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Saúde
De
volta ao chá
Pílulas
de ervas e frutas são a
nova promessa para emagrecer

Paula
Neiva
A
última promessa contra os quilos em excesso se faz com extrato
de chá verde, erva-mate, laranja-amarga sevilhana (a nossa
laranja-da-terra) e guaraná. A levar em conta o furor que
as novas fórmulas para emagrecer vêm causando nos Estados
Unidos, em breve elas devem provocar o mesmo alvoroço por
aqui. Ao combinar vários desses compostos em uma única
pílula, seus fabricantes prometem maravilhas: acelerar o
metabolismo e, com isso, turbinar a queima de calorias pelo organismo,
além de inibir o apetite e aumentar a disposição.
Esse arsenal natureba conquistou os americanos há pouco mais
de um ano e já movimenta cerca de 1,2 bilhão de dólares
anualmente o equivalente a 33% do mercado de suplementos
nutricionais para perder peso.
A
milenar medicina chinesa já descreveu as propriedades terapêuticas
de diversas plantas e ervas, sobretudo as do chá verde. O
consumo da bebida está associado à prevenção
de diversas doenças, como os distúrbios cardíacos
e alguns tipos de câncer. A novidade está na mistura
do extrato de chá verde com erva-mate, laranja ou guaraná.
O sucesso dessas pílulas é conseqüência
direta da derrocada da vedete dos compostos naturais para emagrecer,
os comprimidos à base de efedrina. Derivada da planta asiática
Ephedra sinica, a substância é comprovadamente
um potente acelerador do metabolismo. Recentemente, no entanto,
o uso de efedrina foi relacionado a uma centena de mortes por infartos
e derrames. No Brasil, desde 1995, ela só é permitida
em alguns descongestionantes nasais, sob orientação
médica. Nos Estados Unidos, os fabricantes das pílulas
com efedrina começaram a retirá-las das prateleiras
e a substituí-las por produtos com poderes supostamente semelhantes.
É o caso do Metabolife Ephedra-Free, da Metabolife, do Total
Lean, da GNC, e do Total Control, da Herbalife só
para citar os mais famosos.
Como
são feitos à base de ingredientes naturais, esses
compostos dispensam o aval da rigorosa agência americana de
controle de remédios e alimentos, o FDA. Na teoria, eles
prometem conter um dos processos mais nefastos da ação
do tempo. A partir dos 30 anos, o organismo tende a trabalhar em
ritmo mais lento. O resultado é aterrador: pneus ao redor
da cintura, coxas mais roliças e barrigas salientes. Na prática,
os estudos sobre a segurança e eficácia dessas pílulas
ainda são escassos (veja quadro abaixo). "O extrato
da laranja, por exemplo, contém uma substância similar
à efedrina", diz o bioquímico paranaense Luis Carlos
Marques. "Por isso, se consumida em excesso, pode acarretar os mesmos
problemas." A maioria das pesquisas é feita com grupos pequenos
de pessoas e por curtos períodos de tempo. Uma delas provou
os benefícios do chá verde na perda de peso ao testar
apenas dez homens. Conforme esse trabalho, seis deles registraram
um aumento no ritmo metabólico equivalente ao gasto de 80
calorias a mais por dia nada que uma caminhada de parcos
dez minutos não possa queimar.
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