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Gastronomia
Lindos
de ver e comer
Os
bolos feitos por designers são
as grandes atrações das festas

Bel
Moherdaui
Fotos Divulgação
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Até
há pouco tempo era simples: bolo com decoração
elaborada era privilégio de casamento e o encarregado de
confeccioná-lo chamava-se boleiro. Hoje, os bolos modernos
viraram inacreditáveis esculturas de açúcar
e quem os prepara não se intitula mais boleiro, mas "cake
designer". Na festa de 70 anos do embaixador Paulo Tarso Flecha
de Lima, em Brasília, a novidade divertiu os convidados.
No lugar de um bolo com cobertura de chocolate, cerejas e velas,
o que se viu foi uma divertida versão em forma de derrière,
com um bonequinho do embaixador sentado no topo. A obra, da badalada
confeiteira Isabella Suplicy, de São Paulo, era toda comestível
(brigadeiro decorado com massa de açúcar), bonequinho
incluído. "Hoje, o bolo é uma atração
à parte em qualquer festa. Tem mães que abrem mão
de uma comemoração maior em troca de um bolo requintado",
afirma Lilian Tognato, que, com a sócia Andréa Rangel,
chega a fazer cinqüenta unidades por mês. Dependendo
da decoração, o preço do quilo pode chegar
a 100 reais.
A
técnica de confeitaria usada pelos novos boleiros é
popular em países como Inglaterra, Austrália e Estados
Unidos, mas sua tradição remonta à Alemanha.
Mais precisamente a Nuremberg. Ali, por volta do ano 1500, mestres
confeiteiros começaram a fazer bolos de mais de 2 metros
de altura cobertos com massa de açúcar. As peças,
tão insossas quanto impressionantes, foram sendo trabalhadas
até se tornarem o centro das atenções nos banquetes
do Renascimento. Na França, os bolos daquele período
histórico imitavam templos, palácios e animais
bem diferentes dos singelos bolos da Antiguidade, simples pãezinhos
adocicados. É bem verdade que, para os romanos, o gosto do
doce não fazia muita diferença. Até por volta
do ano 100 antes de Cristo, os bolos romanos, pelo menos os de casamento,
não eram para ser comidos, mas para ser jogados e despedaçados
na cabeça da noiva num estranhíssimo ritual
que, acreditava-se, atraía fertilidade e sorte para o casal.
Entre os clássicos contemporâneos, entrou para a história
o bolo de cinco andares cortado pela futura primeira-dama dos Estados
Unidos Jacqueline Kennedy em seu casamento com John Kennedy, em
1953. Confeiteiros do mundo inteiro ainda confeccionam réplicas
daquele bolo.
Os
bolos-esculturas de hoje envolvem três tipos de massa de açúcar
(tradução: são doces, muito doces). Uma cobre
o bolo e tem consistência de bala de coco; outra é
elástica e maleável, para fazer detalhes como flores
e babados; e a terceira é mais firme, para criar castelos
e casinhas. "É como se fosse uma massa de modelar, só
que comestível", explica a paulista Patricia Schmidt, que
já fez bolos para os apresentadores Fausto Silva, Xuxa (no
aniversário da filha, Sasha), Adriane Galisteu e Luciana
Gimenez. O que a ex de Mick Jagger levou para o roqueiro comemorar
o aniversário do filho dos dois, Lucas, imitava uma cama
em forma de coração, com três bonequinhos deitados
representando o aniversariante e seus pais. O colorido da massa
(sim, há bolos azuis, verdes e até pretos) é
dado por corantes comestíveis que podem ser misturados aos
ingredientes ou usados para pintar a peça. Dá trabalho.
"Já fiquei 26 horas em cima de um bolo", conta Patricia.
Tem doce em forma de tudo: porta-jóias, mesa de carteado
e até bolsa Chanel. As versões mais apimentadas também
fazem sucesso. "Em despedida de solteiro, nem queira saber o que
me pedem", diz a mineira Rosely Bonfante, trinta anos de confeitaria.
O
currículo das confeiteiras não registra apenas sucessos.
"Tem algumas coisas que não dá para fazer", admite
Isabella. "Uma vez me pediram um prédio. Caiu quatro vezes
até eu entregar. Refiz pela quinta vez e agora não
faço nunca mais", avisa. Para comemorar a estréia
de uma peça de teatro em São Paulo, ela confeccionou
um bolo em forma de palco com bonecos de todos os personagens. Para
o casamento de dois surfistas, a carioca Regina Rodrigues montou,
a pedido dos noivos, uma onda cor do mar recheada de baba-de-moça.
Engana-se quem pensa que as obras das confeiteiras são só
para ser admiradas. Nos recheios de suas esculturas de açúcar,
constam ingredientes como trufas de chocolate, jabuticaba, gengibre,
maçã com nozes e damasco e outras delícias.
Quer dizer: além de bonitos, são gostosos. Melhores,
só se não engordassem.
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