Estilo
Aproveite
enquanto dura
Elas já estão
por aí, mais ou menos evidentes: as novidades do verão nosso de
cada ano. Acompanhe aqui um pequeno apanhado das invenções em moda,
bebida e jeito de ser que dão o tom da presente temporada de sol e mar
(e crise econômica)
É céu,
é sol, é mar e é hora (se a chuva deixar) de tomar as providências
elementares da estação: encurtar e decotar a roupa, erguer os cabelos,
encontrar o brinco perfeito, viajar, experimentar uma caipirinha diferente, achar
uma forma de entrar em forma e usar aquela calça estranha que tem pela
frente poucos meses de vida. Tudo com o jeito deste verão, que é
muito diferente do verão passado (Ir à praia de shortinho? Coisa
mais antiga!), porque é no calor que proliferam as mais esfuziantes invencionices
sazonais. Um passeio por algumas delas:
Moda
da recessão
Desde que sair de
loja cara carregada de sacolas passou a ser descrito como crime contra a frugalidade
exigida por tempos ruins na economia, a consumista declarada tornou-se uma mulher
envergonhada. Para ela cunhou-se o termo "recessionista", que vem a
ser uma fashionista em crise a qual continua a comprar, só que em
liquidações ou vendas reservadas. Isso tudo, claro, em latitudes
distantes. Alguma possibilidade de que, se não a palavra, o comportamento
chegue aqui? "Haverá uma retração natural do consumo.
Mas não acho que sentiremos tanto, porque roupa e sapato são itens
de prazer imediato", prega Natalie Klein, dona de uma loja de roupas de luxo
em São Paulo.
Luciana
Whitaker/Ag. Istoé
 | LÁ
EMBAIXO Mariana e sua única calça
saruel, que ela define como roupa de "hippie da Daslu" |
Expedição
no Saara
Não há loja voltada para gente jovem e moderna que
não tenha no momento ao menos uma versão, em geral várias,
da calça saruel, aquela com um punhado de pano entre as pernas. Fica linda
em beduínos, dervixes e garotas com corpo de modelo caso de Mariana
Weickert, que veste bem até sobras de tecido e, confessa, nem gosta tanto
de saruel. "A única que eu tenho ganhei depois que fiz um desfile
no Recife. Uso mais pelo visual completo, que achei incrível", diz
Mariana, que vê a adepta da calça como "uma espécie de
hippie da Daslu".
Oscar
Cabral
 |
POR
CIMA Soltinho, como o de Júlia,
curtinho, como os de Gabriella e Ana, bacana é ir à praia de macaquinho |
Cheios
de graça
O macaquinho, como se sabe, é um macacão
curto cada vez mais. No Rio de Janeiro, detentor da última (e da
primeira também) palavra em matéria de modismos de verão,
nem uma única garota de praia chega ou sai da mesma sem ele. "É
prático e ao mesmo tempo sensual", diz Kátia Barros, coordenadora
de estilo da Farm, que lançou doze versões do gracioso modelo nesta
estação. As amigas Júlia Faria, Ana Elize Olivetti e Gabriella
Troian aprovam. "É mais estiloso que um vestidinho", diz Ana.
Parece incrível, considerando-se os tamanhos dos biquínis, mas Júlia
invoca também uma espécie de segurança moral: "Você
não corre risco quando bate um vento".
Adri
Felden/Argosfoto
 |
BOLA
DA VEZ Adriane e seu coque: um ninho
de mechas e ar para dar volume |
Arma
antiaérea
Puxe todo o cabelo num rabo bem alto e prenda-o com um
elástico de escritório, mas não do jeito convencional. "Ponha
um grampo de cada lado do elástico, prenda o primeiro grampo, passe várias
vezes em volta do rabo e prenda o segundo", ensina o cabeleireiro Daniel
Hernandez. Ensina é modo de dizer, porque ninguém arma um coque
portentoso do tipo Adriane Galisteu na própria cabeça. O ninho capilar
leva algum recheio? Para quem tem cabelos suficientes, basta "soltar um pouco
as mechas e pronto; é o ar entre elas que dá volume", diz Hernandez.
Quem não tem, melhor nem tentar.
João
Passos/Brasil Foto Press
 |
A
CARA DA HEBE A apresentadora, em Dubai:
"Meu hotel tinha colunas de ouro e um barco para me pegar na porta do quarto" |
Destino:
longe
Dubai, nos Emirados Árabes, é a meca do turismo de
quem sonha em ir para um shopping contínuo (voos diários continuam
partindo lotados do Brasil) e a apresentadora Hebe Camargo, sua fiel peregrina.
"Meu hotel tinha colunas de ouro e dezesseis restaurantes. Todos os dias,
um barco me pegava na porta do quarto para me levar ao saguão", descreve.
No hotel a que se refere, o recém-inaugurado Atlantis, a diária
é de 25 000 dólares (Hebe, claro, era convidada), o que põe
no chinelo o mais conhecido Burj Al Arab, o primeiro sete-estrelas do mundo. Ambos
podem ser destronados, em 2010, pelo Palazzo Versace, projeto que prevê
uma praia com ar-condicionado sob a areia para os hóspedes não queimarem
os pezinhos. No Brasil, quem pode vai a Corumbau, no extremo sul da Bahia: 15
quilômetros de praia deserta, água azul e areia branca, onde reinam
três pousadas com diárias de 1 500 reais. Para chegar, são
25 minutos de monomotor ou helicóptero partindo de Porto Seguro.
Fotos
divulgação
 | MINIPERUA
Para bebês de fino trato, o sapato de
salto (molinho) criado por uma empresa americana. De preferência, de oncinha |
Bebês
de salto agulha
É absurdo,
bizarro e irresistível. Alguém duvida que está na
hora de importar dos Estados Unidos a onda dos sapatos de saltinho para meninas
bem pequenininhas? "Nosso objetivo é divertir. Os saltos são
completamente molinhos, não machucam", diz Hayden Porter, uma das
sócias da grife Heelarious (em inglês, mistura de hilário
com salto). A invenção, para clientes que ainda não saem
do colo e assim não correm riscos, é feita em oito modelos, mas
todo mundo concorda que, já que estamos na esfera do surreal, o de oncinha
tem mais apelo. No Brasil, só pela internet.
PEDRA
DURA O branco da ágata e o rosado
do ouro criam o brinco perfeito para esta e muitas outras estações | Divulgação
 |
Tesouro
nacional
Pedra branca em contraste com a pele bronzeada, como não
pensaram nisso antes? Os brincos do momento são de ágata branca.
Abundante na Região Sul do Brasil, a pedra era uma espécie de prima
pobre do grupo do quartzo, mas aparece em joias com uns preços... Para
ressaltar, acabamentos em ouro rosa, que leva mais cobre na liga para ganhar o
tom avermelhado. "Chega de pedras translúcidas, aquelas rosinhas transparentes.
A moda pede cores fechadas, como o lápis-lazúli e a ágata
branca, algo que remete aos anos 70", prega o joalheiro Jack Vartanian (diáfanas
argolas a 7 700 reais). Alguém aí mencionou a palavra crise? A Tiffany,
em São Paulo, só sentiu retração na venda de diamantes
acima dos 100 000 reais. "São clientes que sentiram a crise não
tanto no bolso, mas de maneira psicológica. Como só se fala nisso,
recuaram um pouco, para observar o dia de amanhã", diz Patricia Assui,
gerente-geral da joalheria no Brasil.
Pedro
Rubens
 | SOFISTICADINHA
A versão atual da caipirinha tem frutas de diversas cores e texturas, mas
não limão, misturadas a várias bebidas, menos cachaça |
Drinques
heterodoxos
Tudo, menos limão. Na
busca incessante de novidades, os mestres dos coquetéis passaram a pôr,
e a combinar, todo tipo de fruta na caipirinha: melancia, framboesa, kiwi, jaboticaba,
lichia. Tem até caipirinha de fruta-do-conde. Batizam-se as frutas com
uma variedade de líquidos que raramente inclui pinga: fora a velha vodca,
saquê, rum, uísque. Adoça-se com adoçante, açúcar
mascavo ou, nos casos de exotismo terminal, açúcar de pimenta (pimentas
variadas moídas com açúcar no processador). "Até
uns dez anos atrás, ninguém aceitava novidade. Hoje, a clientela
tem a cabeça mais aberta", constata o premiado barman Derivan Ferreira,
inventor do Mayfair licor, vodca, vermute e flocos de ouro 21 quilates.
Oscar
Cabral
 |
LIBERDADE
VIGIADA As academias levam a ginástica
para a praia. Fácil? Experimente correr na areia com paraquedas. Ou remar
em canoa polinésia |
Como
os polinésios
Para competir com a febre das corridas, as academias
de ginástica levam as aulas para o ar livre ou outdoor, como dizem.
Nada de novo? Pois pense em canoagem polinésia ou patinação
em grupo. "A aula externa é um atrativo também para aquele
aluno que malha por obrigação e não gosta do ambiente de
academia", diz Guto Nascimento, professor da carioca A!Body Tech, cuja novidade
é correr na areia com uma faixa elástica que o treinador puxa em
sentido contrário. Mesmo longe da sede, os alunos recebem mimos: a academia
paulistana Competition, por exemplo, oferece carrinhos com frutas e bebidas nos
treinos, que acontecem em parques como o Ibirapuera e o Villa-Lobos.
Lailson
Santos
 | VÁ
DE BIKE Inclusive para o trabalho, de
terno e gravata, recomenda o francês Dufoure |
Duas
rodas e gravata
Gente que poderia andar
de carro arfando na bicicleta parecia uma impossibilidade absoluta. Mas o trânsito
infernal das grandes cidades foi mais forte do que a poluição e
outros riscos. "O uso está aumentando principalmente nos trajetos
de curta distância", diz José Lobo, do Grupo de Planejamento
Cicloviário da prefeitura do Rio de Janeiro. À moda de Paris e outras
cidades europeias, Rio e São Paulo começam a oferecer bicicletas
para alugar em estações de metrô, mas o serviço ainda
é incipiente. Ciclovia, praticamente não há (150 quilômetros
no Rio, ridículos 34 em São Paulo), e o jeito é sobreviver
muitas vezes sem capacete, que nem é obrigatório entre
carros, ônibus, caminhões e motos. Mesmo assim, pedalar compensa,
pela economia, pelo exercício e porque, convenhamos, pega muito bem em
certas rodas. O francês Gregoire Dufoure, 33 anos, diretor financeiro em
São Paulo, usa a sua para ir trabalhar de terno e gravata. "O
trajeto é curto, 3 quilômetros. Levo dez minutos e nem chego a suar.
Se fosse de carro, demoraria o triplo do tempo", compara.
Junior
Fernandes
 |
HOMEM
QUE É HOMEM Depilação
a cera quente: o modelo San sofre, mas faz. "Jogo futevôlei e não
gosto da areia enroscando nos pelos", justifica |
Nus
sem pelo
Bonitos, malhados e despelados.
Num lugar onde o traje universal é a bermuda, os cariocas são corajosos
pioneiros da depilação masculina. Os pelos que mais removem à
força são os da barba, vindo peito e barriga empatados em segundo
lugar. Na Poko Pello, clínica de depilação exclusivamente
masculina do Rio de Janeiro, 60% dos clientes são heterossexuais (método
estatístico impressionista) e a grande maioria tem menos de 30 anos. Na
Pelo Zero, que depila homens e mulheres, a frequência masculina, de menos
de 5% em 2005, passou para 20%. "Jogo futevôlei, e não gosto
da areia enroscando nos pelos", diz o modelo carioca Leo San, 25 anos, que
remove os da perna, barriga e barba a cera quente uma vez por mês. "A
maioria diz que faz porque a namorada pede. Mas o que eles querem mesmo é
deixar os músculos mais aparentes", entrega Alessandra Jordão,
sócia da Poko Pello. Quem não quer?