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Leitor
A China é
a prova de que com bastante dinheiro bem aplicado se pode
transformar a ilusão em uma revolução
cultural e mudar a realidade e os hábitos de um povo
("A nova revolução cultural", 6 de
agosto). Os chineses estão
com os olhos mais abertos do que nunca! É o que revelam
toda a inovação, a criatividade e a tecnologia
empregadas na preparação da Olimpíada
de Pequim. Apesar do espetáculo
que será a Olimpíada 2008, a maioria do povo
chinês continuará alheia ao que ocorre fora de
suas enormes fronteiras. Velhos hábitos
merecem nossa atenção, principalmente quando
precisam ser mudados. Contudo, a reforma social em operação
na China não possui essencialmente esse caráter
reparador; tem o medíocre objetivo de causar uma boa
impressão aos ocidentais durante os Jogos. Tudo o que vem da
China soa muito falso. Parece-me um país de humanos
robotizados esperando que alguém do poder dispare um
dispositivo que diz quando é permitido ou não
sorrir, falar, gesticular. A melhor reportagem
sobre a nova China veio do texto irresistível de "As
catedrais de Xangai" (6 de agosto). É animador
ler matérias que reúnem o melhor do jornalismo
e da literatura. Os arranha-céus
de Xangai são impressionantes. Mas parece que a China
não está sabendo conciliar modernidade e tradição,
e nesse caminho está esquecendo que tem uma cultura
de mais de 4 000 anos.
Andreas Schleicher Excelente a entrevista
com o físico alemão Andreas Schleicher (Entrevista,
6 de agosto), sobre a questão da educação.
Com clareza e argumentos racionais, Schleicher critica o sistema
de ensino do Brasil, levando-nos à reflexão
sobre a qualidade dos estudantes que ele forma. Um sistema
atrasado, que desvaloriza a nossa criatividade e não
nos estimula a pensar, obrigando-nos apenas a decorar o que
já estava pronto, em vez de buscar soluções
originais para problemas do dia-a-dia. O entrevistado diz
que entre os fatores de melhoria da educação
estão o salário atraente, a possibilidade do
reconhecimento dos talentos e o estímulo à capacidade
intelectual. Diz também que existe a necessidade urgente
de priorização da educação no
país que queira chegar ao desenvolvimento. Temos hoje,
no entanto, um dos piores salários pagos pelas universidades
do Brasil. Até quando a sociedade brasileira deixará
a educação em último plano? Espero estar
vivo no dia em que a educação for prioridade
neste país.
Os petistas e as Farc Esse episódio
das relações promíscuas entre autoridades
brasileiras, algumas delas do alto escalão da República,
com os narcotraficantes das Farc não pode ser encerrado
com um mero desmentido do presidente Lula ("F@rc
Os e-mails que comprometem", 6 de agosto). Não
dá para acreditar quando ele repentinamente resolve
afirmar com tanta convicção que esses "conchavos"
com líderes das Farc não passam de "intrigas
da oposição". Enquanto a Polícia
Federal desenvolve ações para combater o narcotráfico
na fronteira entre o Brasil e a Colômbia, integrantes
do governo se beneficiam das Farc, dando e recebendo ajuda.
Esse envolvimento é lamentável e perigoso e
pode resultar em conseqüências imprevisíveis
e danosas para o país.
J.R. Guzzo Extremamente oportuno
o texto "Falando difícil" (6 de agosto),
pois é lamentável que em pleno século
XXI ainda haja advogados, promotores, juízes e legisladores
usando de palavras sem o menor sentido prático, o famoso
"juridiquês". Conforme disse Winston Churchill:
"Das palavras, as mais simples; das mais simples, a menor". Finalmente alguém
se manifestou sobre essa mania do brasileiro de achar que
quem fala difícil é que entende das coisas.
Lembrei-me de Lima Barreto, em O Homem que Sabia Javanês,
e de Machado de Assis, em Teoria do Medalhão,
e vi como nada mudou em 100 anos. A sociedade brasileira cultua
as aparências e o falar difícil, e ter a pose
de um intelectual é certeza de sucesso e admiração
de um povo cada vez mais inculto.
Ideli Salvatti Quem te viu, quem
te vê. Como catarinense, e não de memória
tão curta, eu me lembro de Ideli nos palanques e tribunas,
não tão bela, mas esbravejando e exigindo moralidade
e ética de seus adversários políticos.
Hoje, loira, magra e elegante, sobe nos mesmos palanques e
tribunas para defender mensaleiros, aloprados e os renans
calheiros da vida. Quem te viu e quem te vê, Lili. Uma
observação: um sargento é um graduado,
e não um oficial, como consta na legenda da página
112 da mesma reportagem ("Lili para os íntimos",
6 de agosto).
Lya Luft Não consegui
conter as lágrimas após ler o artigo "Sobre
o meu pai Arthur" (6 de agosto). Não conheci meu
pai, mas Deus me abençoou dando-me duas lindas filhas,
uma com 6 anos e a outra com 2. Todos os dias elas deixam
em cima de minha pasta bilhetes com seus desenhos e a palavra
"papai" escrita com suas letrinhas peculiares. Este
é o maior presente que recebo delas: amor, carinho
e afeto espontâneo. Fiquei muito emocionada
quando li o artigo de Lya Luft. Ela é uma mulher culta
e refinada. Foi um presente muito especial, principalmente
na minha vida. Fiquei sem contato com meu pai durante 28 anos.
Neste ano, finalmente, vou poder abraçá-lo e
desejar-lhe um feliz Dia dos Pais. Muito obrigada! A Lya foi incrivelmente
sensível ao retratar o amor e o respeito ao seu pai.
Senti-me contemplada na sua narrativa, e dedicaria essa coluna
ao meu próprio pai, Elio. É pena que esse sentimento
amoroso e respeitoso do filho em relação ao
pai (e à mãe) esteja, aparentemente, condenado
a diminuir até não existir mais.
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