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Música
A
vez do corazón
Balada
romântica do quarteto Maná
vence a resistência
brasileira às canções
em espanhol

Sergio
Martins
Divulgação
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| Os
roqueiros mexicanos do Maná: "Gostamos de mulatas e caipirinha"
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Há
duas semanas, a música que mais toca nas rádios brasileiras
é uma balada romântica daquelas bem derramadas, em
que o sujeito diz que a vida é insuportável sem a
amada ao seu lado. Tudo bem trivial, não fosse por um detalhe:
em vez de rimar coração com aflição,
a letra rima corazón com aflicción (e
também com cajón, que quer dizer "caixotão").
Trata-se, enfim, de uma canção cantada em castelhano.
E isso é uma surpresa, visto que o apreço dos brasileiros
pela música latina é semelhante ao que eles têm
pela Seleção Argentina de Futebol: algo próximo
do zero. Só muito raramente artistas dessa origem conseguem
quebrar o gelo por aqui exatamente a proeza realizada pela
banda mexicana Maná, autora do hit em questão, Vivir
sin Aire.
É
possível contar nos dedos os cantores de língua espanhola
que fizeram sucesso no Brasil nos últimos dez anos ou mais.
Parte do problema é lingüístico embora
muito próximo do português, o espanhol soa áspero
aos ouvidos brasileiros. Há também algum preconceito
por parte do público mais jovem, que associa a língua
aos boleros que os avós escutavam no namoro. Seja como for,
o panteão ficou restrito a alguns cantores melosos, como
Julio Iglesias e Luis Miguel, e a algumas estrelas pop, como Shakira
e Ricky Martin. Desses, só Shakira e Iglesias conseguiram
vendagens realmente estrondosas no Brasil a primeira com
750.000 cópias do CD Pies Descalzos (1996) e o segundo
com 1,9 milhão de cópias do disco De Niña
a Mujer (1988). Nesse contexto, não deixa de ser uma
novidade a ascensão do Maná, uma banda de rock.
A causa imediata do sucesso de Vivir sin Aire foi sua inclusão
na trilha sonora da novela Mulheres Apaixonadas, como tema
das namoradas Clara e Rafaela. Mesmo sem esse empurrãozinho,
contudo, é provável que o Maná acabasse estourando
nas rádios. Faz algum tempo que eles investem no mercado
brasileiro. Têm três discos lançados aqui, com
120.000 cópias vendidas no total, já fizeram shows
a troco de quase nada em casas de espetáculos de São
Paulo e do Rio de Janeiro e aceitam aparecer em todo tipo de programa
de rádio e televisão para promover-se. Meses atrás,
foram ao Superpop, da apresentadora Luciana Gimenez. "Ela
é a senhora Mick Jagger, não é isso? Muito
bonita, mas meio engraçada, nem dançou direito enquanto
a gente tocava", diz Fher Olvera, vocalista e líder do grupo.
Formado no início da década passada, o Maná
é idolatrado no México e também muito afamado
internacionalmente. Misturando baladas românticas a músicas
de tema político, e ritmos salerosos com guitarras
de heavy metal, os "reis do rock latino" fazem sucesso até
nos Estados Unidos, onde já venderam 5 milhões de
discos. Do ponto de vista comercial, portanto, a aposta do Maná
no Brasil está longe de ser a mais rentável que eles
poderiam fazer. Por que, então, tanto interesse no país?
"Gostamos de mulatas e caipirinha", diz Fher. Uepa!
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