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Brasil Uma
coincidência e tanto Banco Rural
e BMG ganham espaço nos investimentos dos fundos de pensão
da Petrobras e de Furnas  Lucila
Soares
Dida
Sampaio/AE
 | LUIZ
GUSHIKEN Relações antigas e
próximas com os fundos de pensão de estatais |
É
conhecida a estreita ligação do governo Lula com os fundos de pensão
de estatais. O presidente da Petros e o da Previ, os dois maiores, são
indicações do ministro Luiz Gushiken, que possui larga convivência
profissional e política com as fundações de previdência
complementar. E Marcelo Sereno, ex-braço-direito do ex-ministro José
Dirceu, hoje secretário de Comunicação do PT, articulou nomeações
para postos-chave em boa parte dos demais fundos, entre eles a Fundação
Real Grandeza, de Furnas. O que surge agora é um forte indício de
que em algumas instituições a camaradagem foi além. Influiu
em decisões de investimento e beneficiou o Banco Rural e o BMG, ambos no
epicentro do terremoto político que abala o país. O primeiro, como
se sabe, foi usado pelo publicitário Marcos Valério para fazer saques
em dinheiro de 21 milhões de reais. E o BMG liberou aquele empréstimo
de 2,4 milhões ao PT que o presidente do partido, José Genoíno,
disse que assinou sem ler. A Petros, o segundo maior fundo de pensão do
país, tem 78,1 milhões de reais aplicados em dois fundos do BMG
e 24,5 milhões em um fundo do Banco Rural. Na Real Grandeza os números
são espantosos. Em dezembro de 2004, o fundo tinha 146 milhões no
Rural e 98,6 milhões no BMG.
O que chama atenção nos dois casos não é exatamente
o montante aplicado, que, embora alto em valores absolutos, é pequeno se
comparado ao patrimônio das duas instituições e está
dentro dos limites legais. O que acende a luz amarela é o fato de dois
bancos de segunda linha, que tiveram suas relações com o PT e com
Marcos Valério reveladas recentemente, ganharem tanto espaço nos
investimentos de dois dos maiores fundos de pensão do país. No segundo
trimestre do ano passado, a Petros que na gestão anterior não
aplicava no Rural nem no BMG tinha 5,2 milhões de reais em fundos
do primeiro e 13,5 milhões no segundo. Ou seja, em um ano, as aplicações
cresceram, respectivamente, 371% e 478%. A Petros explica que esses fundos
os fundos de investimento em direito creditório são atraentes
porque têm um baixo risco de crédito e fazem parte de sua política
de diversificação da carteira. No mercado, esses fundos vêm
realmente crescendo, mas em ritmo significativamente menor.
Nilton
Fukuda /AE
 | MARCELO
SERENO Indicações para cargos que administram
bilhões de reais |
Na Real Grandeza, o então diretor de investimentos, Benito Siciliano,
indicado pelo PTB, dividiu as aplicações em renda fixa por cinco
bancos privados. Todos de segunda linha Rural, BMG, Mercantil, Panamericano
e Santos. Juntos, o Rural e o BMG chegaram a representar quase 50% dos investimentos
do fundo em CDBs. Esse segmento de bancos costuma oferecer remuneração
atraente, até porque são aplicações de risco mais
alto que o dos papéis das grandes instituições. O resultado
é que a fundação teve um prejuízo de 153 milhões
de reais, Siciliano foi demitido e os problemas administrativos explodiram. O
presidente da Real Grandeza, Marco Gomes, diz que nenhum desses bancos está
credenciado para receber novas aplicações do fundo e que não
renovará os investimentos à medida que eles forem vencendo. Resta
a dúvida: como o décimo maior fundo de pensão do país
permitiu tamanha autonomia de um diretor? Mais provavelmente, o que está
por trás dessa desastrada performance é o loteamento político
de sua diretoria entre PT, PP, PMDB e PTB. No fim, ninguém se entendeu
e quem pagou a conta foram os participantes do fundo. |