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Edição 2073

13 de agosto de 2008
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Conversa com Zé do Caixão
Fábio Portela


"Voltei a filmar graças às verbas públicas"

Manoel Marques

Zé do Caixão
não poupa nem a mulher


Na semana passada, o cineasta José Mojica Marins lançou
A Encarnação do Demônio, filme que encerra a trilogia do personagem Zé do Caixão, um coveiro que sonha ter um filho com uma mulher perfeita para alcançar a eternidade.

Você concluiu sua trilogia depois de 42 anos. Como conseguiu isso? Voltei a filmar graças às verbas públicas. Em 2003, ganhei 500 000 reais do ex-governador Geraldo Alckmin para as filmagens. Nunca tinha visto tanto dinheiro.

Foi o suficiente? Não. Faltava recurso para a finalização. Um dia, encontrei o presidente Lula. Pedi ajuda e ele liberou mais 1 milhão de reais.

E ficou bom? Ah, o sonho da minha vida era concluir a trilogia.

Qual é a cena mais horripilante do filme? O pessoal tem elogiado uma em que eu enfio a cabeça de uma atriz num tonel com 3 000 baratas. Todas limpinhas, criadas em laboratório. Tinha grande, pequena, marrom, albina. Não sabia que existiam tantos tipos de barata.

Quem fez essa cena macabra? Minha mulher, Lenny Dark. Ela até teve um acidente nas filmagens.

O que aconteceu? Uma hora, ela tirou o tampão do ouvido. Uma barata entrou lá dentro. Corremos para o hospital. Cheguei ainda vestido de Zé do Caixão gritando: "Abram caminho, porque esta mulher está com uma barata no ouvido!".

 

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