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Estados
Unidos
A
surpresa anti-Bush
Howard
Dean, o democrata que cresce
na oposição ao presidente americano

Raul
Juste Lores
AP
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Reuters
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Dean,
em campanha: o sonho de
derrotar o favoritismo de Bush (na
foto, com a mulher, Laura)
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Faltam
quinze meses para as eleições americanas e a oposição
democrata está fragmentada entre pelo menos nove candidatos.
Por enquanto, nenhum deles representa um desafio concreto à
reeleição do presidente George W. Bush exceto,
talvez, "a surpresa". Como já ocorreu outras vezes no passado,
a esta altura da campanha eleitoral surge aquele candidato que se
vende como um não-político e se diz predestinado a
combater as "estruturas tradicionais" de poder. A novidade é
o democrata Howard Dean, ex-governador de Vermont, um Estado pequeno
e rural. Peso-leve da política americana, ele ganhou espaço
na mídia com uma estratégia simples: bater, e muito,
no presidente Bush, algo que os demais democratas relutavam em fazer.
Aos 54 anos, o médico Howard Dean apareceu e cresceu
pela oposição feroz à guerra no Iraque.
Os demais candidatos democratas ficaram calados ou até apoiaram
a guerra, com medo da pecha de antipatrióticos. Agora, com
a queda na popularidade do presidente, motivada pelo desemprego
e pelas dúvidas sobre as justificativas da guerra do Iraque,
Dean parece um candidato feito sob medida para ser uma verdadeira
alternativa a Bush.
O
que está em curso é o fascinante processo da democracia
americana. Há poucos meses, George W. Bush era um presidente
com popularidade espetacular, cuja ambição era reformar
à força a geopolítica global e projetar o poder
imperial dos Estados Unidos com vigor sem paralelos no passado.
Hoje, seu poder é desafiado por um semidesconhecido, mas
que sinaliza uma mudança mais saudável e desejável
nos rumos da superpotência. Sua principal plataforma de divulgação
também é inovadora: a internet, através da
qual arrecadou 5 milhões dos 7,5 milhões de dólares
de que dispõe para a campanha.
É
cedo para afirmar que Dean vai se sair bem no desafio das eleições
primárias para a escolha do candidato democrata. A história
americana não é animadora para candidatos anti-sistema.
No passado, outros democratas ergueram bandeiras parecidas e acabaram
triturados em algum ponto do processo eleitoral. Jimmy Carter foi
o último democrata a vir de nenhum lugar e vencer a corrida
para a Casa Branca. Em geral, o candidato-surpresa comete alguma
gafe ou se descobre que seu passado não era tão limpo
assim. "Até para Hillary Clinton, a provável candidata
democrata para 2008, é mais interessante uma vitória
de Bush", disse a VEJA o editor da revista americana Foreign
Policy, Moisés Naím. Vermont, Estado que Dean
governou por onze anos, é o segundo menos populoso dos Estados
Unidos, com apenas 600.000 habitantes.
Arkansas, que deu Bill Clinton à política americana,
tem população quatro vezes maior.
Nas
últimas quatro décadas, os únicos democratas
a chegar à Casa Branca, Jimmy Carter e Bill Clinton, eram
politicamente moderados, com boas ligações com sindicatos
e com a minoria negra. Dean é um aristocrata do norte e é
considerado, para os padrões da política americana,
como de "extrema esquerda". Além da oposição
à guerra, como governador, ele foi o primeiro a autorizar
a união civil de casais gays e vive elogiando o Estado de
bem-estar social europeu. Na hora do voto, o eleitorado americano
costuma rejeitar os candidatos extremistas sejam de direita,
sejam de esquerda. Dean e Bush têm muito em comum. Ambos são
primogênitos de família rica, estudaram em colégios
caros e se formaram em universidades de elite. Os dois arrumaram
desculpas para deixar de lutar no Vietnã e foram beberrões
até a idade madura. O resultado das eleições
presidenciais depende muito do sucesso de Bush em fazer a economia
sair da letargia e produzir novos empregos. Domada a recessão,
Bush é imbatível. Dean vai precisar surpreender muito
para chegar lá.
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