CINEMA
Divulgação
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| Deneuve,
em Leste-Oeste: drama |
Leste-Oeste (Est-Ouest,
França, 1999. Em cartaz
no Rio e em Porto Alegre) Conforme-se: embora apareça
em destaque nos créditos, a ótima Catherine Deneuve
interpreta papel secundário em Leste-Oeste.
Mas há compensações que fazem desse drama
histórico do francês Régis Wargnier (Indochina)
um bom programa. Folhetinesco,
o filme tem visual suntuoso e extrai seu charme de uma sutil reviravolta.
Após a II Guerra Mundial, um médico russo (Oleg
Menchikov) e sua mulher francesa (Sandrine Bonnaire) mudam-se
de Paris para a União Soviética, atraídos
pela promessa comunista de que os emigrantes seriam bem-vindos
de volta ao país. É uma armadilha do ditador Stalin.
LIVRO
Desonra,
de J.M. Coetzee (tradução de José Rubens
Siqueira; Companhia das Letras; 246 páginas; 26 reais)
Esse romance valeu a J.M. Coetzee, um dos grandes escritores
da África do Sul, o prestigiado Booker Prize inglês
no ano passado. Embora se envolva nas questões políticas
de seu país, o autor aborda o tema de maneira indireta.
Aqui, não foge à regra. Narrado em prosa simples
e elegante, Desonra
acompanha os reveses de um professor cujas crises de valores refletem
as transformações da África do Sul pós-apartheid.
Um livro para ler de um fôlego só.
DISCOS
Road
Rock Vol. 1, Neil Young (WEA)
Em quatro décadas de carreira, o canadense Neil
Young brilhou em diferentes estilos musicais. Já soou como
cantor folk (a música caipira americana) e encarnou
com direito a cabelo lambuzado de brilhantina um artista
dos anos 50. Em Road Rock Vol. 1,
ele assume sua melhor faceta: a de roqueiro tresloucado, pronto
para usar sua guitarra e letras de protesto contra as injustiças
do mundo. Esse disco ao vivo recupera gemas do repertório
de Young, como a quilométrica Cowgirl
in the Sand e a pungente Peace
of Mind, além de incluir
uma bela releitura de All Along
the Watchtower, de Bob Dylan.
Romero
Cruz
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Noel
pela Primeira Vez, vários
intérpretes (Velas) Compilada pelo biólogo
Omar Jubran, essa caixa de catorze CDs reúne as primeiras
gravações de cada música do carioca Noel
Rosa (1910-1937). Em apenas sete anos de carreira, Noel criou
nada menos do que 229 canções, muitas delas sob
encomenda, e inscreveu seu nome na galeria dos grandes nomes da
MPB. Ele trouxe a linguagem coloquial para a música da
época, dominada por versos parnasianos. De forma bem-humorada,
Noel falou de pobreza (O Orvalho
Vem Caindo), amores mal resolvidos
(Gago Apaixonado) e
malandragem (Conversa de Botequim).
EXPOSIÇÃO
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| Revista
dos anos 20: mostra no Rio |
500
Anos de Brasil na Biblioteca Nacional (Biblioteca
Nacional, Rio de Janeiro. Até abril de 2001) Para
comemorar os 500 anos do descobrimento do Brasil e os 190 anos
de sua criação, a Biblioteca Nacional inaugura nesta
quarta-feira uma mostra com 350 peças de seu acervo. São
livros, manuscritos, desenhos, fotografias e documentos que constituem
um amplo painel da História do país. Estarão
lá, por exemplo, a primeira partitura da ópera O
Guarani, de Carlos Gomes, e o original
da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel em 1888. Trata-se
de uma única folha de papel, escrita a mão, com
apenas dois artigos: um extingue a escravidão no Brasil,
o outro revoga as disposições em contrário.
Há também curiosidades do cotidiano nacional, como
uma ilustração da capa da revista Paratodos,
de 1926.
TELEVISÃO
Divulgação
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| Além
dos Limites: adrenalina |
Além
dos Limites (terças,
às 20h, no National Geographic) Essa série
em três episódios aborda a vida de profissionais
especializados em esportes radicais e outras atividades arriscadas.
A galeria de personagens inclui desde o recordista mundial de
mergulho submarino sem máscara de oxigênio até
uma profissional cujo trabalho é desativar minas de guerra.
O ponto forte do programa está nas imagens carregadas de
adrenalina. Como aquelas que mostram uma praticante de skysurfing
o surfe nas nuvens fazendo piruetas sobre a cratera
de um vulcão no Chile. A série mostra também
as confusões vividas por uma dessas feras: o alpinista
francês que escala arranha-céus sem proteção
nenhuma e que já respondeu até a processo judicial
por causa disso.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
Romances
históricos formam grande parte da literatura caça-níqueis
que assola as livrarias. Ainda mais aqueles sobre o Egito
antigo ou a Idade Média, em que os protagonistas
não raro assumem ares de heróis de Hollywood.
Dizer que Noah Gordon, o mesmo autor de best-sellers como
O
Físico e Xamã,
não está de olho no mercado seria uma inverdade.
Mas também não dá para negar que o
autor americano é um dos poucos que ainda levam o
gênero a sério. O
Último Judeu (tradução
de Mario Molina; Rocco; 378 páginas; 35 reais), livro
de Gordon que aparece pela quinta vez na lista de mais vendidos
de VEJA, é um romance histórico ambientado
na Idade Média que consegue preservar as qualidades
do formato: a recriação detalhada de uma época
que vem à tona a partir de um enredo original.
AP
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| Gordon:
um bom romance histórico |
A história se passa no fim do século XV, logo
após a reconquista da Península Ibérica
das mãos dos mouros. Todos os não-cristãos
são obrigados a fugir da Espanha. Mas um menino judeu
de 13 anos, Yonah Toledano, não consegue escapar
e fica vagando clandestinamente pelo país. Enquanto
o leitor acompanha o périplo do pequeno protagonista,
ganha de brinde um belo painel da vida na Espanha dos anos
de 1490 a 1510. Além de provar a boa qualidade de
sua pesquisa, Gordon consegue resistir à tentação
de traçar paralelos entre os tempos que retrata e
os atuais. Isso facilita bastante as coisas na hora de criar
personagens verossímeis. Outra característica
positiva do autor é que ele sabe a hora em que o
texto deve terminar. Ou seja, não enche lingüiça
como tantos de seus pares.
Flávio
Moura
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