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Internacional
É um menino!
Nasce o terceiro na linha sucessória do trono japonês, para alívio
geral da nação  Thomaz
Favaro Fotos
Yoshikazu Tsuno/AFP
 | | Comemoração
em Tóquio: longa espera por um sucessor |
A
monarquia japonesa sustenta-se na crença de que há 2.600 anos uma
mesma dinastia ocupa o Trono do Crisântemo e de que em todo esse
período a linhagem de imperadores masculinos nunca foi interrompida, a
não ser em caráter temporário. Na semana passada, os japoneses
ganharam a oportunidade de estender esse mito por mais uma geração,
pelo menos. Na quarta-feira 6, nasceu o primeiro filho homem do príncipe
Akishino e de sua mulher, Kiko. O bebê, que deverá ganhar um nome
nesta semana, passa a ser o terceiro na linha sucessória. O primeiro é
Nahurito, o filho mais velho do imperador Akihito, e o segundo, Akishino, o caçula.
Pela lei, só homens podem ascender ao trono, o que criava um sério
problema para a família imperial: Masako, de 42 anos, esposa de Nahurito,
e Kiko, de 39 anos, tinham dado à luz apenas princesas, não príncipes.
O nascimento de um menino salvou o país de uma crise constitucional: neste
ano, o governo viu-se obrigado a apresentar no Parlamento uma lei que permitiria
a Aiko, a filha do príncipe herdeiro, assumir o posto de imperatriz. Com
a gravidez de Kiko, a proposta de lei foi adiada. A mudança tinha apoio
popular, mas havia quem propusesse soluções mais heterodoxas para
o problema. Um primo do imperador, por exemplo, sugeriu que os príncipes
se valessem de concubinas para aumentar as chances de ter filhos.
 | | Akishino
e Kiko a caminho da maternidade |
Entre
os que mais têm motivos para se sentir aliviados com o nascimento do filho
de Akishino e Kiko está Masako. Diplomata que abandonou a carreira para
ser esposa do futuro imperador, Masako passou por vários tratamentos de
fertilidade, ficou deprimida e se afastou da vida pública tudo por
causa da pressão que recebia para dar um herdeiro ao marido. A cobrança
maior vinha do Departamento da Casa Imperial, o órgão que administra
a monarquia japonesa e proíbe os membros da família imperial, por
exemplo, de possuir propriedades, dinheiro e até passaporte. O departamento
também é responsável por guardar a sete chaves as tumbas
onde supostamente estão guardados os restos de todos os 124 antecessores
do imperador Akihito. Os arqueólogos japoneses não têm permissão
para estudar as tumbas talvez por receio de serem feitas descobertas que
possam pôr em dúvida a história da dinastia. A vida do pequeno
herdeiro também será cheia de restrições e obrigações
determinadas pela tradição. Ele terá de freqüentar a
Gakushuin, uma escola especial, para aprender uma versão imperial da língua
japonesa e rituais xintoístas, a religião do país. Quando
for adolescente, não poderá receber amigos em casa sem autorização
dos burocratas da monarquia. Se chegar a assumir o trono, o neto de Akihito será
como o avô, apenas um símbolo do Estado, sem poder de fato. Entre
suas funções estará a de plantar a primeira semente de arroz
na primavera. Longa vida ao príncipe. |