Lauro
Jardim
INDÚSTRIA
AUTOMOBILÍSTICA
Recall malandro
Reparar gratuitamente defeitos de fabricação de
automóveis ajuda a preservar a imagem de responsabilidade
das empresas. Mas há montadoras que preferem ver o diabo
ao volante a admitir seus defeitos. A Mercedes-Benz desencadeou,
na maior surdina, um recall envergonhado em 150 veículos
em carta aos concessionários pede que eles convoquem
os donos para uma "revisão gratuita". A montadora alemã,
eternamente beatificada pela qualidade de seus carros, está
padecendo no mesmo fogo do inferno de alguns de seus concorrentes.
Só que não admite.
ESPIONAGEM
Ainda o grampo
A escuta clandestina no BNDES continua assombrando o governo.
O Ministério Público do Rio encaminha neste mês
uma cópia do processo ao procurador-geral da República,
Geraldo Brindeiro. Mandam junto uma sugestão de que seja
denunciado o general Alberto Cardoso. Pelo histórico de
Brindeiro, é mais fácil ACM e Jader pararem de trocar
desaforos semanais do que ele levar adiante a proposta.
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Um
exemplo que não emplacou no Brasil
Selmy Yassuda
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Um documento que está sendo posto à venda
nesta semana, no Rio, encerra uma lição para
os mandatários de hoje. Não chega a ser uma
pepita histórica, mas é exemplar. Trata-se
de uma carta, de 1830, na qual o marquês de Barbacena,
ministro da Fazenda do Primeiro Império, presta contas
à sociedade sobre seus gastos numa viagem à
Europa. Havia embarcado em missão delicada: encontrar
uma nova mulher para dom Pedro I e fazer os preparativos
do casamento. De quebra, foi renegociar um empréstimo
no Banco de Londres. Sua majestade considerou os gastos
excessivos. Usou-os como justificativa para demitir o subordinado
e explicitou suas razões num decreto imperial. Como
se vê, não é de hoje que o Brasil se
vê às voltas com responsabilidade fiscal.
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POLÍTICA
De olhos bem fechados
A quem pergunta a José Serra sobre a candidatura cada vez
mais assumida de Tasso Jereissati à Presidência,
o ministro responde que o cearense nunca falou sobre isso com
ele. Pelo visto, só não falou com Serra.
Ele, de novo
Acredite, se quiser: Paulo Maluf botou na cabeça, não
se sabe por quanto tempo, que disputará a Presidência
em 2002.
Na platéia
Tem gente grande no Palácio do Planalto querendo que FHC
intervenha logo na novela Jader versus ACM. Antes que a lama respingue
no governo. Por enquanto, não há santo capaz de
fazer FHC meter a mão nessa cumbuca.
SONEGAÇÃO
Vale tudo
Veja como as grandes empresas podem ser capazes de dar uma forcinha
na fraude. Há um mês, a ANP resolveu "marcar" os
solventes produzidos pela PQU, uma das três maiores centrais
petroquímicas do país. Desconfiava-se que o produto
estivesse sendo vendido a distribuidoras de combustíveis
malandras que o adicionavam à gasolina com essa
"marcação", a identificação da mistura
irregular fica patente. Na mosca. Em trinta dias, caíram
pela metade as vendas do solvente da PQU, controlada por empresas
do tamanho da Union Carbide, Unipar e Petroquisa.
FORÇAS
ARMADAS
Será o suficiente?
FHC anuncia na terça-feira, durante o tradicional almoço
de fim de ano com os altos oficiais das Forças Armadas,
o reajuste dos militares. Em duas parcelas: a primeira no mês
que vem e a segunda doze meses depois.
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Globo
perdoa Arnaldo César Coelho
Ricardo Siqueira
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| Coelho:
demissão revogada |
Arnaldo César Coelho foi defenestrado pela Globo
quando apareceu no programa eleitoral de televisão
ao lado do irmão, então candidato a prefeito
do Rio. Os funcionários da casa são proibidos
de participar de campanhas políticas por um rigorosíssimo
código de conduta. Nem mesmo o segundo homem mais
popular do esporte na emissora escapou. Na semana passada,
sem o mesmo alarido da época da demissão,
a Globo o chamou de volta. Começa em janeiro, comentando
o Torneio Rio-São Paulo. Aliás, a Globo quer
ver suas máquinas registradoras tilintando no mesmo
ritmo dos dribles dos atacantes. Dona dos direitos de todos
os principais campeonatos do país, está disposta
a dividir as transmissões com quem se interessar
em pagar por isso. Já está negociando com
a Rede TV!.
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TELECOMUNICAÇÕES
Dólares a rodo
Em 2001, a telefonia será a estrela do mundo dos negócios
no país mais uma vez. Serão investidos 18
bilhões de dólares no setor. Nada menos que o dobro
deste ano. O motivo de tanto derramamento de dinheiro é
um só: em 2002, as empresas que cumprirem as metas estabelecidas
pela Anatel poderão operar em todo o país, e não
em alguns Estados, como acontece hoje. A guerra está apenas
começando.
Te cuida, Telemar
A Telefônica, por exemplo, inaugura nesta semana em São
Paulo um centro de operações para controlar 50 milhões
de linhas telefônicas. Como o Estado conta com 12 milhões
de linhas fixas, fica claro o olho grande dos espanhóis
no mercado da concorrência.
Briga
via satélite
A Embratel andou fazendo umas contas e jura que as novas tarifas
de DDD que a Intelig apresentou com estardalhaço na semana
passada aumentam o preço das ligações do
cliente residencial em 50%, na média. E prepara para esta
semana um violento contra-ataque, mostrando centavo por centavo
a suposta malandragem. Bem, uma das duas empresas vai acabar respondendo
ao Conar por propaganda enganosa.
ECONOMIA
Fome espanhola
Os espanhóis do BBVA continuam ávidos atrás
de um banco de varejo médio para comprar.
Apetite
brasileiro
A AmBev está de olho no Paraguai. Só falta decidir
se começa do zero ou se compra duas pequenas cervejarias
locais. Vai botar água no chope da argentina Quilmes, dona
de 70% do mercado paraguaio.
TELEVISÃO
Mais um campeão de
audiência
A Globo tomou duas decisões em relação ao
novo No Limite, que estréia dia 28 de janeiro. A
primeira: a disputa será na Região Centro-Oeste.
A segunda: o óbvio Pantanal está descartado.
Colaboraram: Ronaldo França e Carlos Prieto