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Televisão
O
bom samaritano
Onde houver uma boa causa a defender,
lá estará o noveleiro Manoel Carlos

Sérgio Martins
Divulgação
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IMPUNIDADE
NA MIRA
Fernanda (Vanessa Gerbelli), na cena
da bala perdida: mote para campanha, com direito até
a passeata
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Se
existe um candidato ao título de bom samaritano na televisão
brasileira atual, é o noveleiro Manoel Carlos. Na condição
de autor do folhetim Mulheres Apaixonadas, da Rede Globo,
ele tem feito apologia de várias causas politicamente corretas.
No começo da novela, o casal de velhinhos formado pelos atores
Carmem Silva e Oswaldo Louzada fez campanha pela vacinação
dos idosos contra a gripe. Em seguida, o drama da ciumenta Heloísa
serviu de mote para que se divulgasse o trabalho de um grupo de
apoio à mulher. Ultimamente, fala-se na prevenção
do câncer de mama. E a partir desta semana, na esteira do
episódio em que a personagem Fernanda (Vanessa Gerbelli)
é fulminada por uma bala perdida, virá por aí
uma cruzada contra a impunidade. Prestar esse tipo de ação
social em novelas não é novidade até
porque vitamina o ibope. Em Explode Coração, para
ficar num exemplo, a autora Glória Perez levou à TV
o drama das crianças desaparecidas. O caso de Manoel Carlos,
no entanto, é peculiar. Ao mesmo tempo que faz campanhas
populares barulhentas, ele abraça causas culturais que muita
gente daria por perdidas. Volta e meia, põe o casal de velhinhos
para dar uma força ao Retiro dos Artistas, que abriga veteranos
da profissão. E, se em seu folhetim anterior, Laços
de Família, fazia propaganda dos livros, desta vez elegeu
a música como prioridade. Graças à sua mãozinha,
dois artistas o maestro Laércio de Freitas e o saxofonista
J.T. Meirelles estão dando uma bela sacudida em suas
carreiras.
Duvulgação
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CANJA
NO NICK BAR: Freitas (à esq., ao piano): ele toca de mentirinha,
mas está tendo vantagens reais graças à participação na novela
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Freitas
e Meirelles têm algo em comum, além do fato de serem
respeitados no meio musical: suas carreiras andavam em baixa. Tudo
começou a mudar quando Manoel Carlos, que os conhece desde
os anos 60, nos tempos em que era diretor do extinto programa O
Fino da Bossa, na Rede Record, deu um jeito de encaixá-los
na trama. A presença de ambos em Mulheres Apaixonadas
gira em torno da banda em que Téo, o personagem de Tony
Ramos, toca saxofone. Freitas, de 62 anos, atua como o pianista
do conjunto, que anima as noitadas (nem um pouco animadas, por sinal)
do Nick Bar que é, digamos, uma versão musicalmente
correta do bar da Dona Jura, cenário da novela O Clone
em que pagodeiros famosos apareciam para comer um pastel e divulgar
suas músicas. Ainda que tenha de tocar de mentirinha
"ali, até o piano é cenográfico", brinca ,
a decisão de participar da novela não poderia ter
sido melhor. Graças a ela, seus discos estão sendo
relançados. E ele voltou a receber convites para shows, coisa
que andava escassa.
A participação de Meirelles na novela é ainda
menos que figurativa. Ele não aparece em cena, mas, toda
vez que o personagem de Tony Ramos se atrasa, os donos da boate
ameaçam "chamar o Meirelles". Um dos criadores do estilo
conhecido como samba-jazz, o saxofonista voltou a sorrir depois
de virar citação recorrente no folhetim: acaba de
receber a notícia de que três discos seus e do seu
grupo, o Copa 5, irão sair numa caixa especial, entre outras
novidades que sinalizam uma retomada na carreira. As campanhas de
massa encampadas por Manoel Carlos são, é claro, muito
mais eloqüentes que essas pequenas ações de samaritano.
Nos três meses em que se discutiu a doação de
medula para a personagem Camila, em Laços de Família,
a média de doadores voluntários saltou de vinte
para 900 por mês no país. A cruzada contra a impunidade
também deve produzir barulho está nos planos
da Globo organizar até uma passeata para dar mais realismo
às cenas da novela.
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