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Edição 1973 . 13 de setembro de 2006

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Medicina
A diferença também
está nos ossos

Fatores de risco da osteoporose têm peso
distinto para homens e para mulheres


Paula Neiva

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Os perigos para elas e para eles

Os fatores de risco da osteoporose estão bem definidos pela medicina. Genética, dietas pobres em cálcio, sedentarismo e tabagismo estão entre as razões para o surgimento da doença dos ossos fracos. O que pouco se sabe é que esses perigos afetam os homens e as mulheres de maneira distinta. O primeiro estudo nacional a avaliar essa diferença entre os brasileiros acaba de ser concluído. Conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e patrocinado pelo laboratório Wyeth, ele contou com a participação de 2.400 pessoas acima de 40 anos, em todo o país. A conclusão é que, entre os homens, os principais riscos residem no cigarro e na falta de exercício físico. Já para as mulheres, o baixo teor de cálcio na alimentação e o histórico familiar têm um peso muito maior. "Como a osteoporose é um mal que avança silenciosamente, é fundamental esmiuçar seus fatores de risco, de modo que a prevenção e o tratamento da doença sejam mais eficazes", diz o reumatologista Marcos Bosi Ferraz, diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde da Unifesp e coordenador da pesquisa, prevista para ser apresentada neste fim de semana durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, em Campinas, no interior paulista.

A osteoporose afeta cerca de 5 milhões de brasileiros e é responsável por 1 milhão de fraturas todos os anos. Para cada homem com a doença, existem duas mulheres na mesma situação. Os ossos femininos são naturalmente mais frágeis do que os masculinos. Além disso, há outros fatores que deixam as mulheres ainda mais vulneráveis à doença. Durante a gravidez e a amamentação, há perda de cálcio, o principal ingrediente de um esqueleto forte. A menopausa, por sua vez, acelera o decréscimo de massa óssea. Por isso, uma dieta pobre em cálcio tem mais impacto sobre as mulheres que entre os homens (veja quadro). O tabagismo, que causa a morte das células construtoras de ossos, tem hoje um efeito mais nocivo para a saúde óssea masculina por uma questão cultural: os homens com mais de 40 anos estiveram expostos por muito mais tempo aos efeitos deletérios do cigarro do que as mulheres da mesma faixa etária.

No Brasil, a falta de conhecimento sobre a osteoporose assusta os especialistas. Como não são atingidos na mesma proporção que as mulheres, os homens não se previnem contra o enfraquecimento dos ossos. Não bastasse isso, a maioria dos médicos também não está atenta à osteoporose masculina. No Brasil, 85% dos homens vítimas de fraturas decorrentes de osteoporose desconhecem que têm a doença. "É preciso dar uma atenção maior à osteoporose masculina. Atualmente, as políticas de prevenção e até os estudos clínicos com novos medicamentos costumam excluir os homens", afirma o reumatologista Marcelo Pinheiro.

Nos últimos anos, a medicina avançou não apenas no conhecimento dos fatores de risco para a osteoporose. Há novidades importantes no tratamento da doença. Ainda não se pode falar em cura, mas já é possível conter a sua progressão. Entre as novidades mais efetivas está o remédio ranelato de estrôncio, recém-lançado no Brasil sob o nome comercial Protos. Ao mesmo tempo que combate a perda óssea, o remédio aumenta a formação de ossos. Uma grande aposta é o ácido zoledrônico, que no próximo ano exibirá em sua bula a indicação específica para o tratamento do problema. Sua vantagem é que ele requer uma única dose anual.

 
 
 
 
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