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Cultura Com relíquias
arqueológicas trazidas de Jerusalém,
Muitos dos objetos que estarão expostos no Masp até 2 de novembro (a mostra só viajará para outras cidades caso consiga captar patrocínio para tanto) podem ser incluídos entre os maiores achados feitos na região nas últimas décadas, de valor histórico e também simbólico inqualificável. É o caso da rocha inscrita com o nome de Pôncio Pilatos única prova física da passagem pela Judéia do governador romano que ordenou a execução de Cristo ou do ossuário do sumo sacerdote judeu Caifás, que presidiu o julgamento do nazareno. A oportunidade de observar essas relíquias também é, de certa forma, única: quando retornarem ao Museu de Israel, elas não mais deverão deixar sua exposição permanente.
Concebida conjuntamente pelo Museu de Israel e pela produtora Calina Projetos (que trouxe para o Brasil a exposição dos Pergaminhos do Mar Morto), Tesouros da Terra Santa leva o visitante a percorrer um trajeto cronológico desses 1 600 anos. O ponto de partida é o conjunto de peças dedicado ao período do chamado Primeiro Templo o Templo de Salomão, destruído no século VI a.C. Relembra-se então o exílio dos judeus, em razão da ocupação babilônia, e depois se volta à Judéia do período do Segundo Templo, arrasado em 70 d.C. e sobre cujas ruínas foi construído o Domo da Rocha, do qual resta hoje a porção conhecida como Muro das Lamentações. O próximo passo é o conjunto dedicado ao nascimento do cristianismo, ao martírio de Cristo e, finalmente, à coexistência entre as duas fés no período bizantino, por meio da recriação de uma igreja e de uma sinagoga. Essa é uma das montagens mais curiosas da exposição. Nela se podem conferir não apenas as maneiras pelas quais as duas fés se anunciavam para seus respectivos "públicos" (tanto a cruz cristã quanto a menorá judaica ganharam sua força de símbolos nesse momento), como também seus vários elementos comuns, da arquitetura à decoração. Nesse trajeto, encontram-se várias outras relíquias que ganharam os noticiários, como a lápide do rei judeu Uzias e um ossuário com a inscrição "Jesus, filho de José" outro Jesus, filho de outro José, numa demonstração de como esses nomes eram populares na Judéia daquele tempo. Mas vêem-se também dezenas de objetos de uso cotidiano. Por exemplo, jarros de pedra como aqueles que Jesus teria tido à disposição para o milagre de transformar água em vinho, ou utensílios que freqüentavam as mesas (quando mesa houvesse) das pessoas comuns da Judéia, provavelmente semelhantes àqueles usados na Santa Ceia. São artefatos que em nada lembram a riqueza com que eram representados nas pinturas renascentistas. Mas que por isso mesmo, na opinião do curador David Mevorah, carregam algo que transcende origem e filiação religiosa: o poder de transportar o visitante de uma história transformada em mito para o tempo e o lugar reais em que ela transcorreu.
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