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Televisão
O mascate eletrônico
Como o empresário Luiz Galebe
fez fortuna com um canal
que vende de tudo. Mesmo

Ricardo Valladares
Roberto Setton
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| Galebe, no estúdio do Shop Tour: colecionando
aeronaves e processos |
Na infância, o empresário
paulista Luiz Antonio Galebe vendia sanduíches na escola
e pipas na feira de seu bairro. Aos 13 anos, fez seu primeiro "rolo":
trocou um aparelho de som por um kart. Aos 18, inaugurou um negócio,
que consistia em fornecer lixeiras de graça a shopping centers
de São Paulo, em troca do direito de explorar a publicidade
neles. Galebe é um sujeito que tem o verbo "vender" em seu
DNA e foi na televisão que ele encontrou o melhor
palanque para exercitar sua lábia. O empresário foi
pioneiro em trazer para o Brasil programas inspirados num canal
americano, o QVC, dedicado inteiramente ao anúncio de produtos.
Dono do Shop Tour, levado a todo o país pela TVA e pela NET
e por canais UHF, Galebe tornou-se um caso peculiar na TV brasileira.
O Shop Tour faturou 50 milhões de reais no ano passado
metade do que obteve no período uma emissora como a Rede
TV!, que tem estrutura muito maior e briga pelo quarto lugar entre
as grandes redes do país. É verdade que há
outro canal de vendas na TV paga, o Shoptime, que fatura mais. Mas
seu perfil é diferente ele faz vendas diretas, em
vez de apenas anunciar e seu principal proprietário
é um peso-pesado, as Organizações Globo. Como
empreendedor individual, Galebe não tem similar.
Galebe põe seus dotes
de comunicador a serviço de empresas que vendem de tapetes
a aviões, de câmeras digitais a imóveis. Além
de língua afiada para atrair consumidores, ele também
sabe como deixar tímidos donos de loja à vontade diante
das câmeras de televisão. A programação
do Shop Tour é de 22 horas e meia de anúncios. Eles
só não preenchem as 24 horas do dia porque, por lei,
o canal é obrigado a ter pelo menos uma hora e meia de "intervalos"
educativos. Um deles é sobre direitos do consumidor
algo providencial. Mas a maioria dos "educativos" fala de carros,
aviões e produtos de tecnologia. Se o espectador se interessar
por algo, basta esperar a volta da programação normal
para comprar um similar.
Galebe emprega 300 pessoas e
acumulou um patrimônio invejável. Só o prédio
de 4.000 metros quadrados do Shop Tour, num bairro paulistano de
classe alta, é avaliado em 20 milhões de reais. O
canal mantém dezessete equipes de filmagem, cada qual com
um operador de câmera e um vendedor-apresentador treinado
segundo os princípios "galebianos" das boas vendas (veja
quadro). O Shop Tour possui em sua frota um avião
Cessna Citation e dois helicópteros Robinson dotados de câmeras
para tomadas aéreas. Há ainda um helicóptero
italiano Agusta de seis lugares, avaliado em 5 milhões de
reais a menina-dos-olhos de Galebe. "Tenho uma Mercedes-Benz
velha, 1997. Mas meu barato é mesmo pilotar", diz ele, que
faz pessoalmente os anúncios desse tipo de produto.
Galebe desbravou o filão
em que atua em 1987. A primeira experiência foi feita com
uma câmera emprestada. "Ao contrário dos anúncios
comuns, o nosso custava barato e era veiculado num horário
em que ninguém apostava", diz. Ele passou então a
ocupar mais e mais espaço nas madrugadas. Até 1994,
na Rede Record. Depois, num canal UHF, o CBI, pertencente ao empresário
João Carlos Di Genio, dono da rede Objetivo de colégios.
No fim do ano passado, após mais de uma década como
inquilino (o "aluguel" mensal era de 700.000 reais), o Shop Tour
foi desalojado dali. A princípio, Galebe não achou
a mudança problemática, pois ele havia adquirido um
canal próprio em 1999. Dias depois da troca, porém,
descobriu que o CBI também estava sendo usado para vendas.
Por causa disso, abriu um processo contra Di Genio, sob a alegação
de que sua programação fora copiada. "Fui apunhalado.
As pessoas não percebem a diferença e assistem ao
outro canal pensando que é o Shop Tour", diz. Di Genio, evidentemente,
discorda. "Vender na televisão não é monopólio
dele", comenta. A nova situação coloca Galebe em xeque:
por causa do concorrente, sua receita pode cair pela metade em 2005.
Essa não é a única
pendenga em que o mascate eletrônico está metido. Ele
enfrenta um processo movido pela ex-mulher Maria Cristina Rodrigues
dos Santos, com quem foi casado por dez anos. Ela reivindica uma
participação de 15% no negócio. Galebe alega
que a ex chegou a grampear seus telefones. Já Maria Cristina
diz que foi ele quem plantou os grampos, para incriminá-la.
"Para que eu faria isso? Quero mais é que ele seja feliz
com sua nova mulher", diz ela. Aos 50 anos, Galebe tem seis filhos
e está no quarto casamento. Oriundo de uma família
de classe média de descendentes de libaneses, ele é
um sujeito vaidoso. Só toma água francesa Perrier
e disfarçou a calvície com um implante de cabelo.
Atualmente, sua leitura preferida é a Bíblia.
Numa edição eletrônica à venda em seu
canal.
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