Edição 1913 . 13 de julho de 2005

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Espaço
No alvo a 134 milhões de Km

O sucesso da missão Deep Impact abre
caminho para entender os mistérios dos
cometas e do sistema solar


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Como acertar um cometa no espaço

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Fotos
Mais informações da missão

DA INTERNET
Vídeo que simula o encontro entre uma nave da Nasa e o cometa Tempel 1

Sessenta e cinco milhões de anos atrás, a queda de um asteróide extinguiu os dinossauros. Da próxima vez que um pedregulho espacial ameaçar a vida terrrestre, a história poderá ser diferente. Na segunda-feira passada, ao atingir um cometa a 134 milhões de quilômetros da Terra, uma sonda americana demonstrou que já se tem tecnologia para acertar um corpo celeste no espaço. Estima-se que em dez anos será possível destruir ou desviar de sua rota um asteróide antes que ele alcance a atmosfera do planeta. Levada pela nave-mãe numa viagem de seis meses, a sonda Impactor foi ejetada no domingo passado e no dia seguinte colidiu com o cometa Tempel 1, à velocidade de 37 000 quilômetros horários. O choque levantou tanta poeira e gelo que os cientistas americanos levarão vários dias até conseguir enxergar com nitidez – através das fotografias tiradas pela nave-mãe – a cratera aberta pela sonda na superfície do cometa e o que existe em seu interior.

Esse pode ser o ponto de partida para revelações surpreendentes. Os cometas são tidos como peças-chave para se aprofundar o conhecimento sobre as origens do universo. Acredita-se que, sob a camada aparente de gelo, gases e rochas, se abriguem resíduos da criação do sistema solar, ocorrida há 4,5 bilhões de anos. Por não ficar continuamente exposto ao calor do Sol, como acontece com os planetas, seu interior gelado teria permanecido inalterado através das eras. Algumas teorias consideram que os cometas foram responsáveis pela chegada da vida à Terra. Eles teriam trazido a água dos oceanos e também as moléculas de carbono, base de todos os compostos orgânicos. As fotografias tiradas pela sonda Impactor ao se aproximar do Tempel 1, a última delas a apenas três segundos da colisão, mostram que a superfície do cometa é parecida com a da Lua, com grandes planícies e crateras circulares. A nave-mãe da missão Deep Impact permanecerá por algum tempo no espaço, enviando os dados coletados sobre o Tempel 1. Prevê-se que a análise de alguns desses dados, por parte da Nasa, a agência espacial americana, possa demorar um ano.

 
 
 
 
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