'
 


    

 
Edição 1973 . 13 de setembro de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Auto-retrato
Veja.com
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cinema
Top Gun, adieu

Com geniais cenas de ação, o francês
Cavaleiros do Ar deixa no chão seu
similar americano


Isabela Boscov

 

Divulgação
Clovis Cornillac (à esq.) e Magimel: tudo filmado na raça

Para a porção da platéia que acha – com toda a razão – que os aviões são as máquinas mais sublimes já inventadas, Os Cavaleiros do Ar (Les Chevaliers du Ciel, França, 2005), que estréia nesta sexta-feira no país, é praticamente uma garantia de satisfação. Espécie de versão francesa de Top Gun,o filme tem, claro, pilotos quase tão fotogênicos quanto seus caças. Um deles, inclusive, é ator digno do nome – o Benoît Magimel de A Professora de Piano e A Dama de Honra. Tem também pilotas (embora essa tentativa de igualitarismo sexual desabe quando uma delas faz um strip-tease sobre um Mirage). Tem um título meio brega, já que em matéria de marketing os europeus sabidamente ainda não competem com os americanos. Como é praxe no cinema francês, tem ainda diálogos mais verbosos do que se espera do gênero e tenta ensaiar um cenário verossímil para a ação. Mas com certeza não é pela intriga nem pelos inevitáveis romances que Os Cavaleiros do Ar se destaca; é pelas espetaculares cenas aéreas, que deixam no chão as do seu antecessor americano.

Durante um show aéreo, um Mirage 2000 foge em plena demonstração, esconde-se do radar voando sob um Airbus 340 de passageiros e abre fogo contra os pilotos que vão investigar a ocorrência. O filme propõe que esse será o novo plano do terror: graduar-se da aviação civil para a militar – e, se alguém acha que eles vão usar homens barbudos e de turbante para essa operação, está enganado. Todas as seqüências de ação de Os Cavaleiros do Ar foram feitas na raça, com caças de verdade e sem aditivos digitais. Elas são, além disso, singularmente bem planejadas, e fazem ótimo uso de nuvens, montanhas e cidades (inclusive Paris) – pontos de referência que acentuam até o limite a sensação de vertigem proporcionada pelas manobras e velocidades extremas. Com uma propaganda tão eficiente do produto europeu, não é de admirar que o filme tenha contado com toda a boa vontade dos militares e consórcios aéreos franceses. O que é estranho é que os americanos tenham sido praticamente os únicos que não se interessaram em adquirir os direitos de distribuição de Cavaleiros. Deve ser de vergonha.

 
 
 
 
topovoltar