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Saúde Pode
se servir à vontade É o
que promete um novo tipo de suplemento natural que evitaria a absorção
de carboidratos pelo organismo  Giuliana
Bergamo
Desde que os americanos colocaram
no banco dos réus os alimentos ricos em carboidratos, tidos como os grandes
culpados pelo aumento da obesidade, as prateleiras dos supermercados foram inundadas
por produtos low carb em português, aqueles que contêm
baixo teor de carboidratos. São salgadinhos, pães, massas e até
doces com menos carboidratos do que na versão original. O problema é
que poucos, muito poucos, conseguem se manter fiéis a esse tipo de dieta.
Impossível resistir ao sabor de um prato de massa de verdade, com toda
aquela quantidade de carboidratos. Abriu-se, então, o caminho para mais
um modismo americano, é claro, mas que já começa a
ganhar adeptos no Brasil: o dos suplementos naturais chamados interceptadores
de carboidratos, à base de feijão-branco. Cápsulas ingeridas
pouco antes da refeição seriam capazes de diminuir, e em alguns
casos até impedir, a absorção de carboidratos pelo organismo.
O processo se daria da seguinte forma: ao chegarem ao intestino, duas enzimas
se encarregam de transformar o carboidrato em glicose, fonte de energia para células
e músculos do corpo. Em excesso, a glicose que resulta da digestão
desses alimentos é estocada sob a forma de gordura. Ou seja, engorda. Ao
bloquear a ação da alfa-amilase e da alfa-glicosidase, os nomes
das duas enzimas, seria evitada a quebra de moléculas de amido e açúcar
(dois grupos de carboidratos), que passariam incólumes pelo organismo.
Segundo o fabricante do Carb Intercept, um dos suplementos mais consumidos, existem
estudos que mostram que apenas 15% do carboidrato contido numa fatia de pão,
por exemplo, é absorvido pelo organismo. O resto seria totalmente eliminado.
O princípio de ação
dos interceptadores de carboidratos naturais, apregoado por seus fabricantes,
é muito parecido com o da acarbose, o primeiro medicamento alopático
a retardar a digestão e a absorção de carboidratos e açúcar
comum. Sob o nome comercial de Glucobay, o remédio é indicado apenas
para os diabéticos. Ao reduzir a ação da alfa-glicosidase
no intestino, a acarbose livra o diabético das altas concentrações
de glicose no sangue após as refeições. Inicialmente, os
pesquisadores que desenvolveram a molécula sintética do Glucobay
direcionaram seu trabalho para criar um medicamento contra a obesidade. Os testes
com a substância, contudo, não confirmaram seu efeito emagrecedor
ela controla a ação da alfa-glicosidase, mas não a
bloqueia. Nos Estados Unidos, o Carb Intercept não tem o aval da FDA, a
agência americana que controla a venda de alimentos e remédios. Por
isso, os médicos não arriscam indicar o produto para quem deseja
empanturrar-se de carboidratos e, ainda assim, não fazer feio na balança.
Mas quem toma as cápsulas de feijão-branco relata que, depois de
ingerir o suplemento, um prato de espaguete desce levinho, levinho. Assim é
se lhe parece. |