BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
REVISTAS
VEJA
Edição 2095

14 de janeiro de 2009
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Lya Luft
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da Semana
Holofote
Datas
SobeDesce
Conversa
Números
Radar
Veja Essa
 

Internacional
Cada presidente
tem o que merece

Nenhum dos cinco senhores da foto abaixo passou
pela Casa Branca sem se tisnar em algum escândalo
de corrupção. O problema de Obama é que ele já
andou tropeçando antes da posse


André Petry, de Nova York

J. Scott Applewhite/AP

FILA DOS SORRIDENTES
Bush pai, Obama, Bush filho, Bill Clinton e Jimmy Carter, em almoço na Casa Branca,
na semana passada

Cada presidente tem o escândalo de corrupção que merece. Uns aparecem eles mesmos enrolados em maracutaias e outros amargam as consequências do envolvimento de auxiliares, familiares, amigos ou aliados. Na foto ao lado, aparecem cinco presidentes dos Estados Unidos – três ex, o atual e o futuro – e todos já passaram por isso. Inclusive o futuro. Barack Obama, cuja posse acontece na semana que vem, bateu o recorde de rapidez para montar seu governo e, agora, está batendo o recorde para desmontá-lo. Seu ex-futuro ministro do Comércio, o governador do Novo México, Bill Richardson, renunciou à indicação ao cargo por suspeita de beneficiar um doador de campanha. A renúncia traz um sinal desorientador – pode ser excelente ou pode ser péssimo. Será excelente se representar o início de uma política de tolerância zero de Obama com a corrupção, mas será péssimo se significar apenas que há corruptos demais em torno do presidente eleito.

Na sua fulminante trajetória do anonimato à Casa Branca, Obama andou tropeçando em alguns monturos de enxofre. O pior foi sua proximidade com um colecionador de picaretagens de Chicago, Antoin Rezko, um milionário sírio que juntou dinheiro para a campanha anterior de Obama e ajudou-o a comprar a mansão de seus sonhos. Rezko foi condenando em dezesseis acusações de corrupção, mas nada se provou contra Obama, além de que lhe falta talento para escolher suas companhias. Depois, apareceu o caso do governador de Illinois, Rod Blagojevich, aliado de Obama. Ele foi pilhado achacando meio mundo e tentando vender a cadeira vaga de Obama no Senado. Na semana passada, finalmente, Blago, como é chamado, teve seu mandato cassado pela Assembleia de Illinois. Antes, os senadores já haviam tentado barrar a entrada no Senado de Roland Burris, o escolhido por Blago para suceder a Obama. Desconfiavam, claro, que Burris pudesse ter comprado a cadeira. O boicote funcionou só um dia. No outro, Burris entrou no prédio pela porta da frente e tomou posse. Sorridente, disse aos que testemunhavam seu juramento: "Não é fantástico?".

Lauren Victoria Burke/AP
O PENETRA
Roland Burris, nomeado para o Senado pelo governador agora
afastado do cargo, acabou tomando posse: "Não é fantástico?"

Agora, apareceu Bill Richardson, o político latino – sua mãe é mexicana – mais festejado dos Estados Unidos. O FBI investiga se, como governador, Richardson favoreceu um doador de campanha contemplando-o com dois contratos de consultoria, no valor total de 1,4 milhão de dólares. Ele garante que não fez nada de errado e diz que renunciou para não atrapalhar o novo governo, já que sua nomeação poderia empacar no Congresso por semanas ou meses. Além desses casos, Obama aproximou-se de outro campo minado quando indicou Hillary Clinton para secretária de Estado. Antes, teve o cuidado de exigir que o marido da secretária, o ex-presidente Bill Clinton, hoje um filantropo, consultor e palestrante que fatura milhões de dólares mundo afora, fizesse algumas concessões. Entre elas, submeter suas futuras atividades ao crivo ético do governo e revelar a identidade das 200 000 pessoas que doaram dinheiro à sua fundação. Tudo para evitar que alguma estripulia heterodoxa futura do ex-presidente comprometa seu governo. Mas, como o passado não se apaga, acaba de vir a público a notícia de que, no decorrer de 2004, Hillary, como senadora, ajudou a viabilizar os negócios de um empresário que, na mesma época, doou 100 000 dólares à fundação do seu marido. Hillary não se deu ao trabalho de apresentar explicações, nem Obama as pediu.

Na virada do século XVIII para o XIX, a corrupção era apontada como o mais grave problema da política americana. O historiador Joel Horowitz, da Saint Bonaventure University, em Nova York, diz que os Estados Unidos reverteram o quadro através da implacável cobertura da imprensa de casos de corrupção, da conscientização do eleitorado, que hoje repudia fortemente os candidatos suspeitos, e da adoção de leis para proteger os servidores públicos da pressão política e combater os aspectos mais nocivos do clientelismo no funcionalismo público federal. "Apesar dessas salvaguardas, a corrupção ainda é parte do sistema político americano", disse Horowitz a VEJA. A pior decepção para os eleitores de Obama, tão empolgados com seu brado mudancista, seria se, em seu governo, a corrupção deixasse de ser mera parte para virar um todo.

Nam Y. Huh/AP
Tony Rezko, o picaretaço que recolheu dinheiro para campanhas de Obama e ajudou-o a comprar sua mansão em Chicago, está condenado em dezesseis processos
Charles Dharapak/AP

Bill Richardson, que renunciou ao cargo de ministro do Comércio e voltou para o governo do Novo México, é suspeito de beneficiar um doador de campanha com dois contratos públicos que somam 1,4 milhão de dólares

Seth Perlman/AP

Hillary Clinton, futura secretária de Estado. A última suspeita é que a senadora ajudou um empreendedor a obter verbas federais e, na mesma época, o beneficiado deu 100 000 dólares à fundação de Bill Clinton

Seth Perlman/AP

Rod Blagojevich, o governador de Illinois e aliado de Obama. Foi pilhado numa investigação do FBI tentando vender a vaga de senador de Obama, entre outras maracutaias. Acaba de sofrer impeachment



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |