Edição 1913 . 13 de julho de 2005

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Cinema
Guerra no escritório

Uma comédia sobre um executivo
cinqüentão em apuros – vivido por
um ator cinqüentão resolvido


Marcelo Marthe

 
Fotos divulgação
Quaid (à dir.), em Em Boa Companhia: sem vergonha da barriga

EXCLUSIVO ON-LINE
Fotos do filme

DA INTERNET
Trailer

O americano Dan Foreman (Dennis Quaid) sente na pele as turbulências da meia-idade. Chefe do departamento de vendas de anúncios de uma revista esportiva, ele perde o cargo quando a empresa é adquirida por uma multinacional. Foreman passa então a ser subordinado a um executivo com metade da sua idade, que chega para impor modernidade à empresa – e tome teorias sobre trabalho em equipe, enquanto os cortes de pessoal são desferidos sem dó. Foreman também enfrenta contratempos domésticos. Sua mulher espera um bebê temporão e a filha mais velha, recém-saída da adolescência, quer estudar longe de casa. À custa do pai, claro. Pior de tudo, ele descobre que a mesma filha, de quem morre de ciúme, tem um affair às escondidas com... seu novo chefe. Em Boa Companhia (In Good Company, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira, não é a primeira comédia a se valer da crise dos 50 e do choque de gerações (e de visões do capitalismo) como combustíveis. A ironia aqui está no ator escalado para o papel do "dinossauro" Foreman. Quaid é ele próprio um cinqüentão cuja carreira passou por uma renovação providencial nos últimos anos. Ao lado de figuras como Kevin Costner, ele pertence a uma geração masculina de Hollywood para a qual o amadurecimento resultou em atuações mais relaxadas e com menos maneirismos (na medida do possível). À vontade na fita, Quaid não tem pudor nem mesmo em exibir a barriga fora de forma.

 

Scarlett Johansson: uma adolescente no ataque

O mote de Em Boa Companhia poderia ser o de uma comédia do austríaco Billy Wilder (1906-2002), diretor de Se Meu Apartamento Falasse. Nas mãos dos irmãos Peter e Chris Weiz (o primeiro assina a direção e o segundo, a produção), não rende mais que um filme simpático, mas irregular. A trama vai bem enquanto seu retrato do novo mundo corporativo tem as cores do cinismo. A certa altura, contudo, o filme cai na tentação de transformar o turrão Foreman num herói idealista em luta contra o apetite desenfreado pelo lucro, representado pelas novas idéias gerenciais – um discurso ingênuo e datado. Em Boa Companhia ressente-se, além disso, de um final anticlimático. Mas tudo bem: a presença da atriz Scarlett Johansson (de Moça com Brinco de Pérola), no papel da bela – e atirada, sexualmente – filha de Foreman, contribui para que esses tropeços não agridam tanto o espectador. Da mesma forma, a atuação de Quaid confere uma certa dignidade ao protagonista. Quanto ao novato Carter Duryea, revelação do seriado juvenil That '70s Show que faz as vezes do chefe do personagem, está exagerado e aborrecido em cena. Se não tomar cuidado, a ansiedade pode prejudicar sua transição promissora da TV ao cinema. E nem todos têm uma segunda chance aos 50.

 
 
 
 
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