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Edição 1973 . 13 de setembro de 2006

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Brasil
Clareza tardia

O manifesto indignado de FHC contra
a "podridão reinante" vem com atraso,
mas antes tarde do que nunca

 

Paulo Vitale
FHC: "No caso do mensalão, a fonte foi pública. Isso é roubo do dinheiro do povo"


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O impacto positivo nos índices de pesquisa da candidatura presidencial de Geraldo Alckmin deve ser desprezível, mas a Carta aos Eleitores do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso, é um documento para a história. O ex-presidente divulgou-a na semana passada e nela faz a mais clara condenação ao governo petista que já saiu da pena ou da boca de qualquer outro político. A carta tem apenas um defeito: chegou tarde demais. Tarde não para influir nos rumos da eleição presidencial, mas para ter sido um instrumento capaz de contribuir para que o metabolismo da crise ética e moral da política tivesse como produto não a complacência cínica, mas a indignação purificante. Uma lástima que a campanha tenha sido dominada por artistas vendidos como Paulo Betti e José de Abreu e intelectuais burros mas espertos como Marilena Chaui, todos mandando às favas a honestidade em troca de vantagens materiais. Com uma campanha presidencial sem paixão pela ética e por princípios, o Brasil perdeu uma chance extraordinária de moralizar seu estamento político. Os principais trechos da carta de FHC:

"Para que não pairem dúvidas: ... (o) Presidente e seu partido (ou deveria dizer ex-partido?) são, inquestionavelmente, os responsáveis por deixar que os piores setores da política ocupem a cena principal, expondo o país às misérias a que todos assistimos indignados."

"Pagar mensalão é crime e como crime deve ser tratado. No caso do mensalão a fonte foi pública. Isso é roubo do dinheiro do povo."

"O próprio Presidente, que é responsável pelos ministros, não tendo atuado para demiti-los nem depois do fato sabido, é passível de crime de responsabilidade. E, mais do que simplesmente corromper pessoas, corrompeu-se uma instituição, o Congresso Nacional. Isso não quer dizer que o sistema eleitoral vigente seja bom ou que não precise ser mudado. Entretanto, apenas culpar 'o sistema' e escapar da responsabilidade pessoal é um sofisma que nada tem a ver com comportamento moral."

"Nós do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política de todo esse descalabro no momento adequado. Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população. Mas, para nos diferenciarmos da podridão reinante, temos a obrigação moral de não calar."

 
 
 
 
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