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Moda A
hora da adaptação Desfiles
encerrados, as grifes de biquíni redesenham o que não dá
para usar de verdade  Roberta
Salomone Fotos
Marcio Madeira, Maria Valentino/Fotosite, Claudio Pedroso/Reuters e Alexandre
Schneider
 | | Em
desfile: mistura de tecidos, renda, argolas, crochê, Carmen Miranda e Raica de
metade biquíni, metade maiô |
O biquíni
mais sensacional da próxima fornada não é um biquíni.
É a estranha peça da foto à esquerda (um "jeansquíni"?),
produção da marca Zoomp mostrada na semana de moda de São
Paulo, que une conceitos sofisticados de moda à exuberante vulgaridade
do figurino das garotas dos bailes funk. É preciso muita audácia,
fashion ou funk, para sair pelo mundo vestindo a peça (que vai custar 360
reais na loja). Se não for adotada nem pelas brasileiras, que amam as duas
coisas jeans e biquíni e são reputadas pela disposição
em mostrar o corpo e provocar a audiência, não tem importância.
A roupa terá feito história na categoria das ousadias estilísticas
que dão o que falar na passarela, mas, normalmente, não são
vistas fora dela. Criar peças de grande impacto, mas quase nenhuma aplicação
prática, é quase obrigatório quando se trata da moda praia:
imaginem desfile após desfile mostrando apenas o que se usa na vida real
(sutiã de cortininha-calcinha de lacinho, com quase zero de recortes e
detalhes, para não interferir no bronzeado). Seria um tédio só,
mesmo se considerando a beleza das modelos e a graça dos adereços.
Por isso, encerrada a maratona de montagem dos desfiles, começa agora o
segundo turno da criação aquele dedicado a transformar experiências
estilísticas em peças usáveis e vendáveis. "O trabalho
conceitual dá resultado na passarela, mas é o básico que
vende", atesta a carioca Lenny Niemeyer. A estilista reserva 20% de sua coleção
para modelos de belo efeito visual como o biquíni marrom (na foto acima),
composto de calcinha micro e sutiã cheio de personalidade, com alças
largas e argolas de metal revestidas de bolinhas de latão ("Trabalhoso
demais e caro demais", resume Lenny).
 | | Jeans
e biquíni na mesma peça de brim: é fashion e é funk |
Em
outra marca conhecida de moda praia, a Salinas, a estilista Jacqueline De Biase
está enfurnada há dias na fábrica, na Zona Norte do Rio de
Janeiro, com uma equipe de dez pessoas para fazer modificações nos
biquínis e maiôs inspirados em Carmen Miranda. As calcinhas vão
ficar menores, vários decotes serão refeitos para dar mais conforto
e mobilidade, os maiôs inteiros, tão bonitos e tão pouco usados,
praticamente vão desaparecer. Das peças mostradas no desfile, 60%
ganharão novos contornos. Impedidos de ousar muito em modelagem, os produtos
que irão para as lojas (muito cedo neste ano, provavelmente, a julgar pelas
temperaturas do inverno) procuram se destacar pelas inovações têxteis
e pelas cores e estampas muitas, fortes, brilhantes e chamativas, em coleções
cheias de vitalidade e energia que devem fazer deste, pelo menos em termos de
moda, um esfuziante verão.
Refletindo uma tendência geral da moda, em todas as esferas, os componentes
artesanais têm presença maciça: muitos e delicados apliques
de crochê (uma reminiscência dos anos 70 que ficou ainda mais realista
no corpo espetacular e na cabeleira escorrida da modelo Daniella Sarahyba, em
desfile da Cia. Marítima) e até peças de renda nordestina,
como as da Rosa Chá, que adotou como ingrato tema o cangaço
e, apesar disso, fez bonito. Também chamam atenção as combinações
de tecidos, como Lycra com brim, plush, lurex ou cambraia, e os recortes inusitados.
Com um desses, maiô de um lado e biquíni do outro, a modelo Raica
Oliveira deixou o jogador Ronaldo babando na platéia. Se tem namoro ou
não, logo o mundo saberá. Certeza, por enquanto, é que a
moda praia brasileira deixou tudo dominado. |