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Previdência
Para
o Brasil voltar à corrida
A
reforma da Previdência ataca o déficit
público cortando despesas do governo
em vez de elevar a carga tributária

Felipe
Patury e Leandra Peres
Na
semana passada, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial
(Iedi) reuniu a imprensa para apresentar dados impressionantes a
respeito da trajetória econômica do Brasil. Analisando-se
as taxas de crescimento anual registradas nos anos compreendidos
entre 1900 e 1973, o Iedi descobriu que o Brasil foi o campeão
mundial de crescimento econômico no período. Já
quando se tomam as duas últimas décadas, entre 1983
e 2000, o país não apenas perdeu a liderança
como passou a ocupar a modestíssima 93ª colocação
no ranking do crescimento. Muitas são as razões que
levaram o Brasil ao atoleiro, entre as quais algumas vindas de fora,
tais como o corte abrupto nas linhas de financiamento internacional,
o choque do petróleo e o surgimento dos Tigres Asiáticos.
Mas podem-se procurar respostas em solo pátrio, como a adoção
de um modelo maligno em forma de "X", que colocou em oposição
a carga tributária e o crescimento econômico. Em função
da necessidade de financiar os gastos públicos, o governo
federal não cortou suas despesas. Em vez disso, optou por
aumentar impostos. Conforme a carga tributária subia, a taxa
de crescimento da economia caía automaticamente. Em
outras palavras, para alimentar o seu corpanzil, o governo sugou
a energia vital da sociedade. A única saída para retomar
o crescimento é trilhar o caminho de volta: reduzir despesas,
baixar a carga tributária e deixar a sociedade respirar,
produzir e crescer. É por esse motivo que se deve comemorar
a aprovação da reforma da Previdência. Pela
primeira vez em muitos anos o Estado teve a coragem de passar a
faca em suas despesas, desagradando à corporação
do funcionalismo público.
O
governo Fernando Henrique Cardoso também fez um grande esforço
para reduzir o déficit público nos últimos
cinco anos. Só que há duas formas de reduzir o déficit
do governo. Podem-se cortar despesas como se fez na semana
passada ou aumentar a receita tributária. Um estudo
do economista Fabio Giambiagi, do BNDES, mostra que o esforço
para a redução do déficit público no
governo tucano passou principalmente pelo aumento de receita. De
acordo com o trabalho de Giambiagi, durante os oito anos de sua
gestão, FHC aumentou as despesas do governo na ordem de 6%
ao ano, em média. O déficit caiu pela explosão
da carga tributária, que era inferior a 30% do produto interno
bruto em 1995 e chegou a 36% do PIB no ano passado. "Mais de 80%
do ajuste fiscal do governo tucano foi obtido com aumento de receita
tributária", diz o economista Mailson da Nóbrega.
Os
impostos são a maneira mais fácil de equilibrar as
contas públicas, mas também a pior. As empresas transferem
para o caixa do governo o dinheiro que poderia ser convertido em
investimento. As pessoas que também pagam mais tributos compram
menos e poupam quase nada. O modelo funciona como um freio. O efeito
nocivo do aumento da carga tributária fica ainda mais claro
quando se compara a trajetória de crescimento do Brasil com
a de outros países emergentes. Chile, México, Tailândia
e Costa Rica, por exemplo, atingiram altas taxas de crescimento
nas últimas décadas. Em comum, esses países
têm uma carga tributária na casa de até 20%
do PIB. O Brasil deveria fazer parte desse grupo, mas pertence a
outro, em que é um estranho. Arrecada tanto quanto Alemanha,
Espanha e Canadá. A diferença é que os países
ricos devolvem o dinheiro aos seus cidadãos na forma de bons
serviços públicos e uma rede eficiente de proteção
social. "Não há hoje países crescendo a taxas
elevadas que tenham carga tributária alta como a nossa",
afirma o economista Paulo Rabello de Castro.
Observada
por seus grandes números, a reforma da Previdência
não produz economia significativa para os cofres públicos.
Estima-se que o sistema de aposentadorias dos servidores e dos empregados
da iniciativa privada tenha um rombo equivalente a toda a riqueza
que o Brasil produz em três anos. O texto aprovado na semana
passada está longe de acabar com o déficit. Abre espaço
para a redução de apenas 10% desse valor. Mas as alterações
constitucionais devem ser analisadas de forma mais complexa. Primeiro,
há a indiscutível vantagem contida na sinalização,
pois o Brasil tomou outro rumo. Outra novidade diz respeito à
correção de uma grande injustiça. O sistema
anterior dava aos funcionários públicos, um pequeno
grupo de privilegiados, o direito de possuir aposentadorias maiores
que as do resto da sociedade. A reforma reduziu os benefícios
dos funcionários públicos e, ao mesmo tempo, conseguiu
aumentar as remunerações dos aposentados da iniciativa
privada. As aposentadorias do INSS não chegavam a 2.000
reais. O teto foi elevado para 2.400,
o mesmo limite aplicado aos funcionários públicos.
É um instrumento importante de distribuição
de renda um verdadeiro Fome Zero.
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