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Brasil Clareza tardia
O manifesto indignado de FHC contra a "podridão reinante" vem com
atraso, mas antes tarde do que nunca Paulo
Vitale
 | | FHC:
"No caso do mensalão, a fonte foi pública. Isso é roubo do dinheiro do povo" |
O impacto positivo nos índices
de pesquisa da candidatura presidencial de Geraldo Alckmin deve ser desprezível,
mas a Carta aos Eleitores do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso, é um documento
para a história. O ex-presidente divulgou-a na semana passada e nela faz
a mais clara condenação ao governo petista que já saiu da
pena ou da boca de qualquer outro político. A carta tem apenas um defeito:
chegou tarde demais. Tarde não para influir nos rumos da eleição
presidencial, mas para ter sido um instrumento capaz de contribuir para que o
metabolismo da crise ética e moral da política tivesse como produto
não a complacência cínica, mas a indignação
purificante. Uma lástima que a campanha tenha sido dominada por artistas
vendidos como Paulo Betti e José de Abreu e intelectuais burros mas espertos
como Marilena Chaui, todos mandando às favas a honestidade em troca de
vantagens materiais. Com uma campanha presidencial sem paixão pela ética
e por princípios, o Brasil perdeu uma chance extraordinária de moralizar
seu estamento político. Os principais trechos da carta de FHC:
"Para
que não pairem dúvidas: ... (o) Presidente e seu partido (ou deveria
dizer ex-partido?) são, inquestionavelmente, os responsáveis por
deixar que os piores setores da política ocupem a cena principal, expondo
o país às misérias a que todos assistimos indignados."
"Pagar
mensalão é crime e como crime deve ser tratado. No caso do mensalão
a fonte foi pública. Isso é roubo do dinheiro do povo."
"O
próprio Presidente, que é responsável pelos ministros, não
tendo atuado para demiti-los nem depois do fato sabido, é passível
de crime de responsabilidade. E, mais do que simplesmente corromper pessoas, corrompeu-se
uma instituição, o Congresso Nacional. Isso não quer dizer
que o sistema eleitoral vigente seja bom ou que não precise ser mudado.
Entretanto, apenas culpar 'o sistema' e escapar da responsabilidade pessoal é
um sofisma que nada tem a ver com comportamento moral."
"Nós
do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política
de todo esse descalabro no momento adequado. Não será agora, durante
a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população. Mas,
para nos diferenciarmos da podridão reinante, temos a obrigação
moral de não calar." |