|
|
Cinema Top
Gun, adieu Com geniais cenas de ação,
o francês Cavaleiros do Ar deixa no chão seu similar
americano  Isabela
Boscov Divulgação
 | | Clovis
Cornillac (à esq.) e Magimel: tudo filmado na raça |
Para
a porção da platéia que acha com toda a razão
que os aviões são as máquinas mais sublimes já
inventadas, Os Cavaleiros do Ar (Les Chevaliers du Ciel, França,
2005), que estréia nesta sexta-feira no país, é praticamente
uma garantia de satisfação. Espécie de versão francesa
de Top Gun,o filme tem, claro, pilotos quase tão fotogênicos
quanto seus caças. Um deles, inclusive, é ator digno do nome
o Benoît Magimel de A Professora de Piano e A Dama de Honra.
Tem também pilotas (embora essa tentativa de igualitarismo sexual desabe
quando uma delas faz um strip-tease sobre um Mirage). Tem um título meio
brega, já que em matéria de marketing os europeus sabidamente ainda
não competem com os americanos. Como é praxe no cinema francês,
tem ainda diálogos mais verbosos do que se espera do gênero e tenta
ensaiar um cenário verossímil para a ação. Mas com
certeza não é pela intriga nem pelos inevitáveis romances
que Os Cavaleiros do Ar se destaca; é pelas espetaculares cenas
aéreas, que deixam no chão as do seu antecessor americano.
Durante um show aéreo, um Mirage 2000 foge em plena demonstração,
esconde-se do radar voando sob um Airbus 340 de passageiros e abre fogo contra
os pilotos que vão investigar a ocorrência. O filme propõe
que esse será o novo plano do terror: graduar-se da aviação
civil para a militar e, se alguém acha que eles vão usar
homens barbudos e de turbante para essa operação, está enganado.
Todas as seqüências de ação de Os Cavaleiros do Ar
foram feitas na raça, com caças de verdade e sem aditivos digitais.
Elas são, além disso, singularmente bem planejadas, e fazem ótimo
uso de nuvens, montanhas e cidades (inclusive Paris) pontos de referência
que acentuam até o limite a sensação de vertigem proporcionada
pelas manobras e velocidades extremas. Com uma propaganda tão eficiente
do produto europeu, não é de admirar que o filme tenha contado com
toda a boa vontade dos militares e consórcios aéreos franceses.
O que é estranho é que os americanos tenham sido praticamente os
únicos que não se interessaram em adquirir os direitos de distribuição
de Cavaleiros. Deve ser de vergonha. |