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Edição 2095

14 de janeiro de 2009
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Crime
Águas perigosas

Morte de turista alemão atropelado por barco
em Parati expõe perigo recorrente nas praias


Roberta de Abreu Lima

Reprodução

Vida perdida
O vinicultor Christian Wölffer, de 70 anos: atingido pelas hélices de um barco
num braço de mar

Era a primeira vez que o alemão Christian Wölffer, de 70 anos, visitava Parati, no litoral sul do Rio de Janeiro. Proprietário de uma vinícola em Hamptons, no estado de Nova York, onde morava, Wölffer já viera várias vezes ao Brasil. A convite do amigo Luiz Osvaldo Pastore, empresário de São Paulo, foi comemorar o réveillon em Saco do Mamanguá, um braço de mar que avança 8 quilômetros terra adentro. No início da tarde do dia 31, Wölffer saiu para nadar e pouco depois foram ouvidos seus gritos por socorro. Resgatado pelo ator Rodrigo Hilbert e por sua mulher, a apresentadora Fernanda Lima, também hóspedes de Pastore, ele teve as costas dilaceradas por cortes profundos e morreu de hemorragia interna a caminho do hospital. A polícia acredita que os ferimentos foram causados pelas hélices do motor de uma embarcação, ainda não identificada.

Esse tipo de acidente é comum nas praias brasileiras, principalmente no verão. Só nos meses de janeiro, fevereiro e dezembro de 2008 foram registrados doze acidentes envolvendo lanchas, jet skis e outros barcos utilizados para recreação, apenas no estado do Rio de Janeiro. Quando foi resgatado, Wölffer estava a 150 metros da praia. A lei determina que embarcações motorizadas se mantenham a uma distância mínima de 200 metros da areia. A regra raramente é obedecida. A Capitania dos Portos, encarregada da fiscalização, dispõe de apenas um barco para cada 2 500 embarcações no estado do Rio de Janeiro. "A certeza da impunidade leva à imprudência dos condutores", diz o velejador Lars Grael. Dez anos atrás, ele teve a perna direita amputada por uma lancha que invadiu o local de uma competição de veleiros, no Espírito Santo. Segundo ele, "os banhistas, surfistas, canoístas e velejadores não se sentem seguros nas águas brasileiras".

A fiscalização deficiente facilita o aluguel de lanchas e jet skis a pessoas sem habilitação e o consumo de bebidas alcoólicas dentro do barco. Wölffer tinha negócios em vários países e era descrito pelos amigos como alguém de bem com a vida. Exímio nadador, jogava tênis, viajava bastante, falava seis idiomas e era apaixonado por cavalos, vinhos e mulheres. Deixa quatro filhos, de dois casamentos, e sete netos. Sua vida foi ceifada por uma combinação de descaso oficial e estupidez na condução de um barco. Uma tragédia que poderia ter sido evitada.

 

 
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Foto Chico Porto/JC


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