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Espaço No
alvo a 134 milhões de Km O sucesso
da missão Deep Impact abre caminho para entender os mistérios
dos cometas e do sistema solar
Sessenta
e cinco milhões de anos atrás, a queda de um asteróide extinguiu
os dinossauros. Da próxima vez que um pedregulho espacial ameaçar
a vida terrrestre, a história poderá ser diferente. Na segunda-feira
passada, ao atingir um cometa a 134 milhões de quilômetros da Terra,
uma sonda americana demonstrou que já se tem tecnologia para acertar um
corpo celeste no espaço. Estima-se que em dez anos será possível
destruir ou desviar de sua rota um asteróide antes que ele alcance a atmosfera
do planeta. Levada pela nave-mãe numa viagem de seis meses, a sonda Impactor
foi ejetada no domingo passado e no dia seguinte colidiu com o cometa Tempel 1,
à velocidade de 37 000 quilômetros horários. O choque levantou
tanta poeira e gelo que os cientistas americanos levarão vários
dias até conseguir enxergar com nitidez através das fotografias
tiradas pela nave-mãe a cratera aberta pela sonda na superfície
do cometa e o que existe em seu interior.
Esse pode ser o ponto de partida para revelações surpreendentes.
Os cometas são tidos como peças-chave para se aprofundar o conhecimento
sobre as origens do universo. Acredita-se que, sob a camada aparente de gelo,
gases e rochas, se abriguem resíduos da criação do sistema
solar, ocorrida há 4,5 bilhões de anos. Por não ficar continuamente
exposto ao calor do Sol, como acontece com os planetas, seu interior gelado teria
permanecido inalterado através das eras. Algumas teorias consideram que
os cometas foram responsáveis pela chegada da vida à Terra. Eles
teriam trazido a água dos oceanos e também as moléculas de
carbono, base de todos os compostos orgânicos. As fotografias tiradas pela
sonda Impactor ao se aproximar do Tempel 1, a última delas a apenas três
segundos da colisão, mostram que a superfície do cometa é
parecida com a da Lua, com grandes planícies e crateras circulares. A nave-mãe
da missão Deep Impact permanecerá por algum tempo no espaço,
enviando os dados coletados sobre o Tempel 1. Prevê-se que a análise
de alguns desses dados, por parte da Nasa, a agência espacial americana,
possa demorar um ano. |