Edição 1815 . 13 de agosto de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Saúde
De volta ao chá

Pílulas de ervas e frutas são a
nova promessa para emagrecer


Paula Neiva


Especial VEJA Saúde

A última promessa contra os quilos em excesso se faz com extrato de chá verde, erva-mate, laranja-amarga sevilhana (a nossa laranja-da-terra) e guaraná. A levar em conta o furor que as novas fórmulas para emagrecer vêm causando nos Estados Unidos, em breve elas devem provocar o mesmo alvoroço por aqui. Ao combinar vários desses compostos em uma única pílula, seus fabricantes prometem maravilhas: acelerar o metabolismo e, com isso, turbinar a queima de calorias pelo organismo, além de inibir o apetite e aumentar a disposição. Esse arsenal natureba conquistou os americanos há pouco mais de um ano e já movimenta cerca de 1,2 bilhão de dólares anualmente – o equivalente a 33% do mercado de suplementos nutricionais para perder peso.

A milenar medicina chinesa já descreveu as propriedades terapêuticas de diversas plantas e ervas, sobretudo as do chá verde. O consumo da bebida está associado à prevenção de diversas doenças, como os distúrbios cardíacos e alguns tipos de câncer. A novidade está na mistura do extrato de chá verde com erva-mate, laranja ou guaraná. O sucesso dessas pílulas é conseqüência direta da derrocada da vedete dos compostos naturais para emagrecer, os comprimidos à base de efedrina. Derivada da planta asiática Ephedra sinica, a substância é comprovadamente um potente acelerador do metabolismo. Recentemente, no entanto, o uso de efedrina foi relacionado a uma centena de mortes por infartos e derrames. No Brasil, desde 1995, ela só é permitida em alguns descongestionantes nasais, sob orientação médica. Nos Estados Unidos, os fabricantes das pílulas com efedrina começaram a retirá-las das prateleiras e a substituí-las por produtos com poderes supostamente semelhantes. É o caso do Metabolife Ephedra-Free, da Metabolife, do Total Lean, da GNC, e do Total Control, da Herbalife – só para citar os mais famosos.

Como são feitos à base de ingredientes naturais, esses compostos dispensam o aval da rigorosa agência americana de controle de remédios e alimentos, o FDA. Na teoria, eles prometem conter um dos processos mais nefastos da ação do tempo. A partir dos 30 anos, o organismo tende a trabalhar em ritmo mais lento. O resultado é aterrador: pneus ao redor da cintura, coxas mais roliças e barrigas salientes. Na prática, os estudos sobre a segurança e eficácia dessas pílulas ainda são escassos (veja quadro abaixo). "O extrato da laranja, por exemplo, contém uma substância similar à efedrina", diz o bioquímico paranaense Luis Carlos Marques. "Por isso, se consumida em excesso, pode acarretar os mesmos problemas." A maioria das pesquisas é feita com grupos pequenos de pessoas e por curtos períodos de tempo. Uma delas provou os benefícios do chá verde na perda de peso ao testar apenas dez homens. Conforme esse trabalho, seis deles registraram um aumento no ritmo metabólico equivalente ao gasto de 80 calorias a mais por dia – nada que uma caminhada de parcos dez minutos não possa queimar.

 


 
 
 
topo voltar