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Medicina A
diferença também está nos ossos Fatores
de risco da osteoporose têm peso distinto para homens e para mulheres
 Paula
Neiva
Os
fatores de risco da osteoporose estão bem definidos pela medicina. Genética,
dietas pobres em cálcio, sedentarismo e tabagismo estão entre as
razões para o surgimento da doença dos ossos fracos. O que pouco
se sabe é que esses perigos afetam os homens e as mulheres de maneira distinta.
O primeiro estudo nacional a avaliar essa diferença entre os brasileiros
acaba de ser concluído. Conduzido por pesquisadores da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp) e patrocinado pelo laboratório Wyeth, ele
contou com a participação de 2.400 pessoas acima de 40 anos, em
todo o país. A conclusão é que, entre os homens, os principais
riscos residem no cigarro e na falta de exercício físico. Já
para as mulheres, o baixo teor de cálcio na alimentação e
o histórico familiar têm um peso muito maior. "Como a osteoporose
é um mal que avança silenciosamente, é fundamental esmiuçar
seus fatores de risco, de modo que a prevenção e o tratamento da
doença sejam mais eficazes", diz o reumatologista Marcos Bosi Ferraz, diretor
do Centro Paulista de Economia da Saúde da Unifesp e coordenador da pesquisa,
prevista para ser apresentada neste fim de semana durante o Congresso Brasileiro
de Reumatologia, em Campinas, no interior paulista.
A osteoporose afeta cerca de 5 milhões de brasileiros e é responsável
por 1 milhão de fraturas todos os anos. Para cada homem com a doença,
existem duas mulheres na mesma situação. Os ossos femininos são
naturalmente mais frágeis do que os masculinos. Além disso, há
outros fatores que deixam as mulheres ainda mais vulneráveis à doença.
Durante a gravidez e a amamentação, há perda de cálcio,
o principal ingrediente de um esqueleto forte. A menopausa, por sua vez, acelera
o decréscimo de massa óssea. Por isso, uma dieta pobre em cálcio
tem mais impacto sobre as mulheres que entre os homens (veja
quadro). O tabagismo, que causa a morte das células construtoras
de ossos, tem hoje um efeito mais nocivo para a saúde óssea masculina
por uma questão cultural: os homens com mais de 40 anos estiveram expostos
por muito mais tempo aos efeitos deletérios do cigarro do que as mulheres
da mesma faixa etária. No Brasil,
a falta de conhecimento sobre a osteoporose assusta os especialistas. Como não
são atingidos na mesma proporção que as mulheres, os homens
não se previnem contra o enfraquecimento dos ossos. Não bastasse
isso, a maioria dos médicos também não está atenta
à osteoporose masculina. No Brasil, 85% dos homens vítimas de fraturas
decorrentes de osteoporose desconhecem que têm a doença. "É
preciso dar uma atenção maior à osteoporose masculina. Atualmente,
as políticas de prevenção e até os estudos clínicos
com novos medicamentos costumam excluir os homens", afirma o reumatologista Marcelo
Pinheiro. Nos últimos anos,
a medicina avançou não apenas no conhecimento dos fatores de risco
para a osteoporose. Há novidades importantes no tratamento da doença.
Ainda não se pode falar em cura, mas já é possível
conter a sua progressão. Entre as novidades mais efetivas está o
remédio ranelato de estrôncio, recém-lançado no Brasil
sob o nome comercial Protos. Ao mesmo tempo que combate a perda óssea,
o remédio aumenta a formação de ossos. Uma grande aposta
é o ácido zoledrônico, que no próximo ano exibirá
em sua bula a indicação específica para o tratamento do problema.
Sua vantagem é que ele requer uma única dose anual.
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