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Diogo
Mainardi Sai, Lula, sai
"Proponho
a realização de eleições antecipadas.
Era o que defendia Tarso Genro, no governo anterior. Lula
deve renunciar. Mas só depois de pedir perdão na televisão,
com lágrimas no rosto. Ver um petista chorando é
uma diversão" Lula
acabou. Lula morreu. Um a menos. Se
ninguém tem uma idéia melhor, proponho a realização
de eleições antecipadas. Era o que defendia o atual ministro da
Educação, Tarso Genro, no governo anterior: "Após frustrar
irremediavelmente a generosa expectativa da nação, resta a Fernando
Henrique reconhecer o estado de ingovernabilidade do país e propor ao Congresso
uma emenda constitucional convocando eleições presidenciais para
outubro. (...) Se o presidente tivesse dignidade, deveria renunciar. Seria uma
saída democrática para a crise, em face da falta de legitimidade
de um mandato construído por estelionato eleitoral".
Tarso Genro, na época, foi acusado de golpismo. Não entendo a razão.
Democracias bem mais avançadas do que a nossa como a boliviana,
por exemplo admitem a antecipação eleitoral. Sugiro que Tarso
Genro retome a idéia, levando-a imediatamente ao presidente. Lula deve
renunciar. Mas só depois de pedir perdão na televisão, com
lágrimas no rosto. Petistas sempre choram quando são apanhados em
flagrante. Ver um petista chorando é uma diversão. Ver um petista
explicando sua movimentação bancária é uma diversão
ainda maior. A renúncia de Lula tem de ser acompanhada por uma proposta
de emenda constitucional que garanta a realização de eleições
o quanto antes. Como diria Tarso Genro, é a única saída minimamente
digna para o presidente. A proposta
só tem um problema: Lula não pode renunciar sozinho. Se o governo
corrompeu boa parte do Congresso Nacional com o pagamento de propina, deputados
e senadores devem ser punidos junto com ele. A gente ainda não sabe quantos
parlamentares entraram na roubalheira. Roberto Jefferson calculou entre oitenta
e 100. Tanto faz. É o bastante para pedir a interrupção da
legislatura. Além de aprovar a emenda constitucional que antecipa as eleições
presidenciais, o Poder Legislativo deve aprovar também a dissolução
do Congresso e a realização de eleições gerais em
outubro. A taxa de renovação parlamentar será alta. Muitos
ladrões deixarão de ser eleitos. Novos ladrões ocuparão
seus lugares. O próximo Congresso não será melhor do que
o atual. Com uma certa dose de revanchismo, porém, poderá fazer
uma CPI do Mensalão um pouco menos comprometida. Falta revanchismo à
democracia brasileira. Outra vantagem
de dissolver o Congresso agora é impedir uma reforma política. Os
atuais deputados e senadores perderam a confiança dos eleitores. Estão
desautorizados a legislar sobre matérias relevantes, principalmente as
que lhes dizem respeito, como a reforma política. Se eles aprovarem o financiamento
público aos partidos, serão perseguidos nas ruas. Minha proposta
eu tenho uma proposta para tudo é que o novo Parlamento,
assim que tomar posse, nomeie uma comissão de figuras eminentes da sociedade.
Ela seria encarregada de fazer uma profunda revisão da Constituição,
enxugando o Executivo e o Legislativo. Os ladrões continuariam a roubar.
Só que teríamos menos ladrões.
Sai, Lula, sai. Sai rápido daí. |