Edição 1815 . 13 de agosto de 2003

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REFORMAS

Em fatias 1
A cúpula do governo definiu na semana passada como encaminhar no Senado a reforma tributária. Pretende fatiá-la, ou seja, votá-la em capítulos. Chegou-se à conclusão de que tentar aprová-la em bloco seria derrota na certa.

Em fatias 2
O governo sabe que esse caminho é mais longo e já se prepara para que o processo não seja concluído neste ano.

O apitaço do Delfim
Delfim Netto foi ao plenário da Câmara no dia da votação da reforma da Previdência munido de um acessório especial. Era um apito amarelo. Quando algum orador se alongava mais do que o devido na tribuna, Delfim tirava o apito do bolso e... priiiiiiiiii!

É dando que se...
Chamada por José Dirceu para ajudar o governo na tropa de choque da aprovação da reforma da Previdência, Roseana Sarney chegou por volta da meia-noite à Câmara para cabalar votos. Reuniu-se com alguns deputados e abriu o jogo: "A hora é de pedir. Peçam ao governo e eles darão".

Força relativa
A votação da semana passada mostrou, para quem ainda tinha dúvida, que Leonel Brizola fala muito, mas sua força sobre o PDT é cadente. Apesar de o diretório nacional do partido, comandado com mão-de-ferro pelo caudilho, ter fechado questão contra o projeto de reforma do governo, nove deputados disseram "sim" no plenário. Apenas quatro seguiram Brizola.

Cristovam no Senado
O ministro Cristovam Buarque vai se licenciar do Ministério da Educação para votar a reforma da Previdência e a tributária. Serão licenças-relâmpago, do tipo vapt-vupt: valerão só para os dias de votação.


Ele vai caçar clientes na TV

Divulgação
Nizan Guanaes: publicitário à procura de anunciantes

Não se assuste se você assistir a essa figura aí do lado como garoto-propaganda do próprio negócio num comercial de televisão. Como os tempos estão difíceis, Nizan Guanaes, um dos publicitários mais premiados do país, resolveu, numa atitude inédita, ir à TV buscar clientes para sua nova agência, a Africa. No fundo, se cumprir a promessa feita há alguns meses, quando lançou a Africa, Nizan vai fazer um carnaval para capturar três clientes apenas. A Africa é dona de três contas, e Nizan costumava dizer que o número ideal seriam somente seis. Será que mudou de idéia?


CIGARROS

Rede sem fumaça
A guerra contra a indústria de cigarros não morreu com a saída de José Serra do Ministério da Saúde. A Anvisa editou uma resolução proibindo a Souza Cruz de vender pela internet cigarros aos varejistas. A empresa recorreu e, por enquanto, não está cumprindo a resolução.


ESTRADAS

De pai para filho
Parece incrível, mas é verdade: no fim do governo passado, o Ministério dos Transportes presenteou (há outro termo?) uma concessionária de rodovias paranaense com um trecho de 43 quilômetros da BR-476. Isso mesmo: trata-se de um filé mignon do setor entregue de graça, sem licitação, para a empresa administrar. A farra acaba nesta semana. A benesse será anulada.


SEM-TETO

A Volks vende o terreno
Está prestes a ter novo dono o terreno da Volkswagen em São Bernardo do Campo que foi desocupado na quinta-feira passada, vinte dias depois de tomado pelos sem-teto. E, ironia das ironias, quem está comprando é uma incorporadora que pretende construir ali casas para a população de baixa renda.


GOVERNO

Um carinho nos aposentados
O governo anuncia em breve a abertura de linhas especiais de crédito para os aposentados. Será um dos itens de um extenso pacote de medidas de barateamento do crédito popular.

A jato
Fim da pindaíba para o grupamento especial de aviação da FAB, que serve à Presidência e aos ministros. Apesar do aperto geral, estão sendo comprados três jatos Legacy, fabricados pela Embraer – um deles servirá exclusivamente a Lula e custará 20 milhões de dólares.


A grande aposta da AmBev

Divulgação
Brahma Light: segmento que mais cresce nos EUA


Será lançada nesta semana em São Paulo (e até o fim do ano no resto do país) a Brahma Light, a maior aposta da AmBev desde que a empresa surgiu. Na verdade, é um relançamento: há quase dois anos a cerveja que existia com esse mesmo nome deixou o mercado. Mas a AmBev trata o produto como novo: ele volta com sabor e logomarca novos, além de uma megacampanha promocional. A Brahma Light, que custará 5% mais caro que a versão regular, terá 96 calorias por latinha, contra uma média de 150 das outras cervejas. A AmBev joga suas fichas na força de um segmento que tem crescido mais rápido que os outros – nos EUA, por exemplo, seis das dez marcas de cervejas mais vendidas hoje são "light". O que se quer é também dar um gás à marca Brahma, que nos últimos anos teve razoável queda de participação no mercado de cervejas.


ECONOMIA

O filé do Carrefour
Pouca gente sabe, mas o Carrefour tem duas fazendas de gado em Mato Grosso. Pois agora os franceses estão se preparando para exportar carne dali para a Europa.

País parado
O fundo do poço no Estado mais rico do país pode ser traduzido em vários indicadores. Eis um deles: a queda da arrecadação de ICMS em São Paulo em julho foi de 16% (já descontada a inflação do período) em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Negócio fechado
A Telos, o fundo de pensão dos funcionários da Embratel, se desfez de sua participação no grupo Monteiro Aranha.


BANCO CENTRAL

Efeito colateral
A especulação que tomou conta do mercado financeiro na segunda-feira passada abortou o anúncio, naquele dia, da redução dos depósitos compulsórios nos bancos – uma das medidas mais esperadas para esquentar a economia. Na sexta-feira, quando a calmaria pós-aprovação das reformas se instalou no mercado, o Banco Central, enfim, soltou a medida.

Viés de alta
Henrique Meirelles, pelo visto, pretende ficar em Brasília por muitos e muitos anos. Acabou de alugar uma mansão de 6.000 metros quadrados com uma vista deslumbrante para o Lago Sul. O contrato do aluguel é de cinco anos. Meirelles vai pagar 16.000 reais mensais pelo conforto.

 

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
Colaborou Daniela Pinheiro

 








 
 
 
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