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Estados
Unidos
Aversão
ao Tio Sam
Megapesquisa
em onze países coloca o Brasil
entre aqueles com maior antiamericanismo
Um dos efeitos notáveis da guerra no Iraque foi dar fôlego
a um sentimento que andava por baixo: o antiamericanismo. Às
vésperas da invasão e durante os combates, manifestações
públicas em vários países deram prova de uma
oposição global à política do presidente
George W. Bush. De certa forma, a guerra serviu de válvula
de escape para que muita gente expressasse a aversão difusa
que existe ao simples fato de haver uma superpotência. Quatro
meses depois do colapso do regime de Saddam Hussein no Iraque, uma
grande pesquisa de opinião pública feita pela rede
inglesa de televisão BBC fornece uma boa oportunidade de
conferir como anda o prestígio internacional dos Estados
Unidos. A pesquisa perguntou a 11.000
pessoas em onze países o que pensam sobre o governo, o povo,
as políticas e a cultura dos Estados Unidos. Além
dos próprios americanos, foram ouvidos habitantes da Austrália,
Brasil, Canadá, Coréia do Sul, França, Indonésia,
Inglaterra, Israel, Jordânia e Rússia. Os resultados:
dois de cada três entrevistados discordam da política
externa do presidente Bush e quatro em cada dez têm uma visão
negativa dos Estados Unidos. Neste quesito, um dado surpreendente
é que o Brasil só está atrás da Jordânia,
um país árabe e muçulmano, no ranking do antiamericanismo
(veja os porcentuais no
quadro).
O
resultado da pesquisa é indicativo de que a política
externa de Bush não causou apenas estragos no prestígio
internacional de seu governo. Arranhou também a imagem que
outros povos têm da população americana. Entre
os países de maioria muçulmana, como Jordânia
e Indonésia, a hostilidade era mais do que esperada. Os franceses
também não são surpresa, dada a oposição
oficial da França à política americana no Oriente
Médio. Mais difícil é entender a força
do sentimento antiamericano no Brasil, sobretudo porque tem pontos
contraditórios. Sete de cada dez brasileiros ouvidos na pesquisa
da BBC acreditam que os americanos fizeram por merecer os ataques
terroristas de 11 de setembro de 2001. Mas a maioria também
identifica os Estados Unidos como um país democrático
e admira seu modelo econômico, suas instituições
e sua riqueza cultural. "Nós criticamos aquilo que desejamos
ser e não conseguimos. Temos de colocar a culpa em alguém",
interpreta Reginaldo Nasser, coordenador do curso de relações
internacionais da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo (PUC-SP). O mesmo sentimento contraditório
aparece com relação aos produtos culturais e de consumo
americanos. Música, cinema, jeans, fast foods e seriados
de televisão americanos têm público cativo no
Brasil mas quando se vê diante do entrevistador a maioria
dos brasileiros opta por dizer que não gosta das roupas,
das bebidas e da comida americana. Uma coisa é aquilo que
os brasileiros fazem. Outra é o que falam.
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