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Televisão
Ménage à trois
Cidadão Brasileiro
virou um
campo de testes para seu
autor. Tem diabo e namoro gay

Marcelo Marthe
Divulgação
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| O trio "liberal": Nilo ama Julieta, que ama
Agnaldo, que ama Nilo... |
Quando criou o personagem Nilo,
o noveleiro Lauro César Muniz esperava que ele desempenhasse
o papel de um médico machão no folhetim Cidadão
Brasileiro, da Record. Ao conhecer seu intérprete, o
ator Thiago Chagas, Muniz mudou de idéia. "Logo percebi que
ele era um rapaz suave", diz. O autor partiu então para um
plano B: transformou o personagem em gay. Não satisfeito,
fez dele um dos vértices de um triângulo amoroso bem
arrojado para os padrões de um folhetim. Nilo tem um casamento
de fachada com Julieta (Vanessa Goulart) e um caso com Agnaldo (Gustavo
Haddad) um enfermeiro. Este, por sua vez, se relaciona também
com Julieta. Até a semana passada, contabilizava sete filhos
com a moça feitos, diga-se, com total anuência
e estímulo de Nilo (que não dispensa um drama: no
primeiro parto da mulher, teve um ataque de nervos e pediu ajuda
ao namorado: "Ai, Agnaldo, vou desmaiar"). Os três vivem juntos
numa relação aberta em uma cidadezinha interiorana
dos anos 50 e 60.
Cibele Rossi/Record
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| Periard: o diabo não veste Prada |
O homossexualismo é um tema difícil na televisão.
Ele ainda choca boa parte dos espectadores, e qualquer deslize na
abordagem acarreta rejeição, como ocorreu em várias
novelas. Em Cidadão Brasileiro, Muniz ousou na proposta,
mas não na forma. Não houve beijo nem cena de sexo.
O romance dos rapazes fica óbvio, mas sua consumação
só é sinalizada de forma sutil. O máximo que
se viu foi uma cena em que os três se deram as mãos
e Julieta beijou a ambos. Com essas medidas, evitou-se a polêmica.
Apesar da média de 10 pontos de ibope, a novela é
zero em repercussão.
Veterano autor da Globo, Muniz
encontrou em Cidadão Brasileiro um campo livre para
testar limites, já que ganhou autonomia da Record para escrever
o que quisesse. "Eu me soltei mesmo", diz. "Até porque a
emissora está aberta a novas experiências." E como.
Além do ménage à trois, Muniz também
vem tocando num tema titilante para os bispos da rede. O personagem
Victor (Jayme Periard) comanda uma seita e é mensageiro do
demônio. Para dar um certo ar intelectual à coisa,
o noveleiro inventou a história mirabolante de que o clássico
da literatura alemã Fausto, de Goethe, seria um livro
de revelações diabólicas. O tal bruxo, que
era careca na fase anterior da novela, ressurgiu com uma longa cabeleira
e ternos amarfanhados depois de um salto de dez anos na trama. Em
Cidadão Brasileiro, o diabo, definitivamente, não
veste Prada.
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