% em 2005, passou para 20%. "Jogo futevôlei, e não gosto da areia enroscando nos pelos", diz o modelo carioca Leo San, 25 anos, que remove os da perna, barriga e barba a cera quente uma vez por mês. "A maioria diz que faz porque a namorada pede. Mas o que eles querem mesmo é deixar os músculos mais aparentes", entrega Alessandra Jordão, sócia da Poko Pello. Quem não quer?



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