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Cinema Guerra
no escritório Uma comédia
sobre um executivo cinqüentão em apuros vivido por
um ator cinqüentão resolvido  Marcelo
Marthe
Fotos
divulgação
 | | Quaid
(à dir.), em Em Boa Companhia: sem vergonha da barriga |
O
americano Dan Foreman (Dennis Quaid) sente na pele as turbulências da meia-idade.
Chefe do departamento de vendas de anúncios de uma revista esportiva, ele
perde o cargo quando a empresa é adquirida por uma multinacional. Foreman
passa então a ser subordinado a um executivo com metade da sua idade, que
chega para impor modernidade à empresa e tome teorias sobre trabalho
em equipe, enquanto os cortes de pessoal são desferidos sem dó.
Foreman também enfrenta contratempos domésticos. Sua mulher espera
um bebê temporão e a filha mais velha, recém-saída
da adolescência, quer estudar longe de casa. À custa do pai, claro.
Pior de tudo, ele descobre que a mesma filha, de quem morre de ciúme, tem
um affair às escondidas com... seu novo chefe. Em Boa Companhia (In
Good Company, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira,
não é a primeira comédia a se valer da crise dos 50 e do
choque de gerações (e de visões do capitalismo) como combustíveis.
A ironia aqui está no ator escalado para o papel do "dinossauro" Foreman.
Quaid é ele próprio um cinqüentão cuja carreira passou
por uma renovação providencial nos últimos anos. Ao lado
de figuras como Kevin Costner, ele pertence a uma geração masculina
de Hollywood para a qual o amadurecimento resultou em atuações mais
relaxadas e com menos maneirismos (na medida do possível). À vontade
na fita, Quaid não tem pudor nem mesmo em exibir a barriga fora de forma.
 | | Scarlett
Johansson: uma adolescente no ataque |
O mote de Em Boa Companhia poderia ser o de uma comédia do austríaco
Billy Wilder (1906-2002), diretor de Se Meu Apartamento Falasse. Nas mãos
dos irmãos Peter e Chris Weiz (o primeiro assina a direção
e o segundo, a produção), não rende mais que um filme simpático,
mas irregular. A trama vai bem enquanto seu retrato do novo mundo corporativo
tem as cores do cinismo. A certa altura, contudo, o filme cai na tentação
de transformar o turrão Foreman num herói idealista em luta contra
o apetite desenfreado pelo lucro, representado pelas novas idéias gerenciais
um discurso ingênuo e datado. Em Boa Companhia ressente-se,
além disso, de um final anticlimático. Mas tudo bem: a presença
da atriz Scarlett Johansson (de Moça com Brinco de Pérola),
no papel da bela e atirada, sexualmente filha de Foreman, contribui
para que esses tropeços não agridam tanto o espectador. Da mesma
forma, a atuação de Quaid confere uma certa dignidade ao protagonista.
Quanto ao novato Carter Duryea, revelação do seriado juvenil That
'70s Show que faz as vezes do chefe do personagem, está exagerado e
aborrecido em cena. Se não tomar cuidado, a ansiedade pode prejudicar sua
transição promissora da TV ao cinema. E nem todos têm uma
segunda chance aos 50. |