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Brasil
Mataram
mais um
Diretor
de presídio é assassinado no meio
da rua. De tão banal, a cena já não comove
os brasileiros Execução pública: Aguiar
levou dezessete tiros

Ronaldo
França
Fabio Motta/AE
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| Aguiar
é enterrado no Rio: salva de tiros em
homenagem oficial |
O
Rio de Janeiro foi palco, na semana passada, de mais uma cena de
banditismo explícito. Foi assassinado, com dezessete tiros,
o diretor do presídio de Bangu III, Abel Silvério
de Aguiar. Seu carro foi perseguido por outros dois automóveis
na Avenida Brasil, a mais movimentada do Rio. Os bandidos encapuzados
dispararam até que ele perdesse o controle da direção.
Aguiar chocou-se contra um ônibus. Os assassinos, que usavam
coletes à prova de bala e máscaras, saltaram dos carros
e atiraram mais de perto, para garantir a execução.
Duas semanas antes, Paulo Rocha, o coordenador de segurança
do complexo penitenciário, que reúne quinze unidades,
foi assassinado no mesmo local, de forma semelhante. Apesar da inaceitável
ousadia dos bandidos, não se registrou comoção
especial pelas mortes. É como se os assassinatos, mesmo quando
de agentes da lei, juízes e políticos, fossem inescapáveis
fatos da vida. Não são. Não podem ser. A história
mostra que a banalização do banditismo é um
fenômeno que, como o câncer, nasce e cresce silenciosamente.
Quando se tenta atacá-lo, em muitos casos, já é
tarde demais.
A ousadia dos bandidos é crescente. Quando eles agem de maneira
especialmente cruel, produzem reações da sociedade
na forma de manifestações públicas "pela paz"
ou "contra a violência". Essas manifestações
têm sido inócuas para conter os marginais. Elas podem
revelar, no fundo, um fenômeno de adaptação,
de amortecimento social diante do inimigo que não se sabe
mais como combater. Em junho, mês da mais recente estatística
disponível, 600 pessoas foram assassinadas no Rio. No último
trimestre, a violência ceifou 950 vidas por mês em São
Paulo. Somente nos dois principais Estados da federação
matam-se, em média, 18.600 pessoas por ano. São números
assustadoramente altos. A Guerra do Vietnã matou, em média,
20 000 pessoas por ano, somados os dois lados. O Rio e partes de
São Paulo passam por uma guerra urbana que, por sua persistência
e pela freqüência dos episódios sangrentos, acabou
se incorporando à rotina urbana.
Na semana passada, após o assassinato de Aguiar, as autoridades
fluminenses de segurança anunciaram, como de praxe, medidas
urgentes. Especula-se que o crime teria sido cometido por quadrilhas
insatisfeitas com o rigor na prisão ou em virtude de uma
disputa pelo controle das cantinas nos presídios. A polícia
promete apurar o caso. Um estudo feito pelo secretário nacional
de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, mostrou
que apenas 8% dos homicídios investigados pela polícia
são elucidados. As investigações não
costumam andar muito além do anúncio de medidas urgentes.
E, no entanto, afora as famílias, ninguém se lembra
de cobrar soluções. É como se tudo fosse muito
normal. Não é.
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