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Internacional
O melancólico adeus de Blair
Pressionado por colegas do Partido
Trabalhista, o premiê inglês anuncia
que deixa o cargo em menos de um ano

Ruth Costas
Alastair Grant/AFP
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| Blair: 51% dos ingleses querem vê-lo
pelas costas |
Não há carisma que
consiga sustentar a popularidade de um político nas alturas
por muito tempo. O anúncio feito pelo primeiro-ministro inglês,
Tony Blair, na semana passada, é um lembrete disso. Blair
assegurou que deve deixar o cargo nos próximos doze meses.
Quando foi eleito pela primeira vez, em 1997, ele garantiu a seu
partido, o Trabalhista, a maior margem de votos do século
e conseguiu uma vantagem de 254 cadeiras sobre o Partido Conservador
na Câmara dos Comuns. Com apenas 43 anos, Blair arrebatou
o eleitorado inglês com seu charme pessoal e um discurso que
prometia melhorias nas áreas sociais, dinamismo econômico
e combate à corrupção. Agora, a oito meses
de completar uma década no poder, ele não passa de
uma sombra do que era no início de sua gestão. Até
os colegas trabalhistas decidiram que está na hora de renovar
o governo. Na semana passada, sete assessores de ministros pediram
demissão, em uma tentativa de pressionar Blair a renunciar
e permitir a indicação de outro trabalhista para o
cargo. Dias antes, dezessete parlamentares haviam enviado ao primeiro-ministro
uma carta pedindo sua saída. A estratégia por trás
dessas iniciativas é dissociar o partido da figura cada vez
mais impopular de Tony Blair. De acordo com uma pesquisa divulgada
na semana passada, 51% dos ingleses gostariam que o premiê
deixasse o cargo ainda neste ano, um aumento de 10 pontos porcentuais
em relação a janeiro. Sob pressão, Blair avisou
que vai renunciar antes de setembro de 2007, mas não estabeleceu
uma data, para desespero dos rebeldes de seu partido. O nome mais
cotado para substituí-lo é o do ministro das Finanças,
Gordon Brown, cujo apoio tem crescido com o bom desempenho econômico
do país.
Diferentemente do que Blair poderia
supor alguns anos atrás, nem o fato de ter deixado os ingleses
mais ricos conseguiu reduzir o desgaste causado pelo envolvimento
do país na Guerra do Iraque. Nos últimos anos, a economia
inglesa modernizou-se como nenhuma outra na Europa. Graças
à política que aprofundou as reformas liberais iniciadas
na gestão de Margaret Thatcher, hoje a Inglaterra é
a nação que mais atrai investimentos estrangeiros
no mundo. A inflação está controlada, as taxas
de desemprego são as menores em trinta anos e a renda per
capita é a que mais cresce entre os membros do G-7, o grupo
dos sete países mais ricos do planeta. "Nada disso atenua
o ressentimento com a atuação do governo Blair no
plano externo, marcada pelo apoio incondicional aos Estados Unidos
no Iraque e na decisão de adiar o pedido de cessar-fogo na
guerra do Líbano", disse a VEJA o cientista político
inglês Patrick Dunleavy, professor da London School of Economics,
em Londres. Os ingleses se sentem enganados pelo primeiro-ministro,
principalmente porque ele exagerou as evidências sobre a existência
de armas de destruição em massa no Iraque para justificar
o envio de tropas ao país. Cerca de 54% da população
acha que a política externa de Blair e a amizade com os Estados
Unidos deixaram o país mais vulnerável aos ataques
terroristas. Para piorar, recentemente políticos próximos
a Blair foram envolvidos em escândalos de corrupção.
Eles estão sendo acusados de vender títulos de nobreza
(que incluem o direito de participar na Câmara dos Lordes)
a quatro empresários, em troca de doações para
as campanhas eleitorais de 2005. "Existe um padrão na política
inglesa segundo o qual só o desgaste natural da imagem do
primeiro-ministro, sem contar os erros de administração,
faz seu nível de aprovação cair 0,1 ponto porcentual
por mês de mandato", diz Dunleavy. Até o maior de todos,
Winston Churchill, foi derrotado nas urnas logo depois do triunfo
militar contra Hitler na II Guerra Mundial. É natural que
a vez de Blair tenha chegado.
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Os mais duradouros
Há nove anos e quatro meses
no cargo, Tony Blair é o segundo primeiro-ministro
inglês a ficar mais tempo no poder nos últimos
100 anos. Ele só perde para Margaret Thatcher
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MARGARET
THATCHER
Tempo no cargo: 11 anos e 7 meses
Período: 1979 a 1990
O que fez: devolveu a prosperidade à
economia inglesa com reformas liberais |
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HERBERT
HENRY ASQUITH
Tempo no cargo: 8 anos e 8 meses
Período: 1908 a 1916
O que fez: reduziu o poder da Câmara
dos Lordes
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WINSTON
CHURCHILL
Tempo no cargo: 8 anos e 8 meses
Período: 1940 a 1945 e 1951 a 1955
O que fez: liderou os ingleses na vitória
contra os nazistas na II Guerra Mundial |
Fotos Scott Barbour e Hulton Archive/Getty
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