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Edição 2073

13 de agosto de 2008
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Minha vida de cachorro

Americana que mandou clonar pit bull é identificada
como seqüestradora de ex-namorado mórmon


Vilma Gryzinski

Ahn Young-Joon/AP

Quando Bernann McKinney apareceu na Coréia do Sul exultante de felicidade, comemorando o bem-sucedido nascimento de cinco pequenos clones de seu falecido pit bull ("Eles são a cara do pai. Eu estou no céu"), todas as boas almas do planeta pensaram a mesma coisa: isso é carência doentia. Ninguém imaginava quanto. O caso já suficientemente bizarro da mulher de 57 anos que dizia ter vendido uma casa para custear os 50 000 dólares, com desconto, da clonagem do saudoso Booger ("Quando ele estava morrendo, nossos olhares se cruzaram e ele me disse com os olhos: não fique triste porque nos veremos novamente") entrou pelo campo do absurdo. Apesar da passagem do tempo, os cabelos, as bochechas, o sorriso e o ar algo amalucado foram identificados como os mesmos de uma certa Joyce McKinney, protagonista de um crime que fez as delícias dos tablóides ingleses em 1977. Obcecada por um ex-namorado mórmon, Joyce o seguiu com faro canino de Utah para o interior da Inglaterra, onde o drogou, seqüestrou e trancafiou em cárcere privado. Sexualmente abusado, por três vezes, ele prometeu casamento e conseguiu fugir. Joyce foi presa e, aproveitando a liberdade sob fiança, escapou de volta para os Estados Unidos. A mulher que apareceu em Seul diz que não tem nada, absolutamente, a ver com a seqüestradora do mórmon. Mas daí já estava empanado o brilho da primeira clonagem comercial de um bicho de estimação, área em que toma a frente a Coréia do Sul, justamente um país onde é difusa a fronteira entre pets e almoço – o que nos leva de novo para o campo das palavras que, colocadas lado a lado, soam inacreditáveis.

 



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