Edição 1815 . 13 de agosto de 2003

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Cinema
Cortes fortes

Em Amarelo Manga, só o desejo
sobrevive à sordidez


Isabela Boscov

Divulgação
Nachtergaele e Diaz: pesadelo


Trailer do filme
56k | 100k | 200k

A dona de um boteco, o cozinheiro homossexual de um hotel sujo, um necrófilo, um açougueiro que trabalha num matadouro: a vida não é um mar de rosas para os personagens de Amarelo Manga (Brasil, 2002), que estréia nesta sexta-feira no país. Dirigido pelo pernambucano Cláudio Assis a partir de seu curta Texas Hotel, de 1999, Amarelo Manga vai além de retratar a sordidez da vida na periferia de uma grande cidade (no caso, Recife). O que ele mostra é como nem a sordidez mais completa é capaz de matar o desejo. Todos os quatro protagonistas (interpretados por Leona Cavalli, Matheus Nachtergaele, Jonas Bloch e Chico Diaz) querem algo desesperadamente. O cozinheiro quer o açougueiro, este quer segurança e sexo – que não encontra numa única mulher –, a dona do bar quer algo que não seja a monotonia incessante. Assis filma essas histórias em tons de amarelo e vermelho, com um naturalismo tão exacerbado que cria a sensação oposta: a de um pesadelo quase que forte demais para ser real. Essa vitalidade mais do que justifica os prêmios que o filme recebeu em festivais como o de Brasília e o de Berlim. Se há ressalvas a ser feitas, elas são a insistência nas atuações teatrais e o vício, de longa tradição na ficção nacional, de encher as falas de palavrões ditos em tom de afronta. Amarelo Manga tem pernas fortes o bastante para se sustentar sem essas muletas.

 
 
 
 
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