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Edição 1973 . 13 de setembro de 2006

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Internacional
É um menino!

Nasce o terceiro na linha sucessória do
trono japonês, para alívio geral da nação


Thomaz Favaro

 
Fotos Yoshikazu Tsuno/AFP
Comemoração em Tóquio: longa espera por um sucessor

A monarquia japonesa sustenta-se na crença de que há 2.600 anos uma mesma dinastia ocupa o Trono do Crisântemo – e de que em todo esse período a linhagem de imperadores masculinos nunca foi interrompida, a não ser em caráter temporário. Na semana passada, os japoneses ganharam a oportunidade de estender esse mito por mais uma geração, pelo menos. Na quarta-feira 6, nasceu o primeiro filho homem do príncipe Akishino e de sua mulher, Kiko. O bebê, que deverá ganhar um nome nesta semana, passa a ser o terceiro na linha sucessória. O primeiro é Nahurito, o filho mais velho do imperador Akihito, e o segundo, Akishino, o caçula. Pela lei, só homens podem ascender ao trono, o que criava um sério problema para a família imperial: Masako, de 42 anos, esposa de Nahurito, e Kiko, de 39 anos, tinham dado à luz apenas princesas, não príncipes. O nascimento de um menino salvou o país de uma crise constitucional: neste ano, o governo viu-se obrigado a apresentar no Parlamento uma lei que permitiria a Aiko, a filha do príncipe herdeiro, assumir o posto de imperatriz. Com a gravidez de Kiko, a proposta de lei foi adiada. A mudança tinha apoio popular, mas havia quem propusesse soluções mais heterodoxas para o problema. Um primo do imperador, por exemplo, sugeriu que os príncipes se valessem de concubinas para aumentar as chances de ter filhos.

Akishino e Kiko a caminho da maternidade

Entre os que mais têm motivos para se sentir aliviados com o nascimento do filho de Akishino e Kiko está Masako. Diplomata que abandonou a carreira para ser esposa do futuro imperador, Masako passou por vários tratamentos de fertilidade, ficou deprimida e se afastou da vida pública – tudo por causa da pressão que recebia para dar um herdeiro ao marido. A cobrança maior vinha do Departamento da Casa Imperial, o órgão que administra a monarquia japonesa e proíbe os membros da família imperial, por exemplo, de possuir propriedades, dinheiro e até passaporte. O departamento também é responsável por guardar a sete chaves as tumbas onde supostamente estão guardados os restos de todos os 124 antecessores do imperador Akihito. Os arqueólogos japoneses não têm permissão para estudar as tumbas – talvez por receio de serem feitas descobertas que possam pôr em dúvida a história da dinastia. A vida do pequeno herdeiro também será cheia de restrições e obrigações determinadas pela tradição. Ele terá de freqüentar a Gakushuin, uma escola especial, para aprender uma versão imperial da língua japonesa e rituais xintoístas, a religião do país. Quando for adolescente, não poderá receber amigos em casa sem autorização dos burocratas da monarquia. Se chegar a assumir o trono, o neto de Akihito será como o avô, apenas um símbolo do Estado, sem poder de fato. Entre suas funções estará a de plantar a primeira semente de arroz na primavera. Longa vida ao príncipe.

 
 
 
 
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